Descontos e promoções: como ir às compras de forma consciente
Confira as recomendações de especialistas para aproveitar descontos sem comprometer o orçamento
Envato
O brasileiro gosta mesmo de uma compra online. Segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 62% dos consumidores admitem realizar compras não programadas pela internet, comportamento que leva 40% deles a gastarem mais do que podem e 35% a contraírem dívidas.
Os números acendem o alerta sobre ofertas, descontos e a facilidade de compra, que podem estimular decisões pouco planejadas. Mas é difícil passar incólume por uma promoção. Para aproveitar esse tipo de oportunidade sem pressionar as finanças pessoais, CNDL, SPC Brasil, Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin) e Serasa orientam sobre como reduzir riscos e manter o consumo dentro de limites sustentáveis.
Planeje as compras e estabeleça um limite de gastos
O planejamento é fundamental para evitar compras por impulso. Antes de navegar pelas ofertas, o SPC orienta que o consumidor elabore uma lista com os itens que realmente necessita, reduzindo a chance de aquisições motivadas apenas pelo desconto.
A instituição também sugere dividir as prioridades por categorias, como eletrônicos, vestuário e itens domésticos. Dessa forma, a comparação de preços se torna mais objetiva, e o comprador consegue hierarquizar o que deve ser adquirido primeiro.
Outro ponto importante é definir quanto pode ser gasto sem prejudicar o restante do orçamento. A Serasa recomenda não comprometer contas básicas e alerta que 7% já tiveram o nome negativado por essa razão, o que pode gerar problemas financeiros muito maiores no futuro.
Sendo assim, se existem valores reservados para contas como moradia e alimentação, ou ainda para outros objetivos, como a formação de reserva de emergência ou investimentos em renda fixa, o ideal é que eles não sejam redirecionados para aproveitar ofertas temporárias.
Priorize o cartão de crédito e redobre a atenção com o parcelamento
Quando o assunto é pagamento em ambiente digital, o cartão de crédito é apontado como a opção mais segura. A Serasa explica que, em situações de fraude ou cobrança indevida, é mais fácil recuperar o valor.
A recomendação é compartilhada pela Abefin, que destaca que a modalidade facilita o cancelamento de compras e o pedido de reembolso. Transferências e boletos, por outro lado, oferecem menor margem de reversão em caso de problema.
Para consumidores que estão com restrições no CPF e não têm acesso às linhas tradicionais de crédito, mas dispõem de recursos guardados e sem destinação imediata, existem alternativas no mercado, como cartão de crédito com limite garantido. Nesse modelo, o valor depositado pelo cliente pode ser usado em um investimento, como um CDB, e convertido em limite para compras.
Ao usar o cartão de crédito, é preciso ter cuidado com o parcelamento. A Abefin lembra que dividir pagamentos também significa assumir compromissos futuros. Se essa opção for necessária, é importante verificar se as prestações caberão no orçamento dos próximos meses e reduzir, ao máximo, o número de parcelas.
Tenha atenção aos possíveis gatilhos de consumo
Durante campanhas promocionais, é comum que as lojas utilizem estímulos para acelerar a decisão de compra, como ofertas por tempo limitado, frete gratuito ou lançamentos, que ajudam a criar senso de urgência e podem reduzir o tempo de reflexão do consumidor.
O levantamento da CNDL mostra que 54% das compras por impulso na internet são motivadas por promoções. O frete grátis aparece em seguida, citado por 45% dos entrevistados. Ofertas de novos produtos ou lançamentos influenciam 25%, enquanto descontos com prazo limitado atingem 22%.
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, esse movimento se tornou parte do comportamento digital. “É preocupante que, mesmo com a consciência da necessidade de um consumo equilibrado, tantos brasileiros estejam gastando mais do que podem e, pior, contraindo dívidas no cartão de crédito, o que pode rapidamente se tornar uma bola de neve”, afirma.
Diante desse cenário, conhecer o valor real do produto e analisar as condições anunciadas ajuda a evitar arrependimentos. A Abefin lembra que é expressamente proibida a publicidade enganosa ou abusiva por parte dos fornecedores e que, ao identificar situações como “tudo pela metade do dobro do preço”, o consumidor tem o direito de reclamar e questionar práticas que possam induzir ao erro.
Faça pesquisa prévia e compare os preços
Acompanhar o histórico de valores antes do início da campanha é uma das formas de verificar se o desconto oferecido compensa. A Abefin recomenda que o consumidor defina previamente quais itens pretende adquirir e registre os preços praticados, além de comparar com outras lojas e sites.
O SPC também reforça esse alerta: “muitas lojas aumentam os valores alguns dias antes para depois aplicar ‘descontos’ que não são tão reais assim. Utilizar comparadores de preços on-line pode ser uma ótima estratégia para saber se a oferta realmente compensa”.
Cuidado com a segurança digital
Além de atenção aos preços, o consumidor precisa redobrar os cuidados com a proteção de dados pessoais. A Abefin orienta evitar o preenchimento de cadastros em páginas desconhecidas e verificar se o site é confiável antes de informar telefone, CPF, endereço ou número do cartão.
A associação também recomenda cautela com links recebidos por mensagens ou redes sociais. Endereços oficiais costumam apresentar o cadeado de segurança e a identificação “https” na barra de navegação, sinais que ajudam a reduzir o risco de fraude. Pequenas alterações no nome do site ou extensões incomuns também podem indicar tentativas de golpe.
Outro procedimento indicado é pesquisar a reputação da loja em órgãos de defesa do consumidor e plataformas de reclamação. Além disso, manter antivírus e aplicativos de segurança atualizados em computadores e smartphones complementa a proteção.
Conheça os direitos garantidos ao consumidor
A informação sobre garantias legais também contribui para decisões mais seguras. A Serasa lembra que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece regras que protegem quem compra produtos ou contrata serviços.
Entre os pontos previstos na legislação está o direito de receber informações claras e precisas sobre o que está sendo adquirido e o direito de arrependimento, que permite que o consumidor desista de uma compra online em até sete dias após a entrega.
Há, ainda, prazos para solicitar reparo de itens com defeito, que variam conforme a natureza do produto, além da possibilidade de devolução quando a oferta não corresponder ao que foi prometido. Conhecer essas normas ajuda a reduzir conflitos e fortalece a relação entre clientes e empresas, mesmo em momentos de maior volume de vendas.

