27 ago, 2026
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Crédito de terceiros vira último recurso antes da exclusão do consumo

Uso do nome de familiares e amigos avança entre consumidores pressionados por restrições financeiras e dificuldade de acesso ao crédito formal

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Alta adimplência no crédito informal desafia lógica do mercado financeiro

Quando o crédito acaba, o consumo não desaparece imediatamente. Em muitos casos, ele apenas muda de caminho. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que o uso do nome de terceiros tem se tornado uma alternativa para consumidores que perderam acesso ao crédito formal, mas ainda precisam manter despesas do dia a dia.

O dado mais simbólico aparece justamente nos destinos desse crédito. Entre os consumidores que utilizaram o nome de outra pessoa, 21% afirmam ter usado o recurso para fazer compras de supermercado e 17% para adquirir remédios.

Mais do que um comportamento ligado ao consumo pontual, os números sugerem que o crédito de terceiros já funciona como uma barreira de proteção contra a privação de itens básicos.

Consumo essencial passa a depender da rede de apoio

O fenômeno mostra que o uso do nome de terceiros vai além de compras de maior valor ou de bens considerados supérfluos.

Na prática, parte dos consumidores tem recorrido ao crédito informal para manter despesas ligadas à alimentação, saúde e abastecimento da casa. Isso indica que, para muitas famílias, o orçamento já não consegue absorver gastos básicos sem algum tipo de parcelamento ou ajuda externa.

Quando supermercado e remédio entram na lista de compras feitas com crédito emprestado, o debate deixa de ser apenas sobre inadimplência ou acesso ao sistema financeiro. Passa a envolver também a capacidade de consumo mínimo de parte da população.

Restrição de crédito amplia risco de exclusão

O avanço desse comportamento ocorre em paralelo ao aumento das dificuldades de acesso ao crédito formal.

Segundo a pesquisa, 62% dos consumidores que utilizaram o nome de terceiros afirmam ter algum tipo de restrição no próprio CPF, seja por negativação, limite comprometido ou falta de aprovação em análise de crédito.

Isso significa que parte relevante da população já não consegue acessar o consumo pelas vias tradicionais e depende cada vez mais de familiares e pessoas próximas para manter o padrão mínimo de compras.

O que isso sinaliza para o varejo

Para o varejo, o crescimento desse tipo de comportamento mostra que o consumo continua existindo, mas está apoiado em bases mais frágeis.

Ao mesmo tempo em que o crédito informal ajuda a sustentar vendas, ele também revela um consumidor mais vulnerável financeiramente, com menor margem para imprevistos e maior dependência de terceiros para manter a rotina.

Mais do que uma adaptação do consumo, o uso do nome de terceiros para despesas essenciais pode ser visto como um dos últimos estágios antes da exclusão completa do mercado.

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