61% dos consumidores pretendem fazer compras na Black Friday

Intenção de compra cresce 24% em relação a 2019. Roupas, calçados e smartphones serão os produtos mais procurados. Para 84%, compras na data em 2019 valeram a pena

Uma das principais datas do comércio, a Black Friday, acontece esse ano ainda sob o impacto da pandemia da Covid-19. Se os varejistas esperam aumentar as vendas durante a campanha, os consumidores parecem estar ávidos pelas promoções. É o que mostra a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com a Offer Wise Soluções em Pesquisa. Segundo o estudo, 61% dos entrevistados afirmam que pretendem fazer compras na Black Friday esse ano, um crescimento de 24% em relação ao ano passado.

Considerando apenas os consumidores que farão compras na Black Friday, 63% justificam dizendo que este é um momento oportuno para comprar produtos que estão precisando com preços mais baixos, ao mesmo tempo, 37% afirmam que irão aproveitar para antecipar as compras dos presentes de Natal em promoção. Por outro lado, entre os que não farão compras, 24% alegam estar sem dinheiro, enquanto 20% estão desempregados.

O presidente da CNDL, José César da Costa, destaca que a Black Friday 2020 acontece em um cenário adverso, onde o consumidor está atento às promoções para garantir as compras de final de ano.

“O consumidor conta com as promoções da campanha para fazer suas compras. A Black Friday é a oportunidade para a população aproveitar as ofertas e garantir os presentes de fim de ano num período tão difícil para a economia”, afirma Costa.

A expectativa de aumento das vendas também aparece na pesquisa. Um terço daqueles que estão dispostos a comprar na Black Friday afirmam que pretendem adquirir mais produtos que em 2019 (34%), ao passo em que 29% querem comprar um número menor de itens e 23% a mesma quantidade.

Mesmo assim, a pesquisa mostra que o consumidor está cauteloso, uma vez que 36% pretendem gastar menos este ano, enquanto 29% irão desembolsar o mesmo valor e 27% planejam gastar mais.

Considerando aqueles que pretendem aumentar os gastos na edição de 2020, 35% justificam dizendo que economizaram ao longo do ano para isso, enquanto 25% afirmam terem mais itens para comprar este ano. Em contrapartida, os consumidores que pretendem diminuir os gastos querem, sobretudo, economizar (48%), estão com orçamento apertado (26%) e têm a intenção de evitar dívidas (26%).

Roupas, calçados e smartphones serão os itens mais procurados
A pesquisa mostra que os consumidores têm a intenção de adquirir 3,3 produtos. Cada consumidor deve gastar, em média, R$ 918,23 com as compras durante a promoção, valor que aumenta para R$ 1.168,91 entre as classes A/B. Os produtos mais procurados serão as roupas (42%), os calçados (31%), os smartphones (22%), os eletrodomésticos (22%) e eletrônicos (20%).

Considerando a principal forma de pagamento a ser utilizada, 82% dos entrevistados pagarão as compras da Black Friday à vista, principalmente em dinheiro (45%) e no cartão de débito (34%). Por outro lado, 47% devem parcelar suas compras, principalmente no cartão de crédito (41%). A média é de praticamente seis prestações (5,7), o que significa que essas pessoas estarão pagando as compras da Black Friday até maio de 2021.

A pesquisa também investigou os locais que os consumidores devem fazer as compras. As lojas online (83%) mantêm a preferência dos consumidores, sobretudo nos sites/aplicativos de varejistas nacionais (57%) e nos sites/aplicativos de compra e venda de produtos novos e usados (33%). Apesar do destaque no meio online, uma parcela considerável dos entrevistados afirma que vai comprar em lojas físicas (47%), especialmente no shopping center (29%) e nas lojas de rua (23%).

A experiência de compra do consumidor na Black Friday de anos anteriores pode ser determinante para a escolha do local em que farão suas aquisições em 2020, já que 44% dos entrevistados afirmam que irão escolher estabelecimentos nos quais já tenham se sentido satisfeitos, sejam eles físicos ou online, enquanto 36% pretendem optar por fazer pesquisas pelas lojas de menor preço, 35% privilegiam aqueles que oferecerem frete grátis e 31% os locais que oferecerem descontos significativos no pagamento à vista ou no boleto, além dos descontos já oferecidos durante a Black Friday.

Metade daqueles que irão adquirir produtos nesta edição do evento pretendem fazer as compras na semana da Black Friday (54%), ao passo em que 22% preferem o dia da Black Friday.

90% dos consumidores irão pesquisar preços
O consumidor brasileiro está cada vez mais habituado com a Black Friday e disposto a adotar estratégias para conseguir os melhores preços, uma vez que 90% garantem que farão pesquisa de preços antes de comprar, principalmente a fim de confirmar se os produtos realmente estão na promoção (55%).

A busca de informações será feita sobretudo nos sites e aplicativos das lojas em que costumam comprar (54%), além dos sites e aplicativos especializados que fazem a comparação do preço dos produtos (52%), em sites de busca (36%) e nos shopping centers (23%).

Ao lado disso, 93% costumam buscar dicas e informações para fazer boas compras na Black Friday, sendo que 84% fazem isso pela internet e 22% pela TV. A pesquisa mostra que 85% costumam buscar informações sobre a reputação das lojas antes das compras, principalmente em sites de reclamação (54%), nas redes sociais (51%) e no Procon (15%).

“O consumidor está cada vez mais habituado à Black Friday e sabe que pesquisar os preços continua sendo fundamental para garantir boas compras”, diz o presidente da CNDL. “Ao mesmo tempo, o comércio sabe que uma boa experiência de compra é indispensável para manter o consumidor fiel. Nesse momento, em que as vendas online crescem a cada dia, a reputação das lojas é fator primordial”, analisa.

Com o intuito de aproveitar a oportunidade do evento e garantir os itens a serem adquiridos, 12% dos consumidores pretendem madrugar na porta das lojas físicas para garantir as compras, enquanto 41% pretendem passar a madrugada conectados na web com este objetivo, e 65% dos que trabalham pretendem se manter conectados na internet durante o expediente para se inteirar das ofertas.

Expectativa é de desconto médio de 43% nos produtos ofertados
A expectativa dos consumidores quanto às possiblidades de realizar compras a preços competitivos é expressiva: o desconto médio esperado durante o evento é de 43%, sugerindo que as pessoas buscam na Black Friday uma oportunidade única para pagar bem menos na aquisição de produtos e serviços.

De olho nos menores preços, quase oito em cada dez consumidores ouvidos estão evitando realizar algum tipo de compra em outubro e novembro para aproveitar a Black Friday (77%), sendo que 19% mencionam as roupas, calçados e acessórios, 18% os eletrodomésticos e 17% os celulares/smartphones.

Para 84% dos que aproveitaram a promoção em 2019, compras na Black Friday valeram a pena.

Questionados sobre a experiência com a Black Friday 2019, oito em cada dez participantes que compraram na última edição julgam que valeu a pena comprar na Black Friday do ano passado (84%). Número bem parecido daqueles que não enfrentaram problemas nas compras realizadas durante a promoção (81%).

Considerando o nível de satisfação com a Black Friday em 2019, numa escala de um a dez, a nota média dada pelos consumidores é de 8,16, superior à nota apurada na sondagem de 2018 (7,82).

Para 93% o desconto anunciado pelas lojas era real na hora da compra, sendo que 65% dizem que isso era válido apenas em relação a alguns produtos, enquanto para outros 28%, todos os itens tinham desconto real na hora da compra. Apenas 6% dos participantes do ano passado afirmam que o percentual de desconto não era real. Seis em cada dez pessoas ouvidas garantem que a maioria das compras da Black Friday foi planejada (65%); porém, 35% admitem ter feito compras por impulso. 14% dos participantes da última edição ficaram com o nome sujo por causa de compras na Black Friday do ano passado, sendo que 8% já limparam o nome e 6% ainda estão negativados.

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