28 set, 2026
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A nova fronteira da prevenção de perdas no varejo é antecipar riscos

Perdas de R$ 42,1 bilhões em 2025 mostram que furtos, erros e falhas de inventário exigem um varejo capaz de identificar padrões antes que se convertam em prejuízo

A nova fronteira da prevenção de perdas no varejo é antecipar riscos - Eficiência na Prática - Vanessa Urbieta

Antes de uma perda se materializar no varejo, a operação costuma produzir sinais. Eles podem aparecer na frequência de ocorrências, na concentração de eventos em determinada loja, categoria ou horário; na repetição de comportamentos ou mesmo em desvios aparentemente pequenos que, observados em conjunto, revelam um problema maior.

O desafio do varejo está em transformar esses sinais em insumos para agir. Quando uma ocorrência é analisada isoladamente ou depois que o prejuízo já aconteceu, a empresa consegue responder ao evento, mas perde a oportunidade de compreender o risco que o antecedeu.

A dimensão desse desafio aparece na 9ª Pesquisa de Perdas no Varejo Brasileiro, da Abrappe. O levantamento estima R$ 42,1 bilhões em perdas no varejo brasileiro em 2025, a partir de causas diversas como quebras operacionais, furtos internos, externos e erros de inventário. O dado é importante porque mostra que a prevenção de perdas envolve a capacidade de identificar diferentes tipos de desvio em diferentes pontos da operação.

Nesse contexto, ganha espaço no mercado a ideia de um varejo responsivo. Enquanto o varejo reativo atua depois da ocorrência identificando o evento, investigando o que aconteceu e procurando corrigir suas consequências sempre a posteriori, o varejo responsivo trabalha com os sinais disponíveis para compreender onde existe um risco e direcionar a atuação antes que ele produza uma perda efetiva.

A tecnologia já produz uma quantidade significativa de informações para sustentar esse olhar. Câmeras, sistemas EAS, sensores e ferramentas de monitoramento registram eventos que podem revelar alterações no comportamento da operação. Isoladamente, cada solução cumpre uma função específica. Integradas, elas podem disponibilizar uma leitura mais ampla sobre o que está acontecendo dentro das lojas.

Imagine, por exemplo, uma unidade que apresente aumento recorrente de alertas em determinado horário. Se essa informação for analisada junto com localização, categoria de produtos, histórico de ocorrências e movimentação registrada por outros sistemas, pode surgir um padrão que não seria perceptível a partir de um único evento. A resposta deixa de depender apenas da ocorrência e passa a considerar o contexto em que ela acontece.

É também nesse ponto que IA e análise de vídeo podem contribuir. Em operações com centenas de câmeras e milhares de eventos, não é razoável esperar que equipes acompanhem manualmente tudo o que acontece. Algoritmos podem ajudar a identificar situações fora do padrão, cruzar informações e priorizar eventos que merecem investigação.

O ganho aqui está em qualificar a informação, reduzir ruídos e direcionar a atenção para aquilo que apresenta maior relevância operacional.

Essa análise também amplia a própria função da prevenção de perdas. Um padrão identificado nos dados pode apontar para um furto, mas também para uma falha de processo, uma configuração inadequada de equipamento, um problema de treinamento ou uma etapa operacional que apresenta recorrência de erros.

Em outras palavras, a mesma informação que ajuda a evitar uma perda pode revelar uma oportunidade de melhorar a operação.

A maturidade da prevenção de perdas passa, portanto, por essa capacidade de antecipação. Para tanto, não se trata necessariamente de substituir as tecnologias que já fazem parte das lojas, nem de adicionar novas soluções sem uma finalidade clara. O desafio é conectar as informações que a operação já produz e criar condições para que elas orientem decisões.

Para o varejo, tornar-se responsivo significa reconhecer que uma perda raramente começa no momento em que é registrada. Muitas vezes, os sinais aparecem antes. Nesse sentido, identificá-los, compreender o que significam e agir enquanto ainda existe a possibilidade de mudar o resultado é crucial.

*Vanessa Urbieta é gerente de desenvolvimento de negócios da Inwave

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