Moda, beleza e delivery: os campeões das compras por impulso
Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra que roupas, cosméticos e comida por aplicativo lideram o ranking das compras não planejadas dos brasileiros
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Seja pela emoção de receber um pacote novo, pela sensação de recompensa ou simplesmente por cair na tentação de uma promoção irresistível, os brasileiros continuam entre os campeões mundiais das compras por impulso. E os dados mais recentes confirmam o poder das vitrines digitais: segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, 62% dos consumidores digitais realizaram compras não planejadas pela internet nos últimos 12 meses.
Entre as categorias mais citadas estão roupas, sapatos e acessórios (44%), seguidos de cosméticos, perfumes e itens de beleza (32%), e comidas e bebidas por delivery (28%). Em quarto lugar aparecem os itens para casa (27%), como objetos de decoração, cama, mesa e banho.
Moda e beleza: consumo emocional em alta
A força das compras impulsivas é particularmente evidente entre as mulheres, que representam a maioria nas categorias de moda e beleza. O comportamento se explica não apenas por interesse pessoal, mas também pelo apelo visual e aspiracional das campanhas online. Imagens bem produzidas, descontos relâmpago e influenciadores digitais reforçam o desejo de experimentar novidades, mesmo quando não há necessidade imediata.
Além disso, o ambiente digital tornou a compra de roupas e cosméticos uma experiência emocional, muitas vezes associada à autoestima, à celebração de conquistas ou à busca por prazer momentâneo. Esse padrão reforça o que especialistas chamam de “consumo de humor”, a ideia de que a compra é usada como válvula de escape para emoções positivas ou negativas.
No caso dos aplicativos de delivery, o impulso é ainda mais evidente. A pesquisa aponta que 28% dos consumidores pedem comidas e bebidas de forma não planejada, motivados por tédio, conveniência ou desejo imediato. O comportamento é impulsionado por notificações personalizadas, frete grátis e descontos de tempo limitado, que criam uma sensação de urgência e recompensa instantânea.
O resultado é um ciclo de consumo rápido e emocional, no qual a satisfação imediata prevalece sobre o planejamento financeiro. Muitos consumidores relatam gastar mais do que o previsto, especialmente em momentos de estresse ou comemoração.
Quando o desejo fala mais alto que o planejamento
A facilidade de comprar com um clique e pagar depois — geralmente por cartão de crédito ou carteiras digitais, reforça o comportamento impulsivo. O estudo mostra que 40% dos entrevistados já gastaram mais do que podiam em compras desse tipo, e 35% chegaram a contrair dívidas ou atrasar pagamentos.
Entre os principais estímulos para o consumo não planejado, promoções (54%) e frete grátis (45%) lideram o ranking, seguidos por lançamentos de novos produtos (25%) e descontos com tempo limitado (22%). Esses gatilhos transformaram o comércio eletrônico em um ambiente de compra contínua, no qual a tentação está sempre a poucos cliques de distância.
Apesar da força das compras por impulso, o estudo indica um movimento de maior consciência: 72% dos consumidores já tentaram reduzir esse comportamento, e 57% afirmam ter conseguido. Isso sugere que a educação financeira e a reflexão sobre os próprios gatilhos emocionais podem ser ferramentas eficazes para equilibrar desejo e planejamento.
A moda, a beleza e o delivery continuarão no centro do consumo digital, mas a tendência é que o comportamento do consumidor evolua. As marcas que entenderem esse novo equilíbrio, entre prazer e responsabilidade, tendem a construir relações mais duradouras e de confiança com seus clientes.

