28 set, 2026
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Marketing e vendas lideram o interesse das empresas em inteligência artificial

Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil revela que empresários enxergam na IA uma ferramenta direta para gerar receita

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Marketing e vendas lideram o interesse das empresas em inteligência artificial

A inteligência artificial ainda não se tornou rotina nas empresas brasileiras, mas já tem um território claro de entrada: marketing e vendas. Em um cenário de competição acirrada, margens pressionadas e consumidores mais exigentes, o empresário tende a priorizar tecnologias que impactem diretamente o faturamento — e é exatamente aí que a IA desperta maior interesse.

Segundo a pesquisa “Uso de inteligência artificial nas empresas”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, 69% dos empresários que pretendem adotar IA apontam marketing e vendas como as áreas com maior potencial de aplicação. Na sequência, aparece o atendimento ao cliente (49%), reforçando o foco da tecnologia nas frentes mais próximas do consumidor.

O dado ajuda a entender por que a adoção da IA, embora lenta, tende a começar pelo lado comercial — e não pela retaguarda operacional.

IA entra onde a pressão é maior

Marketing e vendas são hoje os pontos mais sensíveis da gestão. Atrair clientes custa mais, fidelizar exige consistência e vender depende de dados cada vez mais refinados. Nesse contexto, a IA surge como uma promessa de ganho prático: melhorar campanhas, entender comportamento de consumo, personalizar ofertas e apoiar decisões comerciais.

Para o empresário, o raciocínio é simples: se a tecnologia ajuda a vender mais ou vender melhor, ela faz sentido. Se não, vira custo ou distração.

Essa lógica explica por que áreas como contabilidade, logística ou gestão interna aparecem menos como prioridade inicial. A adoção da IA é orientada por resultado, não por inovação abstrata.

Do discurso tecnológico ao uso pragmático

Outro aspecto relevante é a forma como a inteligência artificial é percebida. Em marketing e vendas, ela deixa de ser vista como algo complexo e passa a ser associada a aplicações mais tangíveis: automação de campanhas, análise de dados de clientes, recomendações de produtos, apoio ao atendimento e geração de conteúdo.

Esse caráter mais acessível torna a IA menos intimidante, especialmente para pequenas e médias empresas, onde a gestão é centralizada e o tempo do empresário é escasso. A tecnologia passa a ser entendida como ferramenta de apoio, e não como uma grande transformação estrutural.

Apesar do protagonismo de marketing e vendas no interesse pela IA, a prática ainda caminha devagar. Apenas 14% das empresas utilizam inteligência artificial atualmente, e somente 24% pretendem implementar no curto prazo. O principal obstáculo segue sendo a falta de conhecimento prático sobre como usar a tecnologia.

Ou seja, o empresário sabe onde gostaria de aplicar a IA, mas não sabe exatamente como colocá-la em funcionamento no dia a dia.

IA como diferencial competitivo

Mesmo com essa distância entre interesse e uso, a expectativa é positiva. 41% dos empresários acreditam que a inteligência artificial aumentará a competitividade das empresas nos próximos anos, principalmente por permitir criar novidades para os clientes, economizar tempo e dinheiro e melhorar a experiência de atendimento.

Além disso, 52% veem a IA como fator de aumento de vendas, reforçando que o valor da tecnologia está diretamente ligado à geração de receita e à relação com o consumidor.

Os dados da pesquisa indicam que a inteligência artificial não entrará nas empresas brasileiras como revolução repentina, mas como evolução incremental, começando por áreas onde o retorno é mais visível.

Marketing e vendas lideram esse movimento porque concentram as maiores dores e também as maiores oportunidades. Se a IA conseguir provar valor ali, tende a se espalhar para outras áreas da empresa.

Por enquanto, ela ainda é mais promessa do que prática. Mas o interesse crescente mostra que, quando a tecnologia fala a língua do faturamento, o empresário escuta.

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