Do abacaxi com hortelã ao dark chocolate. Novas combinações tentam renovar o consumo do whey protein
A Vitrine Varejo testou três suplementos da Fontívia para entender se as fórmulas multifuncionais também convencem no aroma, na textura e no sabor
O mercado de suplementos já não vive apenas de grandes potes de whey protein com sabores de chocolate, baunilha e morango. A categoria se tornou mais segmentada, sofisticada e, em alguns casos, mais difícil de entender. Proteínas agora dividem espaço na mesma fórmula com vitaminas, colágeno, compostos relacionados à preservação muscular, ingredientes voltados à pele e outros ativos que tentam resolver diferentes necessidades em um único produto.
Foi seguindo essa tendência que a Fontívia, recém apresentada ao mercado brasileiro, chega com um portfólio inicial de 14 produtos e uma proposta baseada no que a empresa chama de “Fórmulas Inteligentes”: a combinação de diferentes funcionalidades em um mesmo suplemento. A Vitrine Varejo recebeu três amostras da linha, Move Protein, sabor abacaxi com hortelã; Beauty Protein, sabor iogurte com morango; e Power Protein, na versão dark chocolate, para avaliação.
Embora todos estejam ligados ao consumo de proteína, eles seguem caminhos sensoriais e propostas bastante diferentes.
Quando o whey tenta ser refrescante
O Move Protein é, entre os três, o produto que mais se distancia da experiência tradicionalmente associada ao whey. A combinação de abacaxi com hortelã remete a bebidas geladas, sucos e preparações mais leves. É uma escolha interessante para uma categoria em que ainda predominam sabores cremosos, achocolatados ou inspirados em sobremesas.
No aroma, o abacaxi tende a aparecer primeiro, trazendo uma percepção tropical e levemente ácida. A hortelã funciona melhor quando surge de maneira mais discreta, como uma sensação de frescor ao fundo, e não como o sabor dominante.
Esse equilíbrio é um dos principais desafios do produto. A proteína costuma trazer corpo e cremosidade, enquanto abacaxi e hortelã sugerem leveza e refrescância. São experiências que nem sempre caminham naturalmente juntas. Se o produto ficar espesso demais, pode perder a proposta refrescante. Se ficar muito ácido ou com a hortelã excessivamente presente, corre o risco de se tornar cansativo antes do fim do copo.
Por isso, o Move Protein parece fazer mais sentido quando preparado com água bem gelada e consumido logo após o preparo. A temperatura ajuda a reforçar o caráter refrescante e reduz a percepção de dulçor, algo especialmente importante em sabores frutados.
É uma opção que pode agradar quem já está cansado dos chocolates e baunilhas da categoria, mas provavelmente também será o produto mais divisivo entre os três. O consumidor acostumado a whey com perfil de milk-shake pode estranhar a combinação.
Iogurte com morango aposta na familiaridade
Se o Move Protein busca surpreender, o Beauty Protein segue por um caminho mais conhecido. O sabor iogurte com morango traz referências fáceis de reconhecer. Lembra bebidas lácteas, vitaminas, sobremesas e produtos consumidos no café da manhã ou nos intervalos do dia. Isso reduz a barreira de experimentação, especialmente para quem ainda não tem o hábito de consumir suplementos proteicos.
O aroma tende a ser mais doce e confortável, com o morango ocupando o primeiro plano e o iogurte ajudando a construir uma percepção de cremosidade.
No sabor, o principal desafio é evitar que o morango se torne artificial demais. Essa é uma dificuldade recorrente em suplementos, principalmente quando a formulação precisa equilibrar proteína, adoçantes e outros ingredientes funcionais. O componente de iogurte pode ajudar justamente nesse ponto, adicionando uma leve acidez e impedindo que a bebida fique excessivamente doce. Quando essa relação funciona, o resultado se aproxima mais de uma vitamina ou bebida láctea do que de um suplemento esportivo tradicional.
A proposta do Beauty Protein vai além da experiência sensorial. Segundo a marca, a fórmula combina Whey Protein, Verisol® e Opextan®, procurando reunir suporte à massa muscular e ingredientes relacionados aos cuidados com a pele. É o item que representa de maneira mais evidente a estratégia de empilhamento de funcionalidades da Fontívia.
Também é, provavelmente, o produto mais simples de apresentar ao consumidor. A relação entre proteína, beleza e vitalidade é relativamente direta, e o sabor familiar ajuda a completar essa narrativa.
Chocolate amargo em uma fórmula mais robusta
O Power Protein ocupa o território mais próximo da suplementação esportiva tradicional. A versão dark chocolate apresenta um sabor conhecido pelo consumidor de whey, mas tenta se diferenciar pela intensidade do cacau e por uma percepção menos açucarada do que a encontrada em chocolates convencionais.
No aroma, o cacau tende a ser o elemento mais evidente. Já no paladar, uma leve amargura pode ser positiva, ajudando a equilibrar os adoçantes normalmente utilizados em produtos da categoria. Entre os três itens recebidos, é o que mais combina com uma textura encorpada. O perfil de chocolate suporta melhor uma bebida densa e cremosa, sem criar o mesmo conflito que poderia aparecer em uma opção frutada.
Segundo a Fontívia, o produto combina whey protein isolado e concentrado, 3 gramas de HMB e 1.000 UI de vitamina D. A proposta está ligada à construção e à preservação muscular, buscando atender não apenas quem procura desempenho, mas também públicos preocupados com manutenção de massa muscular ao longo do tempo.
O HMB, porém, ainda é um ingrediente menos conhecido pelo consumidor médio do que whey, creatina ou colágeno. Isso cria um desafio de comunicação. Na embalagem, a presença de uma sigla e de uma dosagem pode transmitir sofisticação ou respaldo técnico, mas não necessariamente explica por que aquele componente foi incluído.
Em sabor, é o produto mais próximo de uma escolha segura. Em comunicação, é o que pode exigir mais explicação.
O sabor ainda decide a recompra
A suplementação se tornou mais técnica, mas não deixou de ser uma categoria de consumo recorrente. Isso significa que a formulação pode motivar a primeira compra, enquanto o sabor, a textura e a praticidade tendem a definir a continuidade.
Um produto consumido diariamente não pode depender apenas da lista de ingredientes. Ele precisa ser agradável o suficiente para não transformar a rotina em obrigação.
Nesse aspecto, os três itens da Fontívia cumprem papéis distintos. O Move Protein é o mais original e também o mais arriscado. Abacaxi com hortelã pode conquistar quem procura frescor e variedade, mas está longe de ser um sabor consensual. O Beauty Protein aposta na combinação mais familiar e acessível. Iogurte com morango possui maior potencial de aceitação imediata, principalmente entre consumidores que preferem sabores cremosos e levemente frutados. O Power Protein utiliza o dark chocolate como uma ponte entre indulgência e desempenho. É o que mais se aproxima do repertório já consolidado da categoria, mas traz uma formulação que precisa ser bem explicada para justificar sua diferenciação.
Preparo, benefícios e ponto de atenção
As três propostas pedem preparos diferentes.
O Move Protein se beneficia de uma bebida mais leve e gelada. O Beauty Protein combina melhor com uma textura moderadamente cremosa, sem ficar espesso demais. Já o Power Protein suporta um preparo mais encorpado, principalmente para quem busca uma experiência próxima à de uma bebida de chocolate.
Essa diferença pode parecer pequena, mas deveria aparecer com clareza nas orientações da marca. Quando o preparo indicado não corresponde à melhor experiência sensorial, o consumidor pode abandonar o produto antes de descobrir a proporção mais adequada ao próprio paladar.
Além disso, a proposta de concentrar diferentes funcionalidades em um mesmo suplemento responde a um problema real, já que muitos consumidores não querem administrar uma rotina com vários potes, cápsulas e horários. Um produto que reúne ingredientes complementares pode economizar tempo e simplificar o consumo.
Mas existe uma contradição. Enquanto a fórmula se torna mais conveniente, a decisão de compra pode ficar mais complexa.
O consumidor precisa entender a diferença entre Move Protein, Beauty Protein e Power Protein, identificar qual atende melhor ao seu objetivo e avaliar se os ingredientes adicionais justificam um eventual preço mais elevado.
Ou seja, não basta colocar todos os produtos lado a lado na área de suplementos. A organização da categoria, os materiais informativos e o treinamento da equipe serão determinantes para evitar que a variedade se transforme em confusão.
Veredito Vitrine Varejo
A Fontívia chega com uma proposta coerente com o momento atual do mercado de suplementos, com menos produtos isolados e mais fórmulas desenvolvidas em torno de objetivos específicos.
No conjunto, a linha mostra personalidade e uma tentativa legítima de avançar além do whey tradicional. A proposta de fórmulas multifuncionais pode gerar valor para o consumidor e abrir novas oportunidades de exposição no varejo. O ponto de atenção é que mais ingredientes não significam automaticamente uma escolha melhor. Para conquistar espaço permanente na gôndola, a Fontívia precisará mostrar com clareza para quem cada produto foi criado, qual problema procura resolver e por que sua formulação merece substituir alternativas já conhecidas.

