09 fev, 2026
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NRF 2026: o varejo entra na era das decisões, não das promessas

O foco se desloca do “se” para o “como” usar inteligência artificial, automação e dados para gerar impacto real na experiência do consumidor, na eficiência operacional e na sustentabilidade do negócio

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NRF 2026: o varejo entra na era das decisões, não das promessas

Sob o tema “The Next Now”, a NRF 2026 inicia suas primeiras sessões propondo uma nova perspectiva, onde mais do que prever o futuro, trata-se de antecipar o presente. Já no primeiro dia, a feira deixou claro que o varejo não será moldado apenas por inovações visuais ou tecnologias disruptivas, mas pela capacidade das marcas de tomar decisões ágeis, guiadas por dados e propósito.

Essa mudança de mentalidade é evidente tanto nos palcos quanto nas conversas que circulam pelos corredores do Javits Center. A tecnologia continua central, mas perdeu o status de espetáculo. O foco se desloca do “se” para o “como” usar inteligência artificial, automação e dados para gerar impacto real na experiência do consumidor, na eficiência operacional e na sustentabilidade do negócio.

Ao mesmo tempo, a transformação do varejo está diretamente conectada ao contexto macroeconômico global, que impõe crescimento lento, inflação persistente e um consumidor mais cauteloso. Esse novo perfil prioriza marcas com valores consistentes e impacto percebido. Por isso, o trade marketing ganha ainda mais relevância estratégica, não apenas como ferramenta de exposição, mas como ponte entre marca e confiança no PDV, onde o fator humano e o propósito se encontram para sustentar relevância em tempos incertos.

A inteligência artificial deixa de ser discurso e se torna base

A inteligência artificial não é mais o assunto do futuro, tornando-se uma camada estrutural do varejo moderno, comparável à energia elétrica ou ao Wi-Fi: essencial, mas invisível. Estamos entrando na era dos agentes autônomos, que combinam dados de inventário, comportamento e histórico de compras para tomar decisões automatizadas em tempo real.

Para o trade marketing, esse novo contexto exige uma adaptação imediata. Como manter o fator humano relevante em um ambiente onde tudo é preditivo e automatizado? A resposta está naquilo que a tecnologia ainda não substitui, a presença, o improviso e a empatia. E, nesse cenário, o papel do promotor de vendas precisa ser reinventado, não descartado.

O luxo do futuro será a presença humana

Entre as mensagens mais recorrentes nos palcos da NRF 2026 até aqui, o destaque vai para a mensagem de que o toque humano será o próximo diferencial competitivo. Em um mundo cada vez mais automatizado, o que realmente gera conexão, fidelização e lembrança de marca são experiências sensíveis e personalizadas.

Esse entendimento muda completamente a lógica de construção de marca. O branding do futuro não será sustentado por promessas, mas por comprovações. Isso exige excelência operacional em todas as etapas, especialmente na execução no ponto de venda, onde a reputação se materializa.

O ponto de venda como território de confiança

Ao longo das discussões, pouco se falou sobre vitrines ou estética isolada. O centro do debate foi a credibilidade de ter o consumidor atual, que é nativo digital, bem informado e cada vez mais criterioso, valorizando marcas que conseguem sustentar, na prática, os valores que comunicam.

Nesse contexto, o trade marketing surge mais forte para tornar o ponto de venda um espaço de confiança e não apenas um local de transação, principalmente ao destacar a importância de ter um contato mais próximo com o promotor que passa a exercer um papel estratégico ao articular dados e uma entrega consistente. As empresas que já compreenderam essa transformação estão direcionando esforços para capacitação de suas equipes, iniciativas de inclusão e responsabilidade social, além de uma presença no varejo mais inteligente e coerente com o que prometem ao mercado.

O futuro é decisivo, não digital

Se 2025 foi o ano da velocidade, 2026 é o ano da curadoria. Fazer mais já não é suficiente. O novo varejo será liderado por quem consegue fazer o que realmente importa, com clareza e consistência, sem deixar de lado a consciência.
O futuro não será comandado por quem tem mais tecnologia, mas por quem sabe como usá-la, acima de tudo.

*Jonathan Dagues é CEO da EVER Trade Marketing (Ex-SPAR Brasil), referência em execução e inteligência no ponto de venda, com atuação em mais de 100 mil PDVs em todo o Brasil

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