Segurança digital sustenta avanço dos pagamentos por agentes de IA no Fórum E-Commerce Brasil 2026
Mastercard apresenta transações realizadas por agentes e pesquisa que mostra aumento dos investimentos das empresas brasileiras em cibersegurança
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Agentes de inteligência artificial já começam a ultrapassar as etapas de pesquisa e recomendação para também concluir pagamentos em nome dos consumidores. Essa evolução abre novas possibilidades para o comércio eletrônico, mas exige mecanismos capazes de identificar quem está realizando a compra, comprovar a autorização do cliente e proteger as credenciais utilizadas na transação.
No Fórum E-Commerce Brasil 2026, a Mastercard mostra como o avanço do comércio agêntico está diretamente relacionado ao amadurecimento da segurança digital. A empresa realizou transações de pagamento iniciadas por agentes de IA no Brasil e em outros mercados da América Latina e do Caribe, com a participação de emissores e processadores como Itaú, Santander, Dock, Banco Galicia, Bancolombia e Banco Falabella.
As operações foram concluídas de ponta a ponta, com cartões de crédito e débito, para compras de produtos como alimentos, cosméticos e itens digitais. Os participantes do fluxo conseguiam identificar que a transação havia sido executada por um agente e autorizada pelo titular do cartão.
O Fórum E-Commerce Brasil 2026 conta com apoio institucional da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e tem o portal Varejo S.A. como media partner oficial.
Agente precisa ser identificado e autorizado
Em uma jornada tradicional, o próprio consumidor pesquisa o produto, entra no site, preenche os dados e confirma o pagamento. No comércio agêntico, parte dessas tarefas pode ser delegada a uma ferramenta de inteligência artificial.
O agente pode receber uma instrução para encontrar determinado produto, comparar preços, verificar o prazo e concluir a compra dentro de limites definidos pelo usuário. Para que isso aconteça com segurança, a infraestrutura precisa registrar exatamente o que foi autorizado.
A solução apresentada utiliza os chamados agentic tokens, códigos que protegem as credenciais armazenadas pelo agente e ajudam bancos e empresas a identificar a origem da transação. A estrutura também reúne autenticação biométrica e informações adicionais para rastrear toda a operação.
Outra camada é a chamada intenção verificável. O mecanismo cria um registro do pedido dado pelo consumidor ao agente, incluindo critérios como produto, valor máximo, prazo de entrega e período de validade da autorização.
Assim, uma pessoa pode permitir que a IA compre determinado item por até R$ 500, desde que a entrega ocorra antes de uma data específica. Caso o agente ultrapasse esses limites, a transação não corresponde à intenção registrada.
A proposta é reduzir o risco de compras incorretas, facilitar a identificação de fraudes e estabelecer responsabilidades quando uma ferramenta atua em nome do consumidor.
América Latina avança na preparação
Segundo a Mastercard, quase 100% dos emissores da América Latina já estão habilitados para trabalhar com os tokens destinados às operações agênticas. Isso permite que o novo modelo utilize parte da infraestrutura de pagamentos existente, sem exigir a criação de uma credencial financeira completamente diferente.
A novidade está principalmente na inclusão dos agentes no ecossistema e na troca de informações entre ferramentas de IA, varejistas, bancos e processadores.
Para as lojas, a adaptação envolve manter catálogo, estoque, preço, prazo e condições comerciais organizados e acessíveis. Diferentemente de uma pessoa, que também pode ser influenciada pelo visual de uma página, os agentes dependem de dados estruturados para interpretar a oferta e decidir quais produtos atendem à solicitação.
Cibersegurança entra no orçamento das empresas
A adoção dessas jornadas depende de um ambiente no qual a segurança não seja tratada apenas como uma resposta a incidentes. A terceira edição do Barômetro da Segurança Digital, pesquisa encomendada pela Mastercard ao Datafolha, mostra que 75% das empresas brasileiras consultadas já possuem uma área dedicada à cibersegurança.
Na edição anterior do estudo, o percentual era de 35%. Entre os pequenos negócios com 10 a 49 funcionários, a existência de uma estrutura própria avançou de 23% para 66%.
A prioridade máxima atribuída ao tema no orçamento também aumentou, passando de 23% para 53%. Já a proporção de empresas com planejamento anual de segurança digital subiu de 26% para 56%.
No varejo, 73% das empresas pesquisadas afirmam possuir uma área própria de cibersegurança. O dado mostra que a proteção das operações digitais começa a ocupar um papel mais relevante à medida que vendas, pagamentos, atendimento e relacionamento passam a depender de sistemas conectados.
“Os dados do Barômetro mostram uma transformação profunda na mentalidade do mercado brasileiro. A segurança digital migrou da periferia para o centro das decisões estratégicas”, afirma Daniel Vilela, vice-presidente de Prevenção a Fraude e Compliance da Mastercard Brasil.
Testes e planos de resposta se tornam mais frequentes
A percepção de risco também cresceu. Em 2022, 64% dos entrevistados acreditavam que as empresas de seus setores eram alvos frequentes ou moderadamente frequentes de ataques e fraudes. Em 2025, o índice chegou a 78%.
Como resposta, 96% das companhias afirmam realizar testes de segurança regularmente, 86% possuem um plano de resposta a incidentes e 75% fizeram simulações de ataques nos três meses anteriores à pesquisa.
Apesar do avanço, ainda existem lacunas. Uma em cada quatro empresas considera muito difícil encontrar profissionais qualificados. Ao mesmo tempo, 73% atribuem grande relevância à biometria, 58% à criptografia e 47% à inteligência artificial e ao aprendizado de máquina na proteção dos negócios.
Mais da metade, 52%, já utiliza intensivamente a biometria para reduzir a dependência de senhas dos clientes.
A combinação dessas tecnologias ganha importância em jornadas nas quais o consumidor poderá realizar uma compra sem digitar os dados do cartão ou acessar diretamente o checkout. Quanto mais invisível o pagamento se torna para o usuário, maior precisa ser a capacidade de identificar comportamentos suspeitos e comprovar que a transação foi autorizada.
O avanço dos pagamentos agênticos mostra que conveniência e segurança passam a ser desenvolvidas de forma conjunta. Para o varejo, a nova etapa não envolve apenas incorporar inteligência artificial, mas preparar dados, sistemas e parceiros para que agentes consigam operar com rastreabilidade e dentro das regras determinadas pelo consumidor.

