07 jan, 2026
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Cinco passos para empresas se adequar à LGPD sem grandes investimentos

Especialista explica como micro e pequenas empresas podem alcançar conformidade com a lei de proteção de dados usando medidas práticas e acessíveis

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Cinco passos para empresas se adequar à LGPD sem grandes investimentos

O debate sobre privacidade e governança digital ganha relevância entre os negócios de menor porte, que já representam 99% das empresas brasileiras, segundo o Sebrae. Embora muitos empreendedores ainda associem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) a um tema complexo e caro, especialistas alertam que a conformidade pode começar com ações simples e de baixo custo.

De acordo com Edgard Dolata, advogado e especialista em LGPD, professor convidado em programas de educação executiva e sócio da Legal Comply e Dopp Dolata Advogados, a proteção de dados é hoje um requisito de sobrevivência também para os pequenos negócios. “Há uma falsa ideia de que segurança digital é assunto para grandes corporações. Mas as micro e pequenas empresas estão entre as mais vulneráveis a ataques e sanções da ANPD”, afirma.

Dados da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) indicam que o número de denúncias contra empresas de pequeno porte cresceu 37% no primeiro semestre de 2025, impulsionado por falhas em campanhas digitais e ausência de políticas básicas de privacidade.

Para Dolata, o caminho para evitar multas e preservar a reputação começa pela estruturação mínima de governança. “A conformidade não exige grandes investimentos, mas sim clareza sobre quem acessa as informações, como são armazenadas e qual o destino dos dados após o uso”, explica.

Entre as medidas mais eficazes e econômicas, o advogado recomenda cinco passos iniciais:

  • Nomear um responsável interno pela privacidade e segurança da informação, mesmo que acumule outras funções.
  • Criar uma política simples de uso de dados, que oriente colaboradores e parceiros.
  • Revisar permissões de acesso e implementar autenticação em dois fatores em sistemas críticos.
  • Realizar backups automáticos e testados, garantindo continuidade do negócio em caso de incidentes.
  • Treinar a equipe para reconhecer golpes digitais, como phishing e falsos e-mails de fornecedores.

Segundo Edgard Dolata, o maior erro das pequenas empresas é postergar ações por acreditar que a fiscalização não chegará até elas. “Com a transformação digital acelerada e o aumento de denúncias online, a ANPD já monitora setores antes invisíveis, como e-commerces regionais, escolas e escritórios de serviços”, destaca.

A orientação do especialista é clara: investir em segurança da informação é investir na longevidade da empresa. “A proteção de dados não é luxo, é requisito de sobrevivência também para pequenos negócios. Cada senha trocada, cada política escrita e cada colaborador treinado representam um passo concreto para proteger a marca e o cliente”, conclui.

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