3 de novembro de 2026

Fim da escala 6×1: CNDL orienta lojistas sobre custos, escalas e vendas na nova jornada

Cartilhas apresentam orientações práticas para empresas se adaptarem à redução da jornada semanal, que começa em dezembro, em pleno período de vendas de Natal

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Fim da escala 6x1: CNDL orienta lojistas sobre custos, escalas e vendas na nova jornada

O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho prometem transformar a rotina do comércio brasileiro. A partir de dezembro de 2026, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas, com direito a dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. Um ano depois, o limite cairá para 40 horas semanais.

Para auxiliar os empresários nesse processo, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) elaborou duas cartilhas orientativas que reúnem informações sobre a Emenda Constitucional nº 141/2026, seus impactos financeiros e as alternativas para reorganizar o funcionamento dos estabelecimentos.

Os materiais trazem orientações para empresas de diferentes portes e segmentos, com simulações de custos, modelos de escalas e sugestões para preservar a produtividade e o atendimento ao consumidor.

O desafio de fazer o comércio funcionar com menos horas

A mudança chega em um momento particularmente sensível para o varejo: dezembro, período de maior movimentação comercial em função das compras de Natal.

Com menos horas disponíveis por trabalhador, os empresários precisarão avaliar como distribuir as equipes para manter o funcionamento das lojas, principalmente nos horários de maior demanda.

Um dos principais alertas da CNDL diz respeito à negociação coletiva. Durante a primeira etapa de transição, a distribuição das 42 horas em cinco dias de trabalho, com jornadas de 8 horas e 24 minutos, depende de convenção ou acordo coletivo.

Sem essa previsão, a combinação entre o limite normal de oito horas diárias e os dois dias de descanso resulta em uma jornada de 40 horas semanais.

Isso significa que a ausência de negociação coletiva pode ampliar a necessidade de reorganização das equipes já em dezembro de 2026.

Quanto pode custar a redução da jornada?

A manutenção dos salários com menos horas trabalhadas eleva o valor da hora de trabalho. Segundo os cálculos apresentados pela CNDL, a elevação será de 4,76% na passagem de 44 para 42 horas e de 10% quando a jornada chegar a 40 horas, em comparação com a situação atual.

Esses percentuais não representam, necessariamente, um aumento equivalente na folha de pagamento. O impacto dependerá de fatores como necessidade de reposição de horas, contratações, horas extras e organização das escalas.

Em uma simulação apresentada na cartilha, uma microempresa com oito empregados e folha salarial de R$ 16 mil precisaria cobrir 16 horas semanais de trabalho na primeira etapa da transição, considerando uma norma coletiva que permita distribuir as 42 horas em cinco dias.

Nesse cenário ilustrativo, o custo mensal estimado seria de R$ 1.277,71 com horas extras, já considerados os encargos adotados na simulação, ou R$ 1.032 com a contratação de um profissional em tempo parcial.

Os valores não incluem todos os possíveis reflexos na remuneração e devem ser adaptados à realidade de cada negócio.

Menos horas não precisam significar menos vendas

Além das questões trabalhistas, a adaptação exigirá uma revisão da operação comercial.

A orientação da CNDL é que o empresário analise os períodos de maior e menor movimento antes de decidir como distribuir as folgas. O objetivo é concentrar os profissionais nos horários de maior demanda, evitando que a redução da jornada comprometa o atendimento.

Entre as medidas sugeridas estão o escalonamento dos horários de entrada e almoço, o treinamento de funcionários para diferentes funções e a contratação de reforços em tempo parcial para os períodos de pico.

O uso de ferramentas digitais também aparece como alternativa para otimizar a operação. Atendimento pelo WhatsApp, agendamento eletrônico, automação de tarefas e vendas com retirada na loja podem contribuir para reduzir atividades repetitivas e aproveitar melhor o tempo das equipes.

A entidade recomenda ainda acompanhar indicadores como vendas por hora trabalhada, tempo de atendimento, valor médio das compras e quantidade de horas extras, permitindo ajustes nas escalas conforme os resultados.

Planejamento deve começar antes de dezembro

As cartilhas também apresentam um plano de adaptação dividido em dez etapas, desde o levantamento das jornadas atuais até a avaliação dos resultados após a implementação das novas escalas.

A recomendação é que as empresas concluam os ajustes e, quando possível, iniciem a nova organização em 14 de dezembro, antes do prazo previsto para a mudança.

O planejamento envolve revisar convenções coletivas, simular os custos de diferentes modelos, atualizar sistemas de folha e controle de ponto, comunicar os colaboradores e preparar eventuais reforços para o período natalino.

Para micro e pequenas empresas, a necessidade de antecipação é ainda mais relevante, já que a Emenda Constitucional não estabelece um prazo diferenciado de adaptação para esses negócios. Uma futura lei complementar poderá prever medidas de apoio, mas elas não devem ser consideradas como garantidas no planejamento atual.

Cartilhas reúnem orientações para diferentes negócios

A CNDL disponibiliza dois materiais complementares. A cartilha completa apresenta 15 exemplos práticos, nove modelos de organização de horários, orientações para 27 segmentos do comércio e dos serviços, simulador de escalas e 48 perguntas e respostas.

Já a mini cartilha reúne os principais pontos em formato resumido, facilitando a consulta às regras, aos custos e às decisões mais urgentes.

Os documentos têm caráter informativo e orientativo. Como a aplicação de algumas regras depende de negociação coletiva e de interpretações jurídicas, a recomendação é que as empresas também consultem profissionais especializados e as entidades representativas de suas categorias.

Acesse os materiais da CNDL

Cartilha Orientativa — Emenda Constitucional nº 141/2026

Mini Cartilha — Resumo Estratégico

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