Pesquisa

51% das MPEs relatam piora na economia nos últimos 6 meses

Pesquisa CNDL/SPC Brasil aponta que, apesar de estarem otimistas com os próximos meses, 64% dos empreendedores não pretendem realizar investimentos no negócio

Por Marina Barbosa e Fernanda Peregrino

Um a cada dois empresários considera que as condições gerais da economia brasileira pioraram ou pioraram muito nos últimos 6 meses (51%) – um aumento de 17 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2019 –, de acordo com pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Sebrae. A percepção dos micro e pequenos empresários (MPEs) sobre a economia do país é impactada pelos efeitos da segunda onda da pandemia da Covid-19 e as medidas de restrição adotadas nos primeiros meses do ano.

Confira a pesquisa Confiança dos Micro e Pequenos Empresários na íntegra!

Por outro lado, o cenário de avanço da vacinação e de reabertura das atividades sociais e comerciais parece trazer otimismo aos empresários. De acordo com o levantamento, metade dos MPEs (49%) está confiante ou muito confiante quanto ao desempenho da economia brasileira nos próximos 6 meses. Apesar disso, este número caiu 21 pontos percentuais em comparação com a mesma pesquisa realizada em 2019, mostrando que embora ocorra o predomínio da confiança, ela ainda não recuperou os patamares pré-pandemia.

“Os empresários brasileiros ainda sentem os impactos negativos da segunda onda da pandemia no início do ano, principalmente no setor de serviços, mas o avanço da vacinação traz otimismo para os próximos meses, ainda mais com o aumento nas vendas ocorridas nas últimas datas comemorativas deste ano, em comparação com 2020”, afirma o presidente da CNDL, José César da Costa.

A pesquisa avaliou a percepção dos empresários sobre o desempenho de vendas no último mês e descobriu que 41% consideram que foi bom ou ótimo – praticamente o mesmo percentual que em 2019, antes da pandemia. Com isto, os empresários também estão mais otimistas quanto as expectativas da própria empresa: dois a cada três estão confiantes ou muito confiantes no desempenho da empresa nos próximos 6 meses (65%).

Para quem quer crescer em tempos de crise, uma das primeiras ações é rever seu orçamento e reorganizar as finanças de seu empreendimento

Investimentos
Apesar do otimismo com futuro, a pesquisa aponta que dois a cada três empresários não implementaram melhorias no negócio nos últimos 6 meses (64%), ante 36% que fizeram. Trata-se de um aumento expressivo se comparado a 2019, quando 42% não haviam implementado, ante 58% dos MPEs que tinham promovido alguma melhoria.

Quando questionados sobre os próximos meses, aproximadamente um a cada três MPEs pretendem investir na empresa nos próximos 90 dias (29%). Entretanto, eles ainda não são majoritários: metade dos MPEs não tem a intenção de investir na empresa no futuro próximo (50%). Em 2019, o percentual dos que pretendiam investir foi maior, chegando a 41%.

Entre os que pretendem investir, os principais objetivos são: ampliar o estoque (28%), investimento em mídia e propaganda (24%), reforma da empresa (24%) e compra de equipamento (24%). Além desses objetivos ligados a expansão da empresa, também se destacou outro aspecto que praticamente não tinha expressividade na pesquisa anterior à pandemia: “conseguir manter a empresa aberta considerando as dificuldades vividas com a crise econômica” (25%).

Como fazer a empresa crescer em tempos de crise
Em períodos em que o dinheiro está curto, prosperar é um desafio, mas não precisa ser o limite para o negócio. A partir de ações conjuntas – algumas delas relativamente simples –, é possível transformar as adversidades em oportunidades, inclusive, há quem diga que toda recessão esconde oportunidades. É preciso agir, ou seja, planejar estratégias e implementar ações capazes de fazer sua empresa evoluir.

A equipe da Varejo S.A. separou dicas práticas para ajudar sua empresa crescer em tempos de crise. Confira:

1 – Reveja o orçamento
Uma das primeiras ações é rever seu orçamento e reorganizar as finanças de seu empreendimento, eliminando despesas supérfluas e convocando sócios para reduzirem os gastos. Avalie a lista de fornecedores, e verifique se é possível renegociar preços. Com os recursos poupados, poderá fazer os investimentos necessários ou manter o negócio aberto e competitivo.

2 – Mantenha o planejamento em dia
Planejamento é a chave para o crescimento de qualquer empresa. Em tempos de crise, às vezes é preciso mudar a rota, estipular novos prazos para o cumprimento de metas e planejar o aumento da receita. Atualize o plano de negócios, realize reuniões de equipe periódicas e reveja as práticas e metas de cada setor. Além disso, organize o período de trabalho dos empregados com o objetivo de aumentar a produtividade.

3 – De olho na concorrência
Uma boa forma de aumentar as vendas e conquistar e fidelizar clientes é se aproveitar da fragilidade da concorrência, ou seja, analise os pontos fracos de seus concorrentes diretos e se esforce para fazer exatamente aquilo que eles não têm conseguido. Indique aos seus clientes que sua empresa está passando pela crise, mas não se tornou refém dela.

4 – Satisfação dos clientes primeiro
Em qualquer época, os clientes são o principal ativo da empresa. Por isso, acompanhar as mudanças de comportamento do consumidor, em geral, e do seu público, em específico, lhe dará as chaves para criar novos produtos e serviços, promoções, mudar a forma como vende e planejar novas estratégias de marketing para atrair novos consumidores.

Com menos dinheiro para gastar, os consumidores priorizarão as empresas que os coloquem em primeiro lugar

Por outro lado, com menos dinheiro para gastar, os consumidores priorizarão as empresas que os coloquem em primeiro lugar. É o consumidor como centro do negócio! Neste sentido, comprometa-se com a excelência, melhorando a comunicação e o relacionamento com o cliente e o serviço de pós-venda. O atendimento de qualidade é crucial para o seu negócio continuar prosperando.

5 – Melhore o marketing
Uma boa estratégia de marketing em tempos de crise é essencial para a empresa enfrentar e superar as dificuldades, e conquistar o consumidor. Invista com assertividade e consciência em um bom plano de marketing, traçando objetivos e metas claros e plausíveis.

É imprescindível que a sua marca também esteja ativa no mundo digital, com seu site, blog e redes sociais. Hoje, o próprio público quer se relacionar com as marcas, engajando e interagindo com elas nas redes sociais.

6 – Inove para crescer
Utilize a criatividade a seu favor, ou seja, busque soluções inovadoras para os velhos problemas. E inovar não significa, necessariamente, investir em algo tecnológico. Mudanças simples podem gerar resultados disruptivos.

7 – Qualifique-se
Visite e participe de feiras e exposições relacionadas ao seu setor; faça cursos e palestras; frequente coworkings… Não se esqueça dos colaboradores: treine-os, capacite-os e os motive para continuarem sempre oferecendo o melhor atendimento aos clientes.

8 – Melhore os estoques
As empresas devem avaliar cuidadosamente os estoques em tempos de crise, sem exagerar nos cortes, pois isso pode prejudicar a sua participação de mercado. Lembre-se: empresas com os produtos que os compradores desejam, conquistam clientes fiéis.

9 – Ofertas
Recessão é um bom momento para o “Leve 3, Pague 2” e outras ofertas promocionais. Preste muita atenção à forma como os diferentes produtos estão vendendo, e considere novas ofertas de preço e esteja pronto para explorar as ofertas que atendam aos clientes.

10 – Equipamentos usados
Para os empreendimentos planejando melhorar os equipamentos – seja computadores, seja caminhões –, uma boa alternativa é apostar em equipamentos seminovos de última geração, provenientes de empresas que estão diminuindo o tamanho ou fechando seus negócios.

11 – De olho nas oportunidades
Fique de olho na desocupação dos imóveis comerciais. Em tempo de crise, é possível alugar um imóvel em localizações mais estratégicas por valores mais interessantes. Outra oportunidade é ficar de olho em quem está passando para a frente o estoque – também por preços mais acessíveis –, porque está encerrando as atividades.

Com informações de AAA Inovação, Belluno Tec, Controlle, IEV e Otimize.

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