13 jan, 2026
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A maturidade do varejo em pauta: tendências essenciais da NRF 2026

O ano de 2026 deve marcar uma virada pragmática no varejo e no franchising

A maturidade do varejo em pauta tendências essenciais da NRF 2026

O ano de 2026 deve marcar uma virada pragmática no varejo e no franchising. Após ciclos intensos de digitalização e transformação, o setor se vê diante do desafio de consolidar processos, elevar eficiência e fortalecer modelos de negócio capazes de resistir a cenários voláteis.

Entre os dias 11 e 13 de janeiro, ocorre em Nova York, a NRF 2026 Retail’s Big Show, maior evento de tendências e inovações do varejo global, que será palco para discutir esse novo momento em que tecnologia, dados e sustentabilidade deixam de ser iniciativas isoladas e passam a constituir pilares estruturantes da competitividade. Lá serão apresentadas tecnologias e tendências de negócios que moldarão o futuro do consumo no mundo. Neste contexto, a inteligência artificial ocupa um lugar central, embora sua aplicação prática esteja apenas começando a ganhar escala real agora.

As pesquisas mais recentes mostram que um percentual muito pequeno das empresas utiliza IA de maneira plenamente estruturada e mesmo entre aquelas que já implementaram iniciativas, muitos resultados ficaram aquém das expectativas. Isso não reduz o valor da tecnologia; pelo contrário, evidencia um ponto crítico porque a maturidade organizacional ainda está em construção. Falta visão integrada, falta governança de dados, falta infraestrutura, mas, sobretudo, falta cultura para transformar a IA em um novo modo de operar, decidir e liderar.

Quando aplicada com método, a IA reorganiza processos e amplia a capacidade de resposta das empresas. Permite estoques mais inteligentes, ofertas hiperpersonalizadas, decisões operacionais automatizadas e leitura aprofundada sobre o comportamento do consumidor. No franchising, seu potencial é ainda maior porque viabiliza uma expansão mais precisa, suporte contínuo ao franqueado, acesso rápido a informações críticas e decisões mais embasadas sobre mix e formatos de unidades. A tecnologia já está pronta. O desafio, agora, é tornar as organizações igualmente preparadas para adotá-la de forma consistente e escalável.

No ambiente físico, a discussão sobre o papel da loja evoluiu. O mercado deixou para trás a fase experimental e avança para um modelo baseado em padronização de excelência. As marcas não estão mais testando novos formatos; estão investindo em ambientes que combinam eficiência operacional, estética e conectividade emocional com a proposta de valor. O desafio não é mais criar experiências diferenciadas, mas garantir que elas sejam replicadas com qualidade em todo o ecossistema, algo que exige disciplina, treinamento, investimento e coerência. Se conceber uma loja com uma proposta distintiva tornou-se mais acessível, manter esse padrão em rede é o verdadeiro fator competitivo.

A consolidação de práticas de dados e sustentabilidade também avança como pilar de confiança e reputação. O consumidor exige transparência, tanto no uso de suas informações quanto na coerência entre o discurso das marcas e sua atuação. Governança de dados, políticas de consentimento e indicadores ESG deixam de ser compromissos regulatórios e passam a representar responsabilidade, respeito e vantagem competitiva real. No franchising, essa consistência precisa ser viva em cada unidade, fortalecendo a integridade da rede como um todo.

A expectativa para a NRF 2026 é que esses movimentos ganhem corpo, saindo das promessas futuristas para aplicações concretas, orientadas por dados e conectadas à produtividade. O foco tende a migrar da experimentação para a capacidade de gerar resultados, elevando eficiência, assertividade e ritmo de execução. É a consolidação de um varejo que pensa tecnologia não como vitrine, mas como fundamento de operação.

Como reforça a pesquisa do Grupo BITTENCOURT com 135 franqueadoras brasileiras, apresentada no BConnected 2025, crescer hoje exige mais do que expandir a malha de unidades, exige evoluir em estrutura, cultura e visão. O crescimento sustentável nasce do equilíbrio entre automação e humanização, entre inovação e coerência, entre eficiência e ética. A competitividade, daqui para frente, dependerá menos da velocidade e mais da capacidade de construir negócios preparados para crescer com qualidade e impacto positivo.

Por isso, janeiro será especialmente simbólico. Estarei na NRF 2026 representando o Grupo BITTENCOURT como mentora e especialista de uma delegação para acompanhar, in loco, as discussões que moldam o presente e o futuro do setor. Em um cenário em que as transformações acontecem em ciclos cada vez mais curtos, estar próximo às conversas que definem o amanhã deixou de ser opcional; é estratégico, emergente e determinante para quem deseja evoluir com consistência e preparo.

*Lyana Bittencourt é CEO do Grupo BITTENCOURT, consultoria especializada no desenvolvimento, expansão e gestão de redes de negócios e franquias

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