24 jun, 2026
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Conhecimento prático é o principal gatilho para adoção da IA

falta de clareza sobre aplicações reais é o maior obstáculo para a inteligência artificial

Envato
Conhecimento prático é o principal gatilho para adoção da IA

A inteligência artificial (IA) já é conhecida pela ampla maioria dos empresários brasileiros, mas segue distante da prática cotidiana. O principal motivo para esse descompasso não está no preço da tecnologia nem na falta de interesse, e sim em algo mais básico: como usar a IA, na prática, dentro do negócio.

É o que mostra a pesquisa “Uso de inteligência artificial nas empresas”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. Entre os fatores que poderiam facilitar a adoção da IA, 36% dos empresários apontam a necessidade de maior conhecimento sobre as opções disponíveis para cada área da empresa, o principal gatilho citado.

O dado reforça que o entrave não é tecnológico, mas pedagógico.

IA conhecida, aplicação nebulosa

Embora 87% dos empresários afirmem conhecer ou já ter ouvido falar de soluções de IA, apenas 14% utilizam a tecnologia atualmente. A diferença entre esses dois números revela um vácuo de entendimento: o empresário sabe o que é IA, mas não consegue traduzi-la em ganhos concretos para sua operação.

Na prática, falta responder perguntas simples: onde aplicar, por onde começar, quanto custa, que retorno esperar e como integrar a tecnologia à rotina existente. Sem essas respostas, a IA permanece no campo das ideias.

Clareza vale mais do que incentivo financeiro

Outros fatores citados como facilitadores da adoção aparecem bem atrás do conhecimento prático. Apresentação clara de benefícios e retorno sobre investimento (ROI) foi mencionada por 15%, enquanto treinamento da equipe e incentivos governamentais aparecem empatados, com 14% cada.

O conjunto dos dados indica que, antes de crédito subsidiado ou políticas públicas, o empresário quer entender se a IA resolve um problema real. Sem essa conexão direta com o negócio, qualquer incentivo perde força.

A IA que faz sentido é a que resolve o dia a dia

A pesquisa também ajuda a explicar por que marketing, vendas e atendimento ao cliente lideram o interesse pela adoção da IA. São áreas onde o impacto é mais fácil de visualizar e medir, seja na geração de leads, na conversão de vendas ou na melhoria do relacionamento com o consumidor.

Quando a IA é apresentada como ferramenta para tarefas concretas — automatizar respostas, analisar dados de clientes, otimizar campanhas, a resistência diminui. O problema é que esse tipo de abordagem ainda não chegou à maioria das empresas.

Falta de preparo trava a decisão

Entre os empresários que não acreditam que a IA trará ganhos de competitividade, 58% afirmam que suas empresas não estão preparadas para essa transformação. O dado reforça que a adoção da tecnologia passa menos por infraestrutura e mais por capacidade de gestão, aprendizado e adaptação.

Sem domínio prático, a IA é vista como algo complexo demais ou distante da realidade do negócio, percepção que adia decisões e mantém a tecnologia fora da operação.

Os resultados da pesquisa indicam que o avanço da inteligência artificial nas empresas brasileiras depende menos de convencimento e mais de tradução. O empresário já ouviu falar, já reconhece o potencial e, em muitos casos, acredita no impacto positivo. O que falta é transformar o conceito em ferramenta acessível, compreensível e aplicável.

Enquanto o conhecimento prático não se disseminar, a IA continuará sendo uma promessa recorrente — mencionada em eventos, debates e relatórios, mas pouco explorada no cotidiano empresarial. O principal gatilho para mudar esse cenário não é tecnologia nova, e sim entendimento claro de como usá-la.

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