01 fev, 2026
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Sua empresa possui a capacidade de “ecosystem thinking”?

A mudança de mindset é necessária, passando do “nós temos a solução” para “nós somos parte do ecossistema que tem a solução”

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Sua empresa possui a capacidade de “ecosystem thinking”?

Nos últimos dez anos tem ocorrido uma mudança significativa na forma como as empresas criam e capturam valor. A maioria dos setores passou de uma visão “os produtos e soluções da minha empresa” para “os produtos e soluções no nosso ecossistema de negócios”.

Há várias razões para isso: (1) poucas empresas conseguem entregar a solução completa que o cliente precisa; (2) as mudanças tecnológicas e sociais requerem inovação constante, além das capacidades da empresa individual; (3) novas soluções complementares surgem o tempo todo de vários players; e (4) as fronteiras entre os setores se tornaram fluidas, a ponto de competidores surgirem de vários lados.

Do agronegócio à tecnologia da informação, não há setor imune ao processo de criação de ecossistemas de negócios. Considere, por exemplo, o caso da John Deere: desde 2013 ela deixou de ser uma empresa de máquinas e implementos agrícolas para ser uma empresa que integra soluções para o produtor.

A Sympla, por sua vez, passou de uma plataforma de organização de eventos para um ecossistema que conecta vários lados, oferecendo recursos e solução completa para organizadores de eventos. Já o iFood se transformou de um app de entregas para um ecossistema integrado que ajuda os parceiros a vender mais, otimizar operações e acessar financiamento de forma digital.

O que proponho é que as empresas precisam de uma capacidade que chamo de “ecosystem thinking”, algo como “pensamento ecossistêmico”. O que isso significa na prática?

Visão holística

É preciso ter compreensão ampla das necessidades dos clientes e dos atores, relações e recursos no ecossistema que podem atender a tais demandas.
É necessário fazer o mapeamento e a atração de parceiros para o ecossistema, gerando uma proposta de valor para os clientes que seja superior à de outros ecossistemas.
Identificar as complementaridades estratégicas e as tensões entre os atores do ecossistema.

Colaboração e coopetição

Significa ter a capacidade de projetar e orquestrar relações simultaneamente competitivas e colaborativas.
Conseguir alinhar atores e coordenar múltiplos interesses, gerenciando recursos, conhecimentos e valor.
Definir de forma clara as regras de governança do ecossistema: incentivos e controles, normas de entrada e de saída.

Sustentabilidade e impacto sistêmico

É necessário ter consciência sobre os impactos sociais, ambientais e econômicos que o ecossistema gera para todos os públicos.
Além disso, é preciso ter visão de longo prazo na criação e distribuição do valor sistêmico, para mantê-lo atrativo para parceiros, clientes e sociedade.
A compreensão da dinâmica de desenvolvimento do ecossistema, sem a intenção de controlá-lo a ponto de impedir a inovação e generatividade, é essencial.

Desenvolver a capacidade de “ecosystem thinking” é fundamental para empresas em setores dinâmicos, em que a transformação ocorre em alta velocidade e os incumbentes são desafiados por novos players todo o tempo. Pensar na lógica de ecossistemas exige uma mudança de mindset, do “nós temos a solução” para “nós somos parte do ecossistema que tem a solução”. Sua empresa está preparada?

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