Economista aponta 5 dicas para se preparar financeiramente para janeiro
Análise mostra como tributos e dívidas acumuladas pressionam o orçamento, especialista aponta o consórcio como alternativa de planejamento
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Janeiro figura historicamente entre os meses de maior pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras. O início do ano reúne impostos obrigatórios, reajustes contratuais e despesas concentradas, criando um acúmulo que compromete a renda de grande parte da população.
IPVA, material escolar, mensalidades reajustadas e gastos residuais das festas de fim de ano formam um conjunto de obrigações que, para muitas famílias, chega antes que haja tempo de reorganizar o caixa. Soma-se a isso o resquício do consumo de fim de ano, período em que há maior uso de crédito e parcelamentos, reduzindo a liquidez disponível.
A estrutura econômica do mês ajuda a explicar esse cenário. Estados e municípios concentram a cobrança de IPVA e IPTU no início do calendário fiscal. Setores como educação, transporte e serviços costumam aplicar seus reajustes anuais nessa época, o que pressiona o índice de inflação do período, tendência registrada nas séries históricas do IPCA, do IBGE. Paralelamente, o Brasil mantém uma carga tributária que gira em torno de 33% do PIB, segundo a Receita Federal, o que amplia o peso relativo dos compromissos obrigatórios.
Para o economista e educador financeiro Leonardo Baldez Augusto, especialista em planejamento financeiro, fundador da empresa ISF Crédito Orientado, o impacto é previsível e recorrente. “Para famílias que não encerram o ano com reserva, essa concentração se transforma em estresse financeiro e, muitas vezes, em inadimplência”, afirma.
Segundo Baldez, a correlação entre inadimplência elevada e o acúmulo de despesas de janeiro é direta. “Quando o consumidor encerra o ano endividado, ele chega ao mês mais caro com margem reduzida para lidar com tributos e reajustes. Isso cria um efeito dominó que prolonga dificuldades ao longo do primeiro trimestre”, diz.
E essa combinação gera um funil financeiro que se repete todos os anos. “O desequilíbrio não está no imposto em si, mas na falta de planejamento prévio para lidar com algo que é totalmente previsível”, explica.
Como o consórcio se encaixa no planejamento
O consórcio tem ganhado espaço como ferramenta de organização financeira em um cenário de juros elevados e menor capacidade de poupança. Com mais de 10 milhões de participantes ativos, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios ABAC, o sistema funciona como uma poupança disciplinada, estabelecida por meio de parcelas regulares e previsíveis.
Para o especialista, esse mecanismo favorece famílias que precisam criar uma organização financeira gradual. “O consórcio obriga o consumidor a reservar parte da renda todos os meses. Ele antecipa o planejamento e reduz a dependência de crédito caro para cumprir metas futuras. Do ponto de vista financeiro, é uma estratégia de blindagem contra períodos críticos como janeiro”, afirma.
Além de evitar juros compostos de financiamentos, o consórcio funciona como forma de programar a aquisição de bens e criar uma reserva estruturada ao longo do ano.
Olhando para 2026
As projeções do Boletim Focus indicam inflação moderada e expectativa de alívio gradual na taxa de juros ao longo de 2026. Para especialistas, consumidores que fecham 2025 com o orçamento organizado poderão enfrentar o início do próximo ano com mais tranquilidade. “O peso de janeiro é anual, mas a preparação é contínua. Organização transforma previsibilidade em segurança financeira”, conclui Baldez.
O especialista aponta 5 dicas práticas para tomar ainda em 2025
- Revisar contratos e despesas recorrentes
Renegociar serviços e cortar gastos desnecessários ajuda a abrir espaço no orçamento antes da virada. - Aproveitar mutirões de renegociação
“Começar 2026 regularizado amplia a previsibilidade financeira e melhora condições de crédito”, diz Baldez. - Planejar compras escolares com antecedência
Comparar preços, dividir compras e antecipar itens básicos reduz o pico financeiro de janeiro. - Criar uma reserva emergencial mínima
Mesmo valores pequenos ajudam a amortecer o impacto dos tributos sazonais. - Usar o consórcio como ferramenta de organização
Ideal para quem precisa desenvolver disciplina financeira e planejar compras sem juros criando reserva de forma estruturada.

