Economia e Finanças

Open Banking: 3 vantagens para os pequenos negócios

Está previsto para esta sexta-feira (13) o início da segunda fase do Open Banking – conjunto de regras e tecnologias que permitirá o compartilhamento de dados e serviços de clientes entre instituições financeiras por meio da integração de seus respectivos sistemas. Nesta etapa, os clientes podem justamente começar a pedir às instituições participantes o compartilhamento de seus dados cadastrais e informações sobre transações em contas, cartão de crédito e produtos de crédito contratados.

A expectativa é que a novidade aumente a concorrência e a eficiência do setor bancário brasileiro, beneficiando o consumidor final com novos produtos e serviços financeiros. Segundo o Banco Central (BC), o Open Banking vai priorizar a experiência do cliente e a diversidade e representatividade dos participantes. Para especialistas, a iniciativa do BC facilitará o acesso a empréstimos, ampliará os meios de pagamento e reduzirá os custos dos serviços.

“Uma instituição financeira vai poder olhar para os dados e pensar: ‘essa empresa tem uma movimentação interessante, seria uma boa cliente. Vou fazer uma oferta de crédito melhor do que a que ela tem hoje’”, disse Adalberto Luiz, analista de capitalização e serviços financeiros do Sebrae, à Folha de São Paulo.

“Para as micro e pequenas empresas, o aumento da concorrência vai ser muito importante. Elas pagam, em média, o dobro do que é cobrado das grandes pelos mesmos serviços financeiros”, acrescentou o analista do Sebrae, lembrando ainda que os grandes empreendimentos já têm as melhores condições possíveis, uma vez que o volume de negócios é alto.

Na terceira fase do Open Banking, programada para 30 de agosto, serão ampliadas as possibilidades de pagamento online seguro. Os iniciadores de pagamentos – empresas reguladas pelo Banco Central – passarão a fazer transferências bancárias e pagamentos online a pedido do cliente. Isso significa que quando um consumidor fizer uma compra em um site/app, já não precisará fornecer os dados de seu cartão de crédito/débito e, nem mesmo, emitir um boleto para pagar. Com o Open Banking, a própria loja poderá conectá-lo a um iniciador de pagamento, que realizará um Pix a partir da conta bancária do cliente, que não precisará sequer acessar ao aplicativo do banco.

A avaliação é de que a terceira fase aumentará as vendas por aplicativos de mensagens e pela internet. “Essa lógica simplificada de pagamentos tem custo menor para o empresário. Este impacto é sempre mais expressivo para os pequenos negócios do que para as grandes empresas”, afirmou Adalberto Luiz para a Folha de São Paulo.

O que, quando e como os dados podem ser compartilhados?
O princípio fundamental do Open Banking é o consentimento do usuário. Portanto, o compartilhamento de dados do cliente só pode ocorrer se a pessoa, seja física, seja jurídica, expressamente solicitar e autorizar a transmissão dos dados para outra instituição. A solicitação pode ser feita nos aplicativos dos bancos.

No Brasil, está previsto o compartilhamento dos seguintes dados:

  • Pessoais (nome, CPF/CNPJ, telefone, endereço, etc.);
  • Transacionais (informações sobre renda, faturamento no caso de empresas, perfil de consumo, capacidade de compra, conta corrente, entre outros);
  • Produtos e serviços que o cliente usa (informações sobre empréstimos pessoais, financiamentos, etc).

Na prática, o Open Banking permitirá que o cliente compartilhe informações, como o extrato bancário com todas as movimentações dos últimos meses, faturamento, saldo em conta corrente e serviços que utiliza (máquina de cartão e antecipação de recebíveis, por exemplo).

As instituições receptoras dos dados terão um prazo máximo de 12 meses para acessar os dados, segundo as regras do Banco Central. Depois disso, o cliente precisará renovar o consentimento.

Com quem os dados serão compartilhados?
O compartilhamento de dados e serviços de clientes ocorrerá entre instituições financeiras participantes do Open Banking, por meio da integração de seus respectivos sistemas. Os dados também poderão ser compartilhados com empresas que não são instituições financeiras, mas que fornecem serviços nesta área. Um exemplo são os comparadores de tarifas bancárias, que funcionam de forma similar às plataformas de busca de passagens aéreas.

São obrigadas a participar as instituições financeiras classificadas como S1 – com porte igual ou superior a 10% do PIB ou atividade internacional relevante – e S2 – com porte entre 1% e 10% do PIB. Este é o caso do Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica, Itaú, Santander, BNDES, Citibank e Credit Suisse. Já o Pic Pay, Mercado Pago e Nubank poderão escolher se vão participar ou não do novo ecossistema.

Todas as empresas que aderirem terão o direito de receber dados de seus concorrentes e deverão a compartilhar os dados de suas respectivas bases, quando os clientes consentirem.

Quais as vantagens do Open Banking para os pequenos negócios?
1 – Tendo o controle do compartilhamento de seus dados, o cliente não ficará mais dependente da instituição na qual tem conta e sujeito às suas taxas. Fica muito mais fácil abrir contas e adquirir produtos e serviços em diferentes instituições ao mesmo tempo;

2 – Com os bancos, fintechs e instituições de pagamentos compartilhando as informações entre eles, o cliente poderá identificará mais facilmente as melhores condições para cada serviço financeiro;

3 – As instituições financeiras darão mais atenção ao consumidor, uma vez que mesmo tendo conta na instituição, nada garante que o cliente vai consumir e utilizar os seus serviços. O banco ou a fintech que oferecer a melhor experiência em serviços financeiros tende a conquistar os clientes.

Com informações da Folha de S. Paulo e do InfoMoney.

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