17 jul, 2024
0 ° C

Dia do Trabalho: migração do varejo físico para o online gera desemprego ou cria mais vagas?

A migração do varejo físico para o online não gera necessariamente exclusão, e sim redistribuição de postos de trabalho e novas funções.

Shutterstock
Dia do Trabalho migração do varejo físico para o online gera desemprego ou cria mais vagas

Por Rodrigo Garcia,
diretor-executivo da Petina Soluções Digitais

Nos últimos anos, o varejo online tem experimentado um crescimento exponencial impulsionado pela digitalização. Essa transformação não se limita apenas às transações comerciais, mas permeia todas as áreas do setor, desde o atendimento ao cliente até a implementação de tecnologias inovadoras. E como no mês de maio se comemora o Dia do Trabalho, é importante ressaltar que esse avanço tecnológico levanta questões importantes sobre a empregabilidade no setor.

Embora a migração do varejo físico para o online possa parecer uma ameaça à empregabilidade, o processo também abre um grande número de novas oportunidades para profissionais do setor. Ao adotar uma abordagem proativa e estratégica, as empresas podem minimizar os impactos negativos da digitalização e maximizar as oportunidades de crescimento e inovação.

De acordo com um estudo feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), entre 2019 e 2023, das dez profissões que mais aumentaram o estoque de postos de trabalho no comércio varejista, a maioria está ligada ao e-commerce. Os grandes destaques no período foram as admissões para auxiliar de logística, expedidor de mercadorias e estoquista.

O varejo online tem sido uma das indústrias mais dinâmicas e em crescimento, especialmente impulsionada pela mudança nos hábitos de consumo dos clientes. Com a conveniência de comprar produtos e serviços de qualquer lugar a qualquer momento, os consumidores estão cada vez mais optando pelo comércio eletrônico em detrimento das lojas físicas, tendência que cresceu principalmente após a pandemia da Covid-19.

Essa mudança de paradigma tem incentivado as empresas a investirem pesadamente na digitalização de suas operações. Desde a criação de plataformas de e-commerce até o uso de análise de dados para personalizar a experiência do cliente, a digitalização tornou-se uma prioridade para os varejistas que desejam permanecer competitivos no mercado.

Impacto na Empregabilidade

À medida que as empresas buscam automatizar e otimizar processos por meio da digitalização, surgem preocupações legítimas sobre o impacto na empregabilidade. A automação de tarefas anteriormente realizadas por seres humanos levanta questões sobre o futuro dos empregos no varejo.

Algumas estratégias que as empresas podem adotar para lidar com essa questão são:

  1. Requalificação da força de trabalho: as empresas podem investir na requalificação de seus funcionários para que possam desempenhar funções que agreguem mais valor em um ambiente digital. Isso pode envolver treinamento em habilidades técnicas, como análise de dados e gerenciamento de sistemas de e-commerce.
  2. Foco na experiência do cliente: embora a automação possa lidar com muitas tarefas operacionais, a experiência do cliente continua sendo crucial para o sucesso no varejo. As empresas podem direcionar seus esforços para aprimorar o atendimento ao cliente, oferecendo suporte personalizado e interações humanas em momentos-chave.
  3. Inovação e criação de novas funções: a digitalização também cria novas oportunidades de emprego em áreas como desenvolvimento de software, análise de dados, marketing digital e gerenciamento de mídia social. As empresas podem se concentrar em criar e preencher essas novas funções à medida que avançam em sua jornada de transformação digital.
  4. Parcerias e colaborações: em vez de ver a digitalização como uma ameaça, as empresas podem explorar oportunidades de parcerias e colaborações com startups e empresas de tecnologia. Essas parcerias podem fornecer acesso a expertise técnica e recursos adicionais para impulsionar a inovação no varejo online.

A digitalização do varejo tem impactos variados no emprego. Por um lado, a automação e a eficiência do comércio eletrônico podem reduzir a demanda por trabalhadores em certas áreas, como caixas de loja e estoquistas. No entanto, a expansão do comércio eletrônico também cria novas oportunidades de emprego em áreas como desenvolvimento de sites, marketing digital, logística e atendimento ao cliente online. Ou seja, a migração do varejo físico para o online não gera necessariamente exclusão, e sim redistribuição de postos de trabalho e novas funções.

*Rodrigo Garcia é especialista em gestão de marketplaces, graduado em ADM, com MBA em Gestão de Projetos, e atua no mercado digital desde 2008. Pioneiro em vendas via marketplaces, é diretor-executivo da Petina Soluções Digitais, atendendo os principais marketplaces do mercado.