14 ago, 2026
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Negócios que fecham no primeiro ano revelam falhas na gestão financeira

Abrir um negócio próprio segue como um movimento crescente no Brasil, impulsionado pelo desejo de autonomia e geração de renda

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Abrir um negócio próprio segue como um movimento crescente no Brasil, impulsionado pelo desejo de autonomia e geração de renda. No entanto, a realidade enfrentada por muitos empreendedores ainda é desafiadora: uma parcela significativa das empresas não consegue ultrapassar o primeiro ano de funcionamento. Dados do Sebrae mostram que cerca de 24% dos negócios fecham antes de completar dois anos, evidenciando que o início da jornada empreendedora costuma ser também o mais vulnerável.

Embora fatores externos, como cenário econômico e carga tributária, sejam frequentemente apontados, especialistas destacam que grande parte dos problemas está dentro da própria operação, especialmente na forma como o financeiro é conduzido desde o início. A ausência de planejamento, o desconhecimento dos custos reais, a falta de capital de giro e o descontrole sobre entradas e saídas de dinheiro estão entre os principais entraves para a sustentabilidade dos negócios.

“Muitos empreendedores começam sem uma reserva mínima para sustentar os primeiros meses, que geralmente são os mais instáveis. Sem capital de giro, qualquer oscilação já compromete a operação”, afirma a mentora de finanças Simone Santolin.

Outro ponto crítico é a confusão entre finanças pessoais e empresariais, prática ainda recorrente, principalmente em negócios de pequeno porte. Sem essa separação, o caixa perde previsibilidade e compromete a saúde financeira da empresa. Além disso, a precificação incorreta, seja por desconhecimento ou tentativa de competir apenas por preço, pode gerar uma falsa percepção de lucro e acelerar o endividamento.

“Vejo muitos negócios faturando, mas não lucrando. Isso acontece quando o empreendedor não considera todos os custos envolvidos, como impostos, taxas e despesas operacionais. No papel, parece que está tudo bem, mas, na prática, o negócio já está fragilizado”, explica.

A falta de controle do fluxo de caixa também aparece como um dos principais erros. Sem acompanhar de forma estruturada o que entra e o que sai, o empreendedor perde a capacidade de antecipar problemas, negociar prazos e tomar decisões estratégicas, como reduzir custos ou ajustar preços. Nesse cenário, atrasos de pagamento, acúmulo de dívidas e perda de crédito no mercado se tornam consequências comuns.

Além disso, a ausência de indicadores financeiros, como margem de lucro, ticket médio e ponto de equilíbrio, dificulta a leitura real do desempenho do negócio. Sem esses dados, o crescimento pode ser ilusório e mascarar prejuízos recorrentes.

“Um erro muito comum é empreender sem entender o básico do financeiro. Muitos empresários não sabem exatamente quanto custa manter o negócio aberto ou qual é o seu ponto de equilíbrio, e isso impede qualquer planejamento de crescimento”, diz Simone Santolin.

Para a especialista, o caminho para evitar esse desfecho passa por tratar o financeiro como prioridade desde o primeiro dia, com organização, disciplina e visão estratégica.

“O dinheiro é o que sustenta o negócio. Não adianta ter uma boa ideia ou um produto de qualidade se não há gestão. O empreendedor precisa entender que controle financeiro não é opcional, é o que garante a sobrevivência da empresa”, conclui.

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