24 maio, 2026
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Varejo na briga pela simplificação dos impostos

Renata Dias Dia da Liberdade de Impostos, em junho, mobilizou varejistas em 11 estados O Brasil figura na lista dos países que possuem uma das […]

Renata Dias

Dia da Liberdade de Impostos, em junho, mobilizou varejistas em 11 estados

Brasília - Posto de combustíveis do DF vende gasolina com preço quase 40% menor no Dia da Liberdade de Impostos ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Brasília – Posto de combustíveis do DF vende gasolina com preço quase 40% menor no Dia da Liberdade de Impostos ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Brasil figura na lista dos países que possuem uma das maiores cargas tributárias do mundo. Para ter uma ideia, até o dia 29 de maio, já haviam sido arrecadados R$ 900 bilhões em impostos no país. A cifra estampada nos números tradicionais do Impostômetro, iniciativa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), mostrou o mesmo valor duas semanas antes da totalização no ano passado. E a cada piscar de olhos, esse número sobe.

A luta pela simplificação tributária é antiga no setor varejista, que timidamente alerta os consumidores discriminando em notas fiscais a incidência em percentuais dos impostos sobre os produtos. De acordo com estimativas realizadas pela Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem (CDL Jovem), com base em estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), os brasileiros vão trabalhar aproximadamente cinco meses apenas para pagar impostos em 2017. Atualmente, trabalha-se o dobro do que na década de 1970 para pagar a tributação.

“É complicado viver em um país onde 40% do salário do trabalhador destina-se ao pagamento de impostos, ou seja, o consumidor trabalha cinco meses para pagar impostos e não tem o retorno nas estradas, nas ruas, na saúde e na educação. Isso precisa mudar”, ressalta a coordenadora da CDL Jovem/CE, Fabiana Lucas.

Com o objetivo de conscientizar a população sobre a implacável carga tributária enfrentada no país, a CDL Jovem promoveu a nona edição do Dia da Liberdade de Impostos (DLI), em 1º de junho.

Nos estados

“Tivemos uma grande adesão em todo o país. Criamos esse movimento como uma forma de alerta para o consumidor, o empreendedor e a sociedade. O Brasil carece de uma imediata simplificação tributária para resgatar a economia e o emprego do trabalhador brasileiro”, explica Pablo Guterres, coordenador nacional da CDL Jovem.

Em um único dia, a retirada de impostos das mercadorias e a oferta de produtos com menor preço movimentaram a economia das cidades participantes. Apenas no Ceará Moda Shopping, em Fortaleza, foram vendidas aproximadamente dez mil peças com descontos de até 45%. “Essa ação trouxe uma movimentação extra para os 50 lojistas do shopping que aderiram à campanha e tivemos uma grande procura de pessoas em busca de produtos. Contudo, o maior ganho foi poder mostrar que nosso país arrecada muito e o retorno para a população é de serviços de péssima qualidade”, avalia o administrador do shopping, Luiz Gilberto.

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O coordenador da CDL Jovem Manaus, Erick Bandeira, comemorou a adesão de 80 estabelecimentos no estado e alertou que quase metade do valor de alguns produtos, algumas vezes até mais do que isso, é referente somente aos impostos cobrados. “Um videogame, por exemplo, tem 72,0% de imposto embutido no seu preço. A cerveja tem 55,0%, sapatos, 58,0%, celular, 33,0% e picolé, 38,6%. São 151 dias do ano trabalhados somente para pagar impostos”.

Urgência de simplificação

O movimento também alerta para a urgente necessidade de uma simplificação tributária no país. A alta carga de impostos inibe o investimento dos empresários em seus negócios e na geração de empregos. A proposta de simplificação tributária tramita no Congresso Nacional.
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Opinião dos empresários sobre a reforma tributária

Oito em cada dez empresários consideram importante a reforma tributária.

77% consideram que a reforma melhoraria a economia do país.

60% deles enxergam o impacto da reforma.

41% acham que a reforma tributária aumentaria a capacidade de investimentos.

38% consideram que a reforma incentivaria a criação de novos negócios.

 

Fonte: CNDL e SPC Brasil (2017).

Nota: Pesquisa realizada com empresários de todos os estados.

 

 

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