02 jun, 2026
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Dia dos Namorados deve movimentar R$ 26 bilhões no comércio e serviços, aponta pesquisa CNDL/ SPC Brasil

61% os consumidores devem presentear na data. Roupas, itens de beleza e cosméticos e chocolates serão os principais presentes

O Dia dos Namorados promete movimentar o comércio nos próximos dias. A data deve levar 100,1 milhões de consumidores às compras, é o que aponta pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Offerwise Pesquisas. De acordo com o levantamento, 61% dos entrevistados pretendem presentear no Dia dos Namorados, movimentando mais de R$ 26,4 bilhões no comércio.

Os esposos ou as esposas aparecem em primeiro lugar (58%) no ranking dos principais presenteados, enquanto 33% pretendem presentear os(as) namorados(as).  Entre os motivos para presentear, os entrevistados destacaram o hábito de agraciar quem se gosta (42%) e o reconhecimento da data como um gesto importante (46%).

Já entre os 28% que não vão comprar, 63% justificam a ausência de um relacionamento. No entanto, fatores macroeconômicos já impactam o restante do grupo: 10% vão priorizar o pagamento de dívidas e 9% não possuem o costume de celebrar a data.

O valor médio investido no(s) presente(s) será de R$ 264 (subindo para R$ 295 nas Classes A/B). O volume médio por comprador está fixado em 1,5 presente. A pesquisa mostra ainda uma expectativa de reciprocidade, uma vez que 74% dos que irão presentear, acreditam que irão receber presentes.

“O Dia dos Namorados se consolidou como um pilar fundamental para o calendário comercial brasileiro, pois sua influência ultrapassa as vitrines das lojas e permeia toda a cadeia de serviços. É uma data que irriga desde o comércio de bens duráveis e vestuário até o setor de gastronomia, hotelaria e turismo. Essa capilaridade é essencial para manter o dinamismo da economia, permitindo que diferentes segmentos do mercado aproveitem o apelo emocional da celebração para impulsionar suas operações e fortalecer o empreendedorismo nacional.”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

Vestuário, itens de beleza e chocolates lideram o ranking dos itens mais procurados. 41% consideram dar um presente de segunda mão

A percepção de valor na data está diretamente atrelada à qualidade e ao ineditismo, mas o mercado de segunda mão desenha nichos de oportunidade. O principal fator considerado na compra é a qualidade do presente (27%), o desejo manifesto do presenteado (18%), a adequação ao perfil do presenteado (16%) e a busca por promoções e descontos (13%).

 No ranking de itens mais procurados, destacam-se vestuário – roupas, calçados e acessórios (52%), beleza – perfumes, cosméticos e maquiagem (31%), chocolates (26%) e experiências – jantares, viagens e passeios consolidam a busca por momentos compartilhados (19%). A celebração da data será em casa (36%) ou em restaurantes (30%).

Metade (50%) dos consumidores demonstram resistência a presentes de segunda mão, preferindo um item novo e lacrado (23%), defendendo que o presente deve ser obrigatoriamente inédito (17%) ou por receio quanto à qualidade ou garantia (11%). Em contrapartida, 41% consideram a possibilidade (sobretudo Gen Z e Classes C/D/E), motivados pelo acesso a itens exclusivos/vintage (9%), pela chance de dar um presente melhor pagando menos (9%) e pela economia financeira (8%).

A jornada do consumidor é híbrida, combinando a experiência do ponto de venda físico com a conveniência e a agressividade comercial das plataformas digitais. De acordo com a pesquisa, 53% das compras serão realizadas em lojas físicas — com destaque para Shopping Centers (22%) e Shoppings Populares (11%). O e-commerce será responsável por 41% das intenções de compra. Entre quem compra online, 68% utilizarão aplicativos, 65% sites tradicionais e 25% o Instagram.

Os sites de varejistas internacionais lideram a preferência com 58%, enquanto os sites de varejistas nacionais registraram uma queda de 16 pontos percentuais em comparação a 2025, com 41% das intenções. Marketplaces gerais somam 36% e sites de  lojas de departamento 32%.

De acordo com os entrevistados, os principais fatores que influenciam na escolha do local de compra são a qualidade do produto (50%), o preço/promoções (47%) e o frete grátis (32%).

Anúncios no Instagram e vitrines influenciam os consumidores na hora de comprar os presentes

A influência digital é inegável na hora da compra, 35% dos consumidores sentem-se impactados pelas redes sociais (Instagram e TikTok). Enquanto 32% destacam o impacto visual das vitrines físicas, já 30% são influenciados pelos buscadores de informações e 22% pelas indicações de amigos e parentes.

Embora a preferência por transações à vista seja majoritária, o parcelamento funciona como uma ferramenta essencial de viabilização do consumo. 64% pretendem pagar as compras à vista, consolidando o PIX como o principal meio de pagamento utilizado (38%).

O pagamento parcelado será a opção de 34% dos compradores, centralizado no cartão de crédito parcelado (26%). A média geral está fixada em 3,7 prestações. Para 75% dos que vão parcelar, a capacidade financeira de honrar as parcelas é relevante (39% só compram se tiverem certeza do pagamento e 36% admitem que a parcela apertará as finanças, mas darão “um jeito”). No outro extremo, 25% desconsideram a saúde financeira no ato da compra, focando no momento feliz.

A pesquisa mostra que o consumidor está atento aos preços. Uma vez que 76% farão pesquisa de preço prévia — utilizando a internet (89%) e meios físicos (68%). Mais da metade (53%) afirmam que os produtos estão mais caros em relação ao ano passado, 39% acreditam que estão na mesma faixa de preço e 8% que estão mais baratos.

32% pretendem comprar presentes mesmo com contas em atraso

Apesar do otimismo comercial, a saúde financeira acende um alerta: 34% dos compradores admitem que gastarão mais do que podem. O apelo emocional é o grande motor: 66% justificam o gasto excessivo afirmando que o parceiro(a) “merece o esforço”.

A situação é ainda mais delicada para uma parcela da população: 32% dos que pretendem presentear possuem contas em atraso (69% deles estão negativados) e 10% admitem que vão deixar de pagar alguma conta básica para viabilizar a compra do presente.

A alta inadimplência do país se mostra presente também na data uma vez que 20% dos que compraram em 2025 ficaram com o “nome sujo” devido aos gastos da data, sendo que metade destes ainda não regularizou a situação.

A exposição digital nas redes sociais atua como um catalisador de gastos para 38% dos consumidores, que admitem extrapolar suas finanças devido manutenção de “status e aparência”. Esse grupo desdobra-se em 28% de pressão moderada (gastar a mais apenas para que o parceiro exiba um item validado pelo círculo de amigos no Instagram ou TikTok) e 10% de pressão total (necessidade explícita de ostentação de marcas e apelo visual de alto impacto).

Diante da falta de limite ou saldo no momento da transação, a flexibilidade prevalece sobre a perda da venda. A maioria, 67%, realiza um ajuste de ticket, migrando para um presente de menor valor. Para tentar sustentar o plano inicial, 22% buscam gerar renda extra rápida e 16% recorrem ao capital de terceiros (empréstimos ou cartões de crédito de amigos e parentes). A taxa de desistência total e abandono do consumo é residual, fixada em apenas 8%.

METODOLOGIA

Público-alvo: Consumidores das 27 capitais brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econômicas (excluindo analfabetos) e que pretendem realizar compras para o dia dos namorados deste ano.

Método de coleta: Pesquisa realizada via web e pós-ponderada por sexo, idade, renda e escolaridade.

Amostra: 906 casos em um primeiro levantamento para identificar o percentual de pessoas com intenção de comprar presentes para o Dia dos Namorados. Em seguida, continuaram a responder o questionário 600 casos, somente com os que tinham a intenção de compra para esta data. Resultando, respectivamente, uma margem de erro no geral de 3,3 p. p. e 4,0 p. p. para um intervalo de confiança a 95%.

Período da coleta dos dados: 29 de abril a 08 de maio de 2026.

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