Linha de crédito dá novo ânimo ao setor varejista
Lançada pelo Banco do Nordeste, nova linha oferece crédito com juros mais acessíveis aos pequenos, médios e grandes empresários Cinara Lima A redução do […]
Lançada pelo Banco do Nordeste, nova linha oferece crédito com juros mais acessíveis aos pequenos, médios e grandes empresários
Cinara Lima
A redução do custo do crédito financeiro para permitir o crescimento das atividades produtivas empresariais é uma das principais demandas do setor varejista para estimular o crescimento da área para geração de emprego e renda.
Um amplo diálogo vem sendo estabelecido junto às principais instituições financeiras nacionais e os primeiros resultados dão novo ânimo ao setor. Recentemente, o Banco do Nordeste (BNB) lançou uma linha de crédito com juros mais acessíveis aos pequenos, médios e grandes empresários. A medida, anunciada no fim de junho, incentiva o empreendedor com taxas de juros com uma redução média de 15% a 20% para capital de giro.
“Essa é uma reivindicação que já vinha sendo construída ao longo do tempo, considerando que o capital de giro é de extrema importância para o comércio”, destacou o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Honório Pinheiro.
No caso das grandes empresas, a taxa máxima passará de até 1,78% ao mês para 1,32%. Já para os pequenos empresários, a taxa de juros cairá de 0,97% ao mês para 0,88%.
De acordo com o presidente do banco, Marcos Holanda, a mudança só foi possível em virtude do aumento da participação dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) na composição dessa linha de crédito.
“Dadas as circunstâncias econômicas, a demanda por capital de giro é cada vez mais importante, uma vez que as empresas precisam desse recurso para aumentar sua produção. Com essa redução, em média, nossa taxa de juros nessa linha de crédito será metade da que é praticada pelos demais bancos”, destacou Holanda.
As demais regras para concessão de crédito, documentações exigidas e prazo para financiamento, que, dependendo do contrato, pode chegar a 36 meses, permanecerão inalteradas.
Segundo o banco, até setembro, o canal de atendimento digital para micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais, o MPE Digital, vai estar disponível. A mudança vai permitir que o cliente consiga até mesmo contratar empréstimo sem precisar ir à agência física. Quanto às demais modalidades de financiamento, ainda não há previsão para redução de juros.
Quem pode aderir à linha de crédito do BNB
A redução vale apenas para linha de financiamento de capital de giro.
- Empresas com faturamento de até R$ 16 milhões ao ano: os juros, que variavam entre 0,95% e 1,04% ao mês, caem para 0,88% ao mês.
- Empresas com faturamento entre R$ 16 e R$ 90 milhões ao ano: os juros, que variavam entre 1,16% e 1,54% ao mês, caem para 0,95% e 1,04% mensais.
- Empresas com faturamento acima de R$ 90 milhões ao ano: os juros, que variavam entre 1,30% e 1,78% ao mês, caem para 1,12% e 1,32% mensais.
Diálogo aberto
A expectativa da CNDL é ampliar a negociação com outras instituições financeiras, simplificando o acesso ao crédito e melhorando as opções de garantia.
Para Pinheiro, todas as entidades que compõem o Sistema CNDL têm papel fundamental no desenho de um ambiente econômico e institucional propício para que o setor de comércio e serviços possa crescer e se desenvolver.
“Não há um ambiente favorável ao empreendedorismo desse segmento e o Brasil precisa realmente melhorar seus fatores de competitividade sistêmicos, de modo que os empresários sintam-se mais confortáveis em investir e possam gerar mais emprego e renda”, destacou.
Pesquisa realizada pela CNDL e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) neste ano constatou que as altas taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras são o principal motivo para os empresários dos ramos do comércio e serviços não buscarem crédito para investir e desenvolver seus negócios.
O levantamento, feito com empresários de todos os portes nas 27 capitais, mostrou que, entre aqueles que nunca recorreram a empréstimos e financiamentos, quatro em cada dez (38%) atribuem a decisão ao fato de considerarem os juros elevados. A burocracia no processo de aprovação de um empréstimo foi citada por 12% dos entrevistados.


