27 abr, 2026
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Dia das Mulheres não é só sobre celebrar. É sobre encarar

8 de março reforça a urgência de promover equidade de gênero, ampliar a presença feminina na liderança e transformar compromissos em ações concretas no mercado de trabalho

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Dia das Mulheres não é só sobre celebrar. É sobre encarar

No Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, o Brasil ainda convive com um cenário alarmante de violência de gênero. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e monitoramentos oficiais divulgados em 2025 e 2026, em 2025, o país registrou mais de 1.470 feminicídios, o maior número da série histórica, uma média de quatro mulheres mortas por dia por razões relacionadas ao gênero. Em 2026, os primeiros dados já indicam a continuidade desse cenário, com novos casos registrados logo nos primeiros meses do ano, reforçando a urgência de ações estruturais.

Ao mesmo tempo, no ambiente corporativo, os avanços na presença feminina em posições de liderança seguem em ritmo desigual. Hoje, as mulheres ocupam cerca de 38% dos cargos de liderança no Brasil, mas representam aproximadamente 15% das posições executivas mais altas, como diretorias e conselhos. Quando analisado o recorte racial, a sub-representação de mulheres negras nesses espaços evidencia desafios ainda mais profundos. Os dados são de levantamentos de mercado como IBGE, FIA Business School e relatórios de diversidade corporativa no Brasil.

Esses dois movimentos não estão desconectados. Uma sociedade que ainda normaliza a violência também limita quem pode ocupar o poder.

“A desigualdade de gênero não começa no topo, ela é construída ao longo de toda a trajetória. Uma sociedade que ainda convive com níveis tão altos de violência contra mulheres também limita, de forma mais silenciosa, quem acessa espaços de poder”, afirma Renata Grunthal, sócia-diretora da Crescimentum*.

Diante desse cenário, o Dia das Mulheres também se consolida como um convite à ação dentro das organizações. Pequenas mudanças, que muitas vezes parecem simples, têm potencial de gerar grandes impactos quando sustentadas no dia a dia.

“Reconhecer o problema é só o começo, todos nós, homens e mulheres, estamos inseridos em uma cultura que precisa evoluir. Isso passa por revisar práticas, questionar padrões e assumir um papel ativo na construção de ambientes mais inclusivos”, complementa Renata.

Entre as ações recomendadas, possíveis de serem praticadas imediatamente, estão:

  • Revisar critérios de promoção e avaliação para reduzir vieses inconscientes
  • Acompanhar indicadores de diversidade com a mesma prioridade dos resultados de negócio
  • Questionar padrões considerados “naturais” que, na prática, favorecem sempre os mesmos perfis
  • Praticar escuta ativa e evitar interrupções, e, quando acontecer, retomar a fala de quem foi interrompida
  • Criar ambientes onde erros possam ser expostos sem medo, especialmente para quem historicamente teve menos espaço
  • Investir em letramento sobre vieses e desigualdades estruturais no cotidiano corporativo
  • Não é sobre escolher entre reconhecer a violência ou celebrar avanços.

É sobre entender que aumentar a representatividade também é uma forma de transformar essa realidade.

Mais do que uma data simbólica, o 8 de março se apresenta como um marco para reflexão e transformação, dentro e fora das organizações.

Não basta reconhecer. É preciso mudar.

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