2 de novembro de 2026

Apostas entre adolescentes preocupam famílias e deixam sinais de vício e endividamento

Entre pais de jovens envolvidos com jogos online pagos, 70% identificam impactos como dependência, dívidas e uso de recursos familiares sem autorização

Envato
Brasil chega à marca de 50 milhões de apostadores em bets, revela pesquisa CNDL/SPC Brasil

O envolvimento de adolescentes com apostas online pagas já faz parte da realidade de uma parcela das famílias brasileiras. Entre os consumidores ouvidos, 10% afirmam ter ou já ter tido filhos de 12 a 18 anos envolvidos com esse tipo de jogo.

Os dados integram a pesquisa “Apostas Online: entre o prazer do jogo e o risco financeiro”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas.

Dentro desse grupo de pais, 70% reconhecem que as apostas provocaram algum impacto na vida dos filhos. O sinal de vício é a consequência mais mencionada, citada por 26%.

O resultado chama atenção porque a participação de menores de idade em apostas de quota fixa é proibida no Brasil. Ainda assim, os números indicam que adolescentes conseguem acessar ou participar de jogos pagos, expondo-se a riscos financeiros e emocionais.

A ampla circulação de conteúdos sobre apostas nas redes sociais, transmissões esportivas e perfis de influenciadores também contribui para tornar as plataformas conhecidas por públicos mais jovens. A pesquisa não identifica, porém, como os adolescentes mencionados tiveram acesso aos jogos.

Dívidas e uso de recursos da família

O endividamento aparece como o segundo impacto mais citado pelos pais, mencionado por 24%. O dado mostra que, mesmo antes da vida adulta, parte desses jovens já enfrenta consequências financeiras provocadas pelo jogo.

Outros 14% relatam que os filhos utilizaram cartão de crédito ou dinheiro da família sem autorização. Nesses casos, o prejuízo ultrapassa o adolescente e passa a atingir diretamente o orçamento doméstico e as relações de confiança.

O acesso a recursos de terceiros pode também dificultar a identificação inicial do problema. Cobranças no cartão, transferências ou desaparecimento de dinheiro podem ser percebidos apenas depois que as apostas já se repetiram.

Sinais de ansiedade, depressão ou irritabilidade foram citados por 13% dos pais. Alterações de humor podem estar ligadas à expectativa de resultados, às perdas acumuladas ou à dificuldade de esconder o comportamento da família.

Propaganda e influência entram no debate

A exposição de jovens ao marketing das plataformas aparece entre as principais preocupações dos entrevistados. Para 44%, campanhas de conscientização sobre o risco de vício seriam uma das medidas mais eficazes para reduzir os danos associados às apostas.

A proibição de propagandas com famosos e influenciadores é defendida por 43%, enquanto 36% apontam a necessidade de restringir o marketing direcionado a jovens e adolescentes.

A atuação de personalidades na promoção das plataformas também enfrenta rejeição. Para 66% dos entrevistados, atletas, influenciadores digitais, artistas ou celebridades que anunciam empresas de apostas passam a ter uma imagem negativa.

Entre aqueles que avaliam essa atuação de forma desfavorável, 42% deixam de acompanhar a personalidade. Outros 24% reconhecem que existe uma influência negativa, embora continuem consumindo o conteúdo.

Os números mostram que o debate sobre apostas entre adolescentes não se limita ao controle dentro das famílias. Ele envolve mecanismos de verificação de idade, fiscalização das plataformas, educação financeira, campanhas de prevenção e limites para a publicidade.

A presença de sinais de dependência, dívidas e uso não autorizado de recursos familiares reforça a necessidade de atenção a mudanças de comportamento, movimentações financeiras incomuns e aumento do interesse de jovens por jogos que envolvam dinheiro.

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