25 abr, 2026
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Nome sujo e limite estourado: por que 62% recorrem ao CPF de terceiros

Restrição no acesso ao crédito formal é principal fator por trás do uso do nome de familiares e amigos em compras e financiamentos

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Nome sujo e limite estourado por que 62% recorrem ao CPF de terceiros

Para a maioria dos brasileiros que recorrem ao nome de terceiros para conseguir crédito, a prática não é uma escolha estratégica — é uma necessidade diante da dificuldade de acesso ao sistema financeiro formal. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 62% dos consumidores que utilizaram o nome de outra pessoa para acessar crédito nos últimos 12 meses enfrentavam algum tipo de restrição para contratar no próprio CPF.

O dado reforça que o crédito de terceiros vem funcionando, para parte da população, como alternativa informal diante das barreiras impostas pelo mercado tradicional.

Negativação e limite comprometido lideram entre os entraves

Entre os principais motivos apontados para recorrer ao nome de outra pessoa estão a negativação do CPF e o esgotamento do limite de crédito disponível.

Segundo o levantamento, 23% afirmam ter utilizado o nome de terceiros porque estavam com o nome sujo, enquanto 20% disseram já ter comprometido todo o limite de crédito disponível no próprio CPF.

Esses indicadores mostram que o fenômeno está diretamente ligado ao aperto financeiro e à dificuldade de parte dos consumidores em manter capacidade de compra dentro das regras do sistema formal.

Além das restrições tradicionais, uma parcela dos entrevistados afirmou nunca sequer ter tentado contratar crédito em nome próprio, o que sugere a existência de consumidores já habituados a depender de terceiros para esse tipo de operação.

Na prática, o dado mostra que, para muitos brasileiros, o acesso ao consumo financiado já nasce condicionado à existência de uma rede de apoio disposta a assumir esse papel.

Isso cria uma dinâmica paralela em que o poder de compra do consumidor deixa de depender apenas de sua saúde financeira individual e passa a estar atrelado à disponibilidade de crédito dentro do seu círculo social.

O que esse cenário revela para o varejo

Para o varejo, o avanço desse comportamento reforça que parte do consumo atual está sendo sustentada por mecanismos informais de financiamento — e não necessariamente por melhora na capacidade financeira do consumidor.

Mais do que um dado sobre comportamento de compra, o uso crescente de CPF de terceiros evidencia a dificuldade de uma parcela relevante da população em acessar crédito dentro dos parâmetros tradicionais do mercado.

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