Inadimplência bate novo recorde e atinge 75,06 milhões de consumidores em maio, aponta CNDL e SPC Brasil
A distribuição é equilibrada, com leve predominância feminina: sendo 51,34% mulheres e 48,66% homens
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O Brasil bateu mais um recorde consecutivo de inadimplência em maio, com 75,06 milhões de brasileiros com cotas em atraso. O dado faz parte do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil. Este volume representa 44,80% da população adulta brasileira. A variação anual observada em maio deste ano ficou abaixo da observada no mês anterior. Na passagem de abril para maio, o número de devedores cresceu 0,44%.

O crescimento do indicador anual se concentrou no aumento de inclusões de devedores com tempo de inadimplência de 4 a 5 anos (38,35%).

“Mesmo com o programa Desenrola, que cumpre um papel fundamental de limpeza e de resgate de CPFs, a conjuntura geral que sufoca o orçamento familiar não se alterou; pelo contrário, piorou de maio para junho. Muitos consumidores que recorreram ao Desenrola conseguiram renegociar uma fatia de seus débitos, mas permaneceram com outras pendências financeiras ou assumiram novos compromissos que voltaram a atrasar. A piora do cenário macroeconômico, alta do dólar e juros altos, exercem pressão direta sobre a inflação e o custo de vida”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Dívidas por região, faixa etária e gênero
A maior concentração de devedores está entre 30 e 39 anos, somando 18,23 milhões de pessoas. Isso significa que mais da metade (53,79%) da população nesta faixa etária está negativada.
A distribuição é equilibrada, com leve predominância feminina: sendo 51,34% mulheres e 48,66% homens.

Observando os resultados por região, o Sul apresentou a alta mais expressiva no número de inadimplentes na comparação anual, com crescimento de 9,86%, seguido pelo Norte (9,52%), Sudeste (7,94%), Centro‐Oeste (7,08%) e Nordeste (6,04%).

Em maio de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 5.145,04. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,34 empresas credoras.
Os dados ainda mostram que quase três em cada dez consumidores (29,19%) tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 41,52% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000.

“O avanço da inadimplência coincide com um período historicamente forte para o comércio, batizado de ‘Super Junho’ devido à concentração do Dia dos Namorados, das Festas Juninas e do apelo dos jogos da Copa. O setor lojista vê este cenário com cautela. Trata-se de um período de forte “tentação de consumo” e apelo emocional, inserido em um contexto financeiro já bastante adverso para a população. A combinação de renda comprimida, juros altos e forte estímulo às compras acende um alerta para o risco de um endividamento ainda maior nas próximas semanas”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.
Em maio de 2026, o número de dívidas em atraso no Brasil crescimento de 15,64% em relação ao mesmo período de 2025. O dado observado em maio deste ano ficou abaixo da variação anual observada no mês anterior.
Na passagem de abril para maio, o número de dívidas apresentou alta de 0,41%.

Abrindo a evolução do número de dívidas por setor credor, destacou‐se a evolução das dívidas com o setor de Água e Luz com crescimento de 24,93%, seguido de Comunicação (16,22%) e Bancos (14,63%) Em outra direção, as dívidas com o setor credor de Comércio (‐0,22%) apresentaram queda no total de dívidas em atraso.
Em termos de participação, o setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de Bancos, com 66,19% do total. Na sequência, aparece Água e Luz (10,68%), o setor de Outros com 9,25% e Comércio com 8,24% do total de dívidas.

Na abertura por região em relação ao número de dívidas, a maior alta veio da região Norte (17,49%), seguida pelo Sul (16,88%), Sudeste (15,09%), Centro‐Oeste (14,08%) e Nordeste (12,28%).

Em termos regionais, o maior percentual de inadimplentes está na região Norte, onde 48,48% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, na região Sul, a proporção de negativados equivale a 40,78% da população adulta.


