Copa do Mundo vai levar 99,2 milhões de consumidores às compras, apontam CNDL/SPC Brasil
47% pretendem adquirir produtos licenciados. 41% dos consumidores vão realizar apostas em plataformas de “bets”
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A Copa do Mundo é muito mais do que um torneio de futebol para os brasileiros; é um fenômeno cultural que altera a rotina das cidades e o comportamento de consumo. Com a aproximação do mundial de 2026, uma nova pesquisa revela a força dessa tradição: estima-se que cerca de 99,2 milhões de consumidores pretendem ir às compras para participar desse evento. O levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 60% dos consumidores pretendem fazer compras de produtos ou serviços para a Copa de 2026.
O estudo reforça que o brasileiro mantém o hábito de transformar os jogos em experiências coletivas, uma vez que 97% irão assistir os jogos de maneira coletiva, principalmente com familiares (77%) e amigos (60%). Apenas 3% dos entrevistados pretendem assistir às partidas sozinhos. Oito em cada dez entrevistados (86%) pretendem assistir em casa, 46% na rua – nesse grupo, os locais mais pretendidos são casa de amigos ou familiares (40%), bares e/ou restaurantes (32%) e telões nas ruas (11%).
Os itens mais procurados para consumo serão bebidas não alcoólicas (68%), petiscos (62%), carnes para churrasco (60%) e cervejas (59%).
O uniforme do torcedor é prioridade para 61% dos consumidores, que planejam comprar camisas oficiais ou temáticas, além de adereços como bandeiras e cornetas (42%).
Para o varejo, a Copa do Mundo funciona como um “segundo Natal” fora de época. A movimentação é intensa tanto no ambiente físico quanto no digital. O varejo físico continua sendo o destino soberano para itens de consumo imediato, com 89% de preferência, especialmente em supermercados (70%) e lojas de bairro (33%).
Já 67% farão as compras pela internet, sendo que 51% farão suas compras em aplicativos de entrega e 42% em lojas online.
O setor de serviços também colhe frutos, com destaque para o delivery de comida e bebida (61%) e o movimento em bares e restaurantes (39%). Os principais critérios dos torcedores para escolha de bar ou restaurante para assistir aos jogos estão o preço das comidas (37%), lugar bem frequentado (34%), a qualidade das bebidas e da comida (34%) e o preço das bebidas (33%).
O gasto médio por consumidor está estimado em R$ 619,00, valor que sobe para R$ 784,00 entre as classes A e B.
74% dos torcedores afirmam dar preferência às marcas que apoiam a Seleção Brasileira. O evento é uma vitrine estratégica para os patrocinadores. Cerca de 53% dos torcedores afirmam dar preferência às marcas que apoiam a Seleção Brasileira, desde que os preços sejam acessíveis. Enquanto 21% declaram fidelidade aos patrocinadores independentemente do preço.
No que diz respeito à procedência dos produtos, o mercado oficial ganha terreno pela percepção de valor: 47% pretendem adquirir produtos licenciados, motivados pela qualidade e durabilidade superior (57%) em relação aos itens falsificados.
Apenas 6% assumem a compra de falsificados. O principal entrave para o produto original é o alto custo (35%). Além disso, 17% acreditam que a qualidade é equivalente. Adicionalmente, 19% revelam indiferença em relação à procedência ou originalidade do produto no ato da compra.
“A Copa do Mundo de 2026 reafirma sua posição como um dos principais catalisadores do varejo brasileiro. O evento desperta um comportamento de consumo profundamente enraizado na tradição cultural do país, onde o ato de torcer é, essencialmente, uma experiência coletiva e de celebração. Para o comércio e serviços, isso representa uma oportunidade de ouro: a necessidade de o brasileiro se reunir em casa ou em estabelecimentos comerciais gera uma demanda em cadeia, consolidando o período como um pilar estratégico para o faturamento anual do setor.”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Para garantir a festa sem enfrentar filas, 44% dos consumidores planejam antecipar suas compras em mais de uma semana. Na hora de pagar, a modernidade dita o ritmo: o PIX consolidou-se como a principal forma de pagamento (57%), refletindo a digitalização financeira do país, em um cenário onde 90% dos torcedores pretendem realizar suas compras à vista.
As apostas e o cenário de risco para as finanças pessoais
O engajamento com apostas financeiras será uma marca forte da Copa de 2026, com 41% dos consumidores pretendendo realizar apostas em plataformas de “bets”. Esse comportamento é mais prevalente entre o público masculino e as classes A/B. Além das plataformas digitais, os tradicionais “bolões” entre amigos mantêm sua relevância social, atraindo 14% dos entrevistados.
No entanto, o estudo acende um alerta sobre a saúde financeira do torcedor brasileiro, uma vez que 61% dos consumidores que planejam gastar durante a Copa já possuem dívidas em atraso.
Dentre esse grupo endividado, 70% estão com o “nome sujo” (negativados). Para muitos, o jogo deixou de ser apenas entretenimento. 74% dos que vão fazer apostas enxergam nas bets, uma forma de quitar dívidas pendentes.
Desse total, 31% concordam totalmente com a prática, vendo-a como uma oportunidade real de liquidação financeira, enquanto 43% concordam parcialmente, tratando-a como uma tentativa de “tentar a sorte” com esse objetivo.
Essa mentalidade se reflete na destinação de possíveis ganhos. Caso vençam, a prioridade de 39% dos apostadores é reinvestir o dinheiro no próprio jogo para tentar alavancar os ganhos. Outras intenções incluem gastos com lazer e luxo (36%), aquisição de bens como eletrônicos e vestuário (34%) e a quitação de débitos (34%).
“O fenômeno das apostas esportivas para este mundial introduz uma camada de complexidade e risco financeiro que exige atenção redobrada. Observamos uma tendência preocupante onde a aposta deixa de ser um mero entretenimento para ser encarada por uma parcela significativa da população como uma estratégia de sobrevivência ou ‘tábua de salvação’ para quitar dívidas pendentes. Esse comportamento, associado ao alto índice de negativados entre os potenciais consumidores, aponta para uma vulnerabilidade econômica latente, onde a esperança de liquidação financeira através da sorte pode acabar aprofundando o ciclo de endividamento de muitas famílias brasileiras.”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.
Metodologia
- Público-alvo: Consumidores das 27 capitais brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econômicas (excluindo analfabetos) e que pretendem gastar com produtos e/ou serviços para a Copa do Mundo de 2026.
- Método de coleta: Pesquisa realizada via web e pós-ponderada por sexo, idade, renda e escolaridade.
- Amostra: 916 casos em um primeiro levantamento para identificar o percentual de pessoas com intenção de gastos para a Copa do Mundo de 2026. Em seguida, continuaram a responder o questionário 600 casos, somente com os que tinham a intenção de gastos para esta data. Resultando, respectivamente, uma margem de erro no geral de 3,2 p. p. e 4,0 p. p. para um intervalo de confiança a 95%
- Data de coleta dos dados: 27 de Abril a 05 de Maio de 2026.

