O varejo digitalizou a operação mais rápido do que amadureceu a cibersegurança
Um dos erros mais comuns do varejo digital é tratar segurança como uma etapa final do projeto, adicionada depois que o aplicativo, o canal ou a integração já está funcionando
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O varejo digital brasileiro teve um rápido avanço com as plataformas de e-commerce, aplicativos, pagamentos digitais, programas de fidelidade e integração entre lojas físicas e online. Entretanto, ao mesmo tempo em que essa evolução resultou em mais eficiência e conveniência, ela criou novas portas de entrada para ataques cibernéticos.
Segundo dados da Fortinet, 24% dos ciberataques têm como alvo o varejo, tornando o setor um dos mais afetados por violações de dados. Isso acontece porque, além das informações coletadas dos consumidores serem valiosas, muitas organizações digitalizaram a operação em uma velocidade maior do que conseguem amadurecer a estratégia de segurança.
Em alguns casos, por exemplo, ainda existem sistemas antigos convivendo com novas plataformas, acessos pouco controlados e baixa visibilidade sobre parceiros e fornecedores. Portanto, é preciso que a segurança e a inovação avancem juntas.
Por que o varejo é tão atraente para ciberataques?
O setor varejista movimenta altos valores constantemente e armazena grandes quantidades de dados, características altamente atraentes para cibercriminosos. Com uma senha válida roubada, é possível entrar em e-mails, sistemas administrativos, ambientes de nuvem ou plataformas de parceiros sem levantar suspeitas imediatas. Esse uso de credenciais comprometidas como vetor inicial foi identificado em 22% das violações analisadas pelo relatório DBIR de 2025 da Verizon.
Além disso, datas comemorativas, como Black Friday, Natal e Dia das Mães, por exemplo, aumentam ainda mais a atratividade do setor. Nesses períodos, qualquer indisponibilidade pode gerar perdas relevantes, aumentando a pressão para que a empresa pague um resgate ou resolva rapidamente o incidente.
Os efeitos de um ataque cibernético
Em um negócio de alta disponibilidade, os efeitos de ciberataques atingem todas as áreas da empresa. Na logística, por exemplo, um ataque cibernético pode ocasionar a perda de visibilidade sobre pedidos, separação de produtos, rotas e entregas.
Para além da parte operacional, esses ataques geram consequências para reputação da marca com os clientes. Ainda de acordo com a Fortinet, 62% dos consumidores não se sentem confiantes quanto à segurança de seus dados e 25% acreditam saber que essas informações não estão protegidas. Na prática, esses dados evidenciam que o cliente pode até concluir uma compra, mas evita cadastrar um cartão, aderir ao programa de fidelidade, compartilhar informações ou usar o aplicativo, limitando a capacidade do varejista de construir uma relação mais profunda e personalizada, o que pode piorar significativamente caso a empresa tenha um histórico de vazamento de dados.
Assim, é preciso oferecer uma autenticação segura, transparência sobre o uso de dados, canais confiáveis e respostas rápidas a incidentes, transmitindo mais maturidade ao consumidor e aos parceiros. Diante disso, tecnologias como análise de risco, biometria, tokenização e autenticação adaptativa ajudam a aumentar a segurança sem transformar toda interação do cliente em um processo burocrático.
A importância da proteção de dados
Um dos erros mais comuns do varejo digital é tratar segurança como uma etapa final do projeto, adicionada depois que o aplicativo, o canal ou a integração já está funcionando. Como ciberataques afetam do departamento de tecnologia até a reputação da marca, a cibersegurança precisa ser discutida pela liderança da empresa como parte da continuidade do negócio.
No varejo, uma empresa preparada reduz as chances de sucesso dos ciberataques, identifica rapidamente comportamentos anormais e consegue retomar a operação com o menor impacto possível. Em um mundo digital inseguro, proteger dados e sistemas tornou-se uma condição para inovar, crescer e sustentar a confiança dos consumidores.
*Otávio Argenton é Country Manager da SoftwareOne no Brasil, provedora global e líder em soluções de ponta-a-ponta para softwares e tecnologia de nuvem.

