Opinião

Como a guerra da Ucrânia impacta o e-commerce brasileiro?

Por Josele Delazeri*

Essencial reforçar que as pessoas sempre virão antes dos negócios. O conflito entre a Rússia e a Ucrânia é, antes de tudo, uma catástrofe humanitária. Como tal, entendemos e estamos profundamente chocados com o que está acontecendo.

Além da questão humanitária, outro dos muitos aspectos importantes dessa complexa questão precisa ser abordado: o econômico. O conflito é um grande golpe para a economia global que prejudicará o crescimento e aumentará os preços.

Além disso, vemos como grandes marcas globais deram o passo em parar temporariamente de vender em território russo. Os artigos esportivos da Nike, os aparelhos eletrônicos da Apple, as empresas têxteis como a H&M… nunca saberemos exatamente qual componente político há na decisão e quantos problemas logísticos ou econômicos vão se suceder.

A tecnologia digital desempenha um papel importante, se não decisivo, no conflito Ucrânia-Rússia. Os ataques cibernéticos crescem à medida que o conflito aumenta. Decisões de big techs e plataformas de mídia social sobre os serviços que eles fornecem ou bloqueiam influenciam diretamente a situação no terreno. Tecnologias emergentes, como criptomoedas, encontram novas aplicações. As sanções afetarão o desenvolvimento da tecnologia e do comércio eletrônico.

Os preços dos alimentos e da energia são o principal canal de repercussões, que serão substanciais em alguns casos. Os altos preços das commodities devem acelerar significativamente a inflação. Os bancos centrais podem ter que defender ainda mais a credibilidade no combate à inflação.

Os efeitos de crescimento de commodities caras variam. Os preços mais altos do petróleo prejudicam os importadores, enquanto os exportadores de petróleo, cobre, minério de ferro, milho, trigo e metais podem cobrar mais por seus produtos.

Portanto, a guerra na Ucrânia já começou a impactar a economia global e certamente afetará as empresas de e-commerce no Brasil. Quando mencionamos os desdobramentos para o setor de varejo, em especial o e-commerce, um aspecto a considerar é a interrupção da cadeia de suprimentos. A guerra russo-ucraniana e suas inúmeras sanções econômicas podem pressionar esse segmento, que não se recuperou totalmente da covid-19.

Isso já é sentido no comércio internacional e nas entregas de e-commerce, o que certamente refletirá no Brasil. Ao mesmo tempo, o aumento dos custos e dos preços deve fazer efeito no futuro, juntamente com problemas na cadeia de suprimentos. Além disso, empresas de segurança cibernética alertam que os negócios podem estar em maior risco de ataques cibernéticos após a invasão.

Há algumas alternativas para minimizar as consequências que virão por causa da guerra; trabalhar com produção local e fornecedores brasileiros é uma delas.

Esse cenário pode complicar a situação de varejistas listados na bolsa, respondendo negativamente à alta da inflação e perspectiva de alta de juros, o que diminui o poder de compra da população.

Outro fator de impacto é o aumento do preço do combustível. Os negócios que têm grande volume de venda pela internet precisam estar preparados para enfrentar os reflexos no aumento no custo de frete, principalmente aqueles cujo modelo é 100% digital.

Nas plataformas de e-commerce e marketplaces, o valor da entrega é, em geral, pago à parte pelo comprador. Uma possibilidade com o aumento do custo do frete pode ser a redução na demanda por produtos online.

Após anos de vida em uma economia em crescimento e globalmente conectada, os russos se encontram em um país cada vez mais desconectado do mundo.

Os preços estão subindo, e as pessoas estão estocando. Nas redes sociais, os compradores russos estão notando aumentos antecipados de preços de alguns produtos, principalmente eletrônicos e eletrodomésticos. Após sanções anteriores, o país aumentou a produção doméstica, principalmente de alimentos, mas as pessoas ainda dependem de tecnologia, medicamentos e outras importações.

*Josele Delazeri é CCEO da Get Commerce, líder do Grupo Mulheres do Brasil, Núcleo Santa Maria e diretora na ABComm, associação que fomenta o e-commerce com conhecimentos relevantes e auxilia na criação de políticas públicas para o setor.

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