Convocação da Seleção Brasileira acirra disputa entre produtos oficiais e réplicas na Copa do Mundo
47% dos consumidores pretendem comprar itens oficiais da Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo 2026
Envato
Com a convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2026, a disputa pelo bolso do torcedor também entra em campo. A definição dos jogadores tende a aumentar a procura por camisas, uniformes, bandeiras, bonés, acessórios e produtos temáticos, mas coloca em evidência uma escolha importante para o consumidor: comprar itens oficiais, licenciados, réplicas ou produtos falsificados. Para o varejo, preço, disponibilidade e percepção de qualidade serão fatores decisivos nessa competição.
A força desse movimento aparece na pesquisa “Intenção de compras para Copa do Mundo 2026”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. O levantamento aponta que 60% dos consumidores pretendem comprar produtos ou contratar serviços durante o período da Copa do Mundo, o equivalente a 99,2 milhões de brasileiros indo às compras por causa da competição.
Entre as categorias mais desejadas, vestuário aparece nos planos de 61% dos consumidores, considerando roupas, camisetas e uniformes específicos da Seleção Brasileira ou da Copa do Mundo. O dado mostra que o impacto do torneio vai além do consumo de alimentos e bebidas nos dias de jogo. A Copa também movimenta o varejo esportivo, lojas de departamento, comércios de rua, marketplaces e pequenos empreendedores que trabalham com itens temáticos.
Produtos oficiais têm vantagem, mas preço pesa
A pesquisa mostra que 47% dos consumidores pretendem comprar produtos oficiais da Seleção Brasileira. O principal motivo é a percepção de qualidade e durabilidade, citada por 57% dos entrevistados que desejam adquirir itens licenciados. Outros 16% afirmam que preferem produtos oficiais por serem contra a pirataria.
Esse dado é relevante para marcas licenciadas e varejistas que trabalham com produtos originais. O consumidor reconhece valor no item oficial, especialmente quando associa a compra a maior vida útil, melhor acabamento e vínculo direto com a Seleção Brasileira.
Ao mesmo tempo, o preço continua sendo um obstáculo. Entre os consumidores que consideram comprar produtos falsificados ou não oficiais, 35% apontam o alto custo dos produtos originais como principal entrave. Outros 17% acreditam que a qualidade é equivalente, enquanto 19% dizem não se importar com a procedência ou originalidade do produto no momento da compra.
Embora apenas 6% assumam a intenção de comprar produtos falsificados, os números indicam que a disputa entre oficial, réplica e pirataria passa menos pela falta de interesse e mais pela percepção de custo-benefício.
Convocação aumenta o valor simbólico dos produtos
A lista de convocados dá um rosto à Copa do Mundo. A partir dela, o consumidor passa a associar o torneio a jogadores, números de camisa, expectativas e possíveis protagonistas. Isso pode aumentar a procura por camisas personalizadas, itens nas cores do Brasil e produtos ligados à experiência de torcer.
Para o varejo, esse é o momento de ajustar estoque, comunicação e preço. Produtos oficiais podem ganhar destaque com argumentos de qualidade, durabilidade e segurança. Já itens mais acessíveis, desde que dentro da legalidade, podem atender consumidores que querem participar do clima da Copa sem comprometer tanto o orçamento.
O ticket médio estimado para gastos extras durante a Copa do Mundo 2026 é de R$ 619, chegando a R$ 784 entre consumidores das classes A e B. Como esse valor será dividido entre diferentes categorias, como bebidas, petiscos, churrasco, delivery, bares, restaurantes e vestuário, o varejista terá de disputar a atenção do consumidor com ofertas claras e boa disponibilidade.
Patrocinadores também entram na disputa
Outro dado reforça o peso comercial da Seleção Brasileira. Entre os consumidores que pretendem realizar compras para a Copa, 74% afirmam que darão preferência a marcas patrocinadoras da Seleção. Para 53%, essa preferência depende de preços acessíveis. Já 21% dizem que pretendem priorizar patrocinadores independentemente do valor.
Isso evidencia que a associação com o futebol pode gerar retorno para as marcas, mas não elimina a sensibilidade ao preço. O consumidor pode valorizar patrocinadores e produtos oficiais, desde que encontre uma combinação aceitável entre identificação, qualidade e custo. Com a convocação da Seleção Brasileira, a Copa do Mundo deixa de ser apenas uma competição distante e passa a influenciar decisões práticas de compra. Para o varejo, a oportunidade está em transformar o desejo de torcer em venda, sem ignorar que o bolso do consumidor continuará sendo decisivo.

