03 set, 2026
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Cartão de crédito domina o “empréstimo de nome” e redesenha o consumo informa

Modalidade é o principal recurso cedido a terceiros e concentra a preferência de quem aceitaria assumir crédito em favor de outra pessoa

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Cartão de crédito domina o "empréstimo de nome" e redesenha o consumo informa

Entre as diferentes formas de emprestar o nome para outra pessoa acessar crédito, o cartão se consolidou como o principal caminho utilizado pelos consumidores brasileiros.

Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que o cartão de crédito é o recurso mais emprestado, citado por 21% dos consumidores que recorreram ao nome de terceiros nos últimos 12 meses.

A preferência também aparece entre aqueles que estariam dispostos a assumir esse tipo de operação. Dos 37% que aceitariam emprestar o nome, 25% fariam isso por meio do cartão de crédito. Empréstimos pessoais aparecem com 9%, enquanto crediário e financiamento são mencionados por 5% cada.

Os resultados mostram que o cartão ocupa uma posição central em uma rede informal de consumo, na qual uma pessoa realiza a compra, mas utiliza o limite e o CPF de outra para concluir a transação.

Facilidade e controle favorecem o uso do cartão

A liderança da modalidade pode estar relacionada à presença do cartão na rotina dos consumidores e à facilidade de utilizá-lo em lojas físicas, plataformas digitais e aplicativos.

Diferentemente de um empréstimo ou financiamento, que exige contratação específica e pode envolver prazos mais longos, o cartão permite que a ajuda seja concedida no momento da compra. O titular também consegue definir o valor disponível, acompanhar os lançamentos e verificar as parcelas diretamente na fatura.

Essa percepção de controle pode tornar o cartão uma opção mais aceitável para quem concorda em emprestar o nome, mesmo que a responsabilidade formal pela dívida continue sendo integralmente do titular.

Na prática, o recurso transforma o limite de uma pessoa em poder de compra para outra, ampliando temporariamente a capacidade de consumo de famílias e pessoas próximas.

Venda aprovada pode esconder consumidor sem crédito próprio

Para o varejo, a predominância do cartão revela uma camada pouco visível das transações. Embora a compra seja aprovada normalmente, o consumidor que escolheu o produto e assumiu informalmente o pagamento pode não ser o titular do meio utilizado.

Isso significa que parte das vendas realizadas no cartão pode estar sendo sustentada por redes pessoais de apoio, especialmente quando o comprador encontra dificuldades para acessar crédito no próprio nome ou já comprometeu o limite disponível.

O movimento ajuda a manter o consumo ativo, mas também exige uma interpretação cuidadosa. Uma transação aprovada não representa necessariamente maior segurança financeira ou recuperação do poder de compra de quem está levando o produto.

Cartão sustenta uma ponte informal para o consumo

A força do cartão no empréstimo de nome reforça como a modalidade ultrapassou sua função original de meio de pagamento. Dentro das famílias, ela também passou a funcionar como instrumento de compartilhamento informal de crédito.

Essa dinâmica amplia o acesso às compras e preserva parte da demanda do varejo, mas transfere o risco da operação para alguém próximo do consumidor. Caso o acordo não seja cumprido, é o titular do cartão quem precisa pagar a fatura, arcar com juros e enfrentar eventuais impactos em seu histórico financeiro.

O cartão, portanto, não apenas domina o empréstimo de nome. Ele se tornou a principal ponte entre consumidores sem crédito disponível e um mercado que continua oferecendo possibilidades de compra parcelada.

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