Tendências e Inovação

O que torna o Vale do Silício celeiro de inovação?

O Vale do Silício abriga algumas das empresas e universidades mais inovadoras do mundo, como o Google e a Universidade de Stanford, responsável pela formação de profissionais reconhecidos internacionalmente e por fomentar processos disruptivos.

Só para dar uma ideia do tamanho e potência do Vale do Silício, a sede do Google, uma das maiores empresas de tecnologia do planeta, tem a dimensão de uma cidade. É o que conta Lúcia Fassarella, vice-presidente da CDL Jovem (Câmara de Dirigentes Lojistas Jovem), que participou da primeira missão internacional da CDL Jovem. O grupo visitou à cidade de Palo Alto (CA/EUA), no Vale do Silício, no último mês.

“Sim, os prédios ficam localizados na geografia de um bairro e são acessados somente por funcionários. É possível passear entre as estruturas, como se estivéssemos andando em um bairro. É impactante, porém, o que mais impressiona é o poder da cultura criada pelos fundadores do Google e o quanto está fortemente presente na postura e comportamento dos funcionários da empresa”, afirma a vice-presidente.

Com esse time de empresas, em 2020, o PIB per capita do Vale do Silício era de US$ 128,3 mil, o que faria da região a mais rica do mundo caso fosse um país independente, de acordo com a Agência de Análise Econômica dos Estados Unidos.

Mas o que torna a região um celeiro de inovação e tecnologia? Certamente, a abundância de recursos culturais, financeiros, tecnológicos, educacionais e, claro, pessoas criativas e inconformadas. É este mix que torna possível mentes inquietas e empreendedoras a inovarem radicalmente continuamente.

Raphael Paganini, coordenador nacional da CDL Jovem e que também participou da missão internacional, comenta que é uma boa mostra do espírito da região a forma como as empresas do Vale se adequaram às restrições, no início da pandemia da covid-19.

“As empresas alteraram, rapidamente, o processo de desenvolvimento de inovações, devido à crise sanitária, e incentivaram os funcionários a se sentir à vontade no home office. Agora, estão divididas entre em manter os colaboradores em casa ou voltar à rotina presencial”, relata Paganini.

Não é coincidência que por lá muitas big techs ainda estão em home office. De acordo com pesquisa divulgada em março deste ano pela Robert Half, uma empresa global de recrutamento, 50% dos trabalhadores americanos preferem se demitir do que serem forçados a voltar ao escritório em tempo integral.

Colaboradores que respiram e vivem a cultura corporativa
Por lá, existe um consenso de que cultura, bem-estar e inovação andam de mãos dadas. “Na missão, pudemos ver que as pessoas pensam e enxergam a empresa como veículo de transformação social, ambiental e tecnológico. É fantástico! Sabem que por meio de seu emprego e suas atividades, têm a possibilidade de mudar o mundo”, ressalta Lúcia Fassarella.

No Google, a cultura corporativa, chamada de “googleness”, norteia os passos das equipes espalhadas pelo mundo todo. São 120 mil funcionários trabalhando de vários países e cidades. “É a referência de todos na empresa. Ser boa pessoa, ter vontade de ajudar a equipe e a cultura da entrega são os pontos percebidos”, diz Lúcia Fassarella.

“As empresas estão optando por ter um time que fala a mesma língua das companhias e prezam pela cultura da empresa e o trabalho em equipe. Em todas as instituições que passamos, ficou claro e evidente a preocupação das empresas em formar e manter a cultura do time com a entrega”, acrescenta a VP da CDL Jovem.

A estrutura dos prédios também contribui para que a cultura “googleness” se fortaleça. Os edifícios são tem um design comum, sempre muito limpos e organizados e com muitos espaços criativos e de refeição. Há cafeterias, restaurantes e geladeiras com produtos de extrema qualidade. A premissa é dar conforto ao time.

“A comida é um simbolismo da empresa. Nestes espaços de refeição, é possível ver a sua diversidade e é onde as pessoas fazem pausas para lanchar e debater ideias, sem regras de quantidade ou tempo, tudo muito alinhado à cultura do Google, e as pessoas usufruem com consciência”, fala Lúcia Fassarella.

A sede conta também com academias, salas de vídeos, lojas de assessórios e até bicicletas.

Pluralidade e convivência
O grupo de jovens empreendedores também visitou a WeWork, pioneira no mercado de coworking no mundo, ensinando que o ecossistema de inovação está ligado à convivência e pluralidade. Foi a primeira a perceber a importância de conectar e aproximar os colaboradores para o fomento das condições necessárias para seguir criando projetos disruptivos.

A Wework captou mais de US$ 6 bilhões em 2019 e mostrou sua capacidade de romper com o status quo e construir espaços inovadores e criativos, fazendo com que todos desejassem ter uma sala em seus prédios ou escritórios.

“A We work deixou uma lição: é possível criar uma cultura de inovação e um ecossistema produtivo com o compartilhamento de serviços e espaços”, pondera a VP da CDL Jovem.

*Com colaboração de Ester Cavalcante.
Edição: Fernanda Peregrino

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