IA deixa de ser experimento e se torna infraestrutura central dos marketplaces, aponta relatório global da Photoroom
Estudo reúne líderes e especialistas de quatro continentes
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A Inteligência Artificial Generativa (GenAI) não é mais uma promessa futura para o comércio digital, ela já se tornou a infraestrutura central dos marketplaces. Essa é a principal conclusão do relatório global “The State of GenAI in Marketplaces 2026”, lançado pela Photoroom, que reúne entrevistas com líderes e especialistas da América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia, além de uma pesquisa ampla com consumidores.
O estudo mostra que a IA deixou de ocupar um papel periférico e passou a estruturar os pilares fundamentais do comércio digital, como crescimento, confiança, operação e experiência de compra. Em vez de ser apenas uma ferramenta, a GenAI agora funciona como base operacional dos marketplaces, impactando desde a estruturação de catálogos e integração de vendedores até a descoberta de produtos, controle de qualidade e fidelização de consumidores.
Segundo Matt Rouif, CEO e co-fundador da Photoroom, a mudança já é concreta e mensurável: “Mais de 1 em cada 4 americanos já usa o ChatGPT ou outro LLM para pesquisar antes de comprar um produto, e não a pesquisa do Google. Isso não é uma previsão, é a nova realidade da descoberta. A IA já não é mais uma camada extra, ela está se tornando a própria base do comércio digital.”
O relatório aponta uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, onde a jornada de compra está migrando da busca tradicional para a interação em linguagem natural com IA. Em vez de procurar produtos específicos, os consumidores passam a expressar intenções e necessidades, e a inteligência artificial assume o papel de intermediadora entre intenção e oferta.
Mas a maior transformação identificada pelo estudo está no campo da confiança. Os dados mostram que os consumidores responsabilizam diretamente os marketplaces pelo que veem nas plataformas. A maioria espera que as plataformas garantam a precisão das informações, a qualidade das imagens e a veracidade dos anúncios. Imagens excessivamente editadas, inconsistentes ou enganosas reduzem a credibilidade do marketplace e impactam diretamente a lealdade do consumidor.
Mais da metade dos compradores afirma que mudaria de plataforma em busca de imagens mais claras e precisas, enquanto uma parcela significativa associa inconsistência visual à falta de confiabilidade da marca. Na era da IA, a confiança deixa de ser apenas um atributo de imagem e passa a se consolidar como um ativo estratégico para os marketplaces.
Para a Photoroom, esse movimento redefine o papel dos marketplaces no ecossistema digital.
“Os marketplaces que vão liderar o próximo ciclo de crescimento são aqueles que tratam a IA como infraestrutura e a confiança como ativo central. Quando a confiança cai, a lealdade cai junto. E sem lealdade, não há liquidez nem crescimento sustentável”, afirma Matt.
O estudo também revela que a GenAI já gera impacto direto em resultados financeiros. Casos analisados no relatório mostram aumento de conversão, aceleração de onboarding de vendedores, redução de custos operacionais e ganho de eficiência em escala. Um dos exemplos latino-americanos é a Rappi, que projeta aumento de até 20% na conversão de compradores a partir do uso de imagens aprimoradas por IA e da automação na estruturação de cardápios e catálogos. A inteligência artificial transforma menus desestruturados em SKUs organizados, acelera a expansão de restaurantes e amplia a oferta disponível para o consumidor.
Além do impacto direto em receita, a GenAI vem redefinindo profundamente a operação dos marketplaces, transformando processos que antes levavam meses em fluxos executados em semanas ou até dias. A estruturação de catálogos, a tradução de anúncios, o controle de qualidade e a integração de vendedores deixaram de ser gargalos e passaram a funcionar como vetores diretos de escala e crescimento.
Nesse novo modelo operacional, as imagens de produtos passaram a ser infraestrutura de mercado, e não mais apenas um elemento estético. A qualidade visual agora atua como fator estrutural de liquidez, ranqueamento, conversão e confiança, criando ciclos virtuosos de crescimento em que anúncios melhores geram mais conversão, mais confiança, mais liquidez e maior fidelização.
O relatório também aponta a transição dos marketplaces tradicionais para modelos agênticos, nos quais sistemas de IA não apenas assistem usuários, mas executam ações: criam anúncios, ajustam preços, conectam oferta à intenção de compra e concluem transações. Esse modelo inaugura uma nova fase do comércio digital, em que marketplaces evoluem de intermediários para sistemas autônomos de comércio.
“A IA está se tornando o tecido conjuntivo dos marketplaces. Quem não integrar inteligência artificial à estrutura do negócio corre o risco de perder vendedores, compradores e relevância. A liquidez vai nascer da melhor experiência, e a melhor experiência será construída sobre IA e confiança”, reforça o CEO.
O relatório conclui que a próxima década será marcada por marketplaces que não apenas utilizam IA, mas a integram em todas as camadas da operação, transformando dados, confiança e experiência em vantagens competitivas sustentáveis.

