12 mar, 2026
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Pensamento estratégico impulsiona sucesso na gestão

O pensamento estratégico é “um processo criativo e significativo”

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Vender em 2026 não é desafio comercial. É desafio de gestão

O bom estrategista sabe que criar o futuro, reagir a impactos e se antecipar aos eventos incertos é tão importante quanto formular e planejar a execução de forma racional. Essa premissa foi defendida por Heitor Coutinho, professor nas áreas de Estratégia, Mudança Organizacional e Gestão de Projetos na Fundação Dom Cabral (FDC), em artigo publicado na última edição da Revista DOM, veiculo de análise e pensamento elaborado pela instituição.

Em seu texto, o professor mergulhou nas vantagens do desenvolvimento do pensamento estratégico para os líderes e nos riscos criados para as corporações quando essa prática não é aplicada pelos gestores.

Para Coutinho, o pensamento estratégico é “um processo criativo e significativo”. Segundo o professor, nas empresas mais valorizadas do mundo, o pensamento não-linear está presente na estratégia e em sua gestão. Nelas, os executivos são “curiosos, criativos, vigilantes e abertos”. Eles desafiam suposições vigentes, dão importância a perspectivas não convencionais e estabelecem conexões entre ideias diferenciadas. “Se a liderança, em todos os níveis, não pensa estrategicamente de maneira apropriada, o horizonte organizacional pode ser comprometido”, alertou.

Empresas com boas estratégias superam as concorrentes

Coutinho apontou algumas pesquisas que comprovam a força do pensamento estratégico. Segundo o professor, a maior causa de falências no mundo é a má estratégia. Pesquisas mostram que quase 50% das empresas americanas faliram nos últimos 30 anos devido a estratégicas errôneas.

A origem dessa estagnação refere-se a definições equivocadas sobre direção. E a Harvard Business School revelou que empresas com estratégias claramente definidas e bem articuladas superaram os concorrentes, em média, em 304% nos lucros, 332% nas vendas e 883% no retorno total aos acionistas.

O artigo sustenta ainda que, em mundo turbulento, o pensamento estratégico, diferentemente do pensamento tradicional de um executivo, precisa ser único e distinto para atender às variadas demandas dos negócios. Coutinho definiu que “pensamento estratégico é a capacidade humana de geração e aplicação de insights de negócios, de forma contínua, para obter vantagem competitiva e gerar valor para diferentes stakeholders”, o que se manifesta como principal finalidade de uma organização em um ambiente competitivo.

É preciso considerar aspectos humanos

Segundo o artigo, dois aspectos – hoje questionáveis – balizam o pensamento estratégico tradicional: a teoria econômica racional e a previsibilidade, conceitos que emergiram na década de 60.

Na teoria econômica racional, a abordagem é lógica e linear, baseada no raciocínio do problema, na sua solução e consequente execução. O executivo tem liberdade para definir a saída, com base em seu conhecimento amplo, mas pode desconsiderar elementos humanos, como emoções. O furo neste comportamento estaria no fato de que, de acordo com Coutinho, toda estratégia precisa considerar a psicologia comportamental, porque as ações são consideradas e conduzidas por pessoas.

Já a previsibilidade sempre costumou orientar decisões estratégicas. Com base na previsibilidade são desenvolvidos instrumentos preditivos focando planejamento, o que é sensato e consistente. Mas o mundo real é instável, confuso e incerto, principalmente na atualidade. Então, como planejar? Além disso, argumenta o professor, “não somos bons em prever o futuro”. A saída é a maleabilidade e a gestão de incertezas, que devem ser preponderantes em um mundo tão dinâmico.

O conceito de “processo” ganha força no planejamento e execução de ações. Segundo o artigo, o processo assegura integridade, consistência e realização. Mas a estrutura dos processos deve ser dinâmica e composta por perguntas desafiadoras, o que significará estímulo à inteligência, análise e criação de opcionalidades. Além do processo, Coutinho destacou quatro atitudes que geram pensamento estratégico e conhecimento: reflexão; análise; engajamento; e ação.

Quais são as “mentalidades” que levam a bons resultados

Em seu artigo, o professor Heitor Coutinho também discorreu sobre o conceito de “mentalidade” e suas muitas manifestações. A mentalidade do estrategista é sua predisposição psicológica para conduzir seus pensamentos.

Mas, a mentalidade em um mundo dinâmico e imprevisível, é diferente da mentalidade clássica. Ela está centrada na agilidade, que é a resposta para condições de incerteza. Segundo o professor, há quatro categorias de mentalidades hoje indispensáveis para que um executivo possa refletir, analisar e agir, conforme listamos abaixo.

1. Mentalidade de aprendizagem
Esta é a base do crescimento, por instigar a curiosidade e a exploração de oportunidades. Em um mundo em transformação acentuada, as empresas que forem ágeis em aprender terão vantagens competitivas.

2. Mentalidade de imaginação
É precursora da inovação, que se tornou absolutamente estratégica por seu diferencial na antecipação de modelos de negócio e estruturas de valor.

3. Mentalidade de colaboração
São organizações que se unem em ecossistemas visando oferecer ofertas únicas ao mercado. A atuação colaborativa de empresas proporciona vantagem em relação às corporações que atuam sozinhas.

4. Mentalidade de resiliência
Trata-se de uma resposta aos impactos imprevistos no mundo incerto. Por gerar capacidade ambidestra, a resiliência assegura resultados maiores após momentos de crise.

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