21 abr, 2026
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A aposta no varejo físico como parte da estratégia de entrada da JOVI no Brasil

Mais do que vender, a primeira operação física funciona como um laboratório de aprendizado

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A aposta no varejo físico como parte da estratégia de entrada da JOVI no Brasil

O varejo físico voltou ao centro das estratégias de marcas globais de tecnologia que buscam crescer no Brasil. Em um mercado marcado por alta concorrência, ciclos longos de uso e consumidores cada vez mais atentos ao pós-venda, a presença local deixou de ser apenas um diferencial e passou a fazer parte da equação de confiança.

É nesse contexto que a JOVI Brasil estruturou sua entrada no país. Diferentemente de estratégias baseadas exclusivamente em importação e canais digitais, a companhia optou por combinar produção local, presença física no varejo e uma proposta de relacionamento de longo prazo com o consumidor brasileiro.

Segundo Wang Haining, vice-presidente sênior da JOVI Brasil, a decisão reflete a forma como a empresa enxerga o potencial do mercado nacional. “O Brasil é tratado pela JOVI como um mercado estratégico e de longo prazo. Para competir de forma relevante no maior mercado de smartphones da América Latina, é essencial estar próximo do consumidor, entender suas necessidades reais e responder com agilidade”, afirma.

Um consumidor exigente e altamente dependente do smartphone

Antes da chegada oficial ao Brasil, análises conduzidas pela companhia indicaram o papel central do smartphone na rotina dos brasileiros. Em um mercado onde o aparelho é usado como ferramenta de trabalho, meio de pagamento e principal canal de acesso a serviços digitais, atributos como durabilidade e autonomia ganharam peso na decisão de compra.

“Identificamos uma forte demanda por autonomia de bateria, durabilidade e bom desempenho ao longo do tempo”, explica Haining. Segundo ele, muitos consumidores permanecem mais de dois anos com o mesmo aparelho e dependem do dispositivo para atividades profissionais e pessoais. “Isso reforçou nossa estratégia de tropicalizar o portfólio”, afirma.

Além da bateria, resistência certificada e estrutura de pós-venda também entraram no radar como fatores decisivos para a escolha do consumidor brasileiro.

Tecnologia, preço e pós-venda como eixo de diferenciação

Em um cenário dominado por grandes marcas globais e asiáticas, a estratégia da JOVI se apoia no equilíbrio entre tecnologia aplicada ao uso cotidiano, posicionamento de preço e serviços. “Nosso portfólio foi desenhado para atender necessidades reais, com recursos que fazem diferença no dia a dia”, afirma o executivo.

O pós-venda aparece como um dos principais pontos de atenção. A empresa investiu em pacotes de benefícios que incluem garantias estendidas, proteção de tela e revisões periódicas. “Sabemos que o pós-venda é um fator decisivo na escolha do consumidor brasileiro”, diz Haining, destacando que o serviço tende a pesar tanto quanto o produto em mercados mais maduros.

Mercado chinês ganha reconhecimento do consumidor brasileiro

A consolidação de marcas chinesas no mercado brasileiro de tecnologia traz desafios adicionais, mas também abre oportunidades. Para a JOVI, o cenário favorece propostas que entreguem valor além da ficha técnica. “O consumidor brasileiro reconhece a qualidade dos smartphones chineses”, avalia Haining.

Uma pesquisa realizada em parceria entre a JOVI e a Ipsos reforça essa leitura. O levantamento aponta que 42% dos brasileiros já identificam a China como principal referência em baterias de alta performance, enquanto 74% reconhecem a evolução da qualidade dos produtos chineses nos últimos cinco anos.

“Isso é resultado de investimentos consistentes em engenharia e eficiência, que o mercado brasileiro, um dos mais exigentes e ativos do mundo, soube absorver rapidamente”, destaca o executivo.

Loja física como ponto estratégico de relacionamento

A inauguração da primeira loja física da marca em São Paulo se insere nesse movimento de aproximação com o consumidor. No entendimento da companhia, o espaço não substitui os canais digitais nem os parceiros varejistas, mas complementa a estratégia de distribuição.

“A loja física permite que o consumidor teste os produtos, entenda os diferenciais tecnológicos e tenha acesso direto ao suporte pós-venda”, explica Haining. Paralelamente, a empresa mantém investimentos em e-commerce, operadoras e grandes redes varejistas, seguindo uma lógica omnichannel.

Lições para varejistas e empreendedores brasileiros

Para empresários que acompanham a chegada de uma nova marca global ao Brasil, Haining resume o principal aprendizado: “Quanto mais local, mais global. A adaptação local não é opcional, é essencial”.

Segundo ele, construir confiança exige escuta ativa, consistência e presença. “No caso da JOVI, isso se traduz em produção nacional, produtos tropicalizados, investimento em pós-venda, parcerias locais e ações de impacto social. Marcas que constroem relações genuínas, e não apenas vendas, tendem a ser mais sustentáveis no longo prazo”, conclui.

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