Movimento Varejo

Além do horizonte

O economista Ricardo Amorim, o especialista Marcos Gouvêa e o presidente da CNDL, José César da Costa, lançam um olhar para o varejo pós-pandemia.

O atual cenário econômico e as perspectivas para o setor de comércio e serviços foram o tema da live realizada pela CNDL na tarde de hoje, 14 de maio. O encontro contou com as participações do economista Ricardo Amorim e do diretor geral do Grupo GS&, Marcos Gouvêa.

O presidente da CNDL, José César da Costa, abriu o debate destacando o momento crítico enfrentado pelo setor de comércio e serviços, e a importância de os empresários buscarem soluções conjuntas para o seu enfrentamento.

“Nunca foi tão importante a união do setor, do associativismo e de soluções conjuntas. Quem tentar nadar sozinho, infelizmente, não conseguirá enfrentar os desafios que vêm pela frente”, disse. Para José César, a representatividade institucional exercida pela CNDL junto ao governo federal nunca foi tão necessária e eficiente, não apenas para as empresas associadas, mas também para o ambiente de negócios como um todo. “Os líderes do Sistema CNDL se tornaram peças fundamentais no jogo de defesa de interesses coletivos e setoriais”, disse Costa.

O economista Ricardo Amorim lembrou a importância do varejo para a economia mundial e destacou as mudanças pelas quais o setor passará.

“O varejo move o país e é fundamental para a economia mundial. O momento que vivemos é dramático. Hoje, temos mais de 3,5 milhões de pessoas em todo o mundo com alguma restrição de atividade. É uma crise que trará mudanças permanentes e o processo de normalização será aos poucos”, afirmou Amorim, que destacou um novo comportamento do consumidor daqui para frente.

“O caminho será a conveniência, o omnichannel. O consumidor vai buscar comodidade e facilidade. O varejista que estiver atento a isso vai crescer”, completou o economista.

Para Marcos Gouvea, o consumo passará por mudanças estruturais que exigirão dos empresários resiliência, adaptabilidade e comprometimento. “Diante da magnitude do que estamos vivendo, é normal o empresário se sentir perdido. Estamos passando por uma transformação estrutural do setor e do consumo. Nesse processo, as marcas precisarão se aproximar mais dos consumidores e incorporar mais serviços na sua oferta”, disse.

O especialista falou das transformações pelas quais o consumidor está passando e o que os empresários devem fazer diante do cenário. “O consumidor estará focado na hiperconveniência. Nós estamos nos transformados cada vez mais em seres digitais e valorizando as decisões racionais. O valor cresce de importância e o supérfluo vai ser mais analisado antes de ser consumido”, destacou. “O empresário terá que se adaptar a essa nova realidade para atender as pessoas. O custo operacional disso é elevado. Ao mesmo tempo precisamos entender que o setor de consumo no Brasil tem um enorme potencial a frente”, completou.

O papel do Estado no processo de reestruturação do setor também foi lembrado por Amorim. Para ele, o gasto do governo e o endividamento do setor público são necessários nesse momento. “O endividamento do Estado é o único caminho a ser seguido agora. Estamos vivendo a maior contração da economia da história do país. O endividamento do Brasil deve chegar a 100% do PIB e isso é muito sério”, alertou, lembrando que o varejo é um dos setores mais atingidos nessa crise, mas que o importante é olhar para o futuro. “O setor está desestruturado e precisa de ajuda.  Não podemos perder de vista que isso vai passar, mas vai demandar um tempo para que seja novamente equilibrado”, afirmou.

Gouvea completou alertando para a importância de o Estado retomar questões como a reforma administrativa e a racionalização dos recursos públicos. “A Reforma Administrativa torna-se imprescindível nesse momento. A utilização correta dos recursos públicos é fundamental. Com essa reorganização surge o espaço para crescimento do consumo, que pode ser o grande estimulador da economia do país. O varejo é o segmento que pode liderar esse processo”. 

Os convidados destacaram ainda a importância do associativismo para a reestruturação do setor. “Nos momentos mais difíceis temos a chance de nos unir. A troca de conhecimentos e de práticas vai ajudar a sobrevivência do varejo. O associativismo contribui para a disseminação de informação, além de ter mais força nas negociações com o poder público”, disse Amorim, lembrando sobre a visibilidade e protagonismo que o setor está ganhando durante a crise. “Isso aparece no comportamento da população, com a valorização do negócio local. A solidariedade será cada vez mais valorizada”, disse Amorim.

Para Gouvea, é fundamental um trabalho unificado como o desempenhado pela CNDL. “Em momentos como esse temos que nos aproximar para buscar soluções comuns e encontrar novos caminhos. O associativismo é a voz unificada do setor capaz de alcançar soluções efetivas”.

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