Reincidência atinge 85,34% dos consumidores que entraram na inadimplência em março, aponta CNDL e SPC Brasil
A distribuição se mantém equilibrada: 54,84% mulheres e 45,16% homens
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Em março de 2026, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), revelou que, do total de negativações, 85,34% foram de devedores reincidentes. O dado refere-se a consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
Dentro do universo de reincidentes de março, a maior parte (65,85%) ainda não havia quitado pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 19,49% haviam saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 14,66% dos negativados no mês não tiveram restrições no CPF ao longo do último ano.

Um dado de atenção é o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes: em março, esse período foi de 74,1 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,5 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.
Os dados do indicador mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em março de 2026, houve um crescimento de 14,06% no número de devedores reincidentes na comparação com os 12 meses anteriores.

“Os números de março reforçam uma realidade preocupante: a inadimplência no Brasil não é um evento passageiro, mas um ciclo de difícil ruptura para a maioria dos cidadãos. Com mais de 85% das novas negativações vindas de consumidores reincidentes, fica claro que as famílias estão presas em um efeito ‘porta giratória’, onde a quitação de uma dívida não significa o fim do problema financeiro, mas apenas uma pausa antes de um novo atraso. O fato de 65,85% dos negativados sequer terem conseguido limpar dívidas anteriores mostra que a capacidade de pagamento está severamente comprometida por problemas estruturais e persistentes”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Perfil dos devedores reincidentes
A análise do perfil dos devedores reincidentes em março de 2026 aponta que a faixa etária de 30 a 39 anos continua sendo a mais representativa, com 25,97% do total. Quanto à participação por sexo, a distribuição se mantém equilibrada: 54,84% mulheres e 45,16% homens.

O Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas do SPC Brasil mostra a evolução do número de consumidores que deixaram os cadastros de inadimplentes por terem realizado o pagamento das suas dívidas em atraso. São utilizadas as informações de saídas de CPFs das bases às quais o SPC Brasil tem acesso. Em conjunto com os dados de reincidência, esses dados permitem melhor monitoramento da inadimplência no país, que atinge cerca de 44,42% da população adulta.
Recuperação de Crédito piora
Paralelamente, o Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas, que acompanha os consumidores que conseguiram sair dos cadastros de inadimplentes, registrou queda. Nos 12 meses encerrados em março de 2026, houve uma redução de -4,61% no número de pessoas que limparam o nome, em comparação com o período anterior.

A queda concentrou-se na diminuição da recuperação de consumidores que levaram de 4 a 5 anos (-19,64%) para quitar suas dívidas.

Observando a abertura por faixa etária dos consumidores que quitaram suas dívidas, o número de consumidores recuperados com participação mais expressiva no Brasil em março foi da faixa de 50 a 64 anos (24,67%). A participação dos consumidores recuperados por sexo segue bem distribuída, sendo 50,61% mulheres e 49,39% homens.

O valor médio pago por consumidor recuperado em março de 2026 foi de R$ 2.192,38. Os dados mostram ainda que 59,63% pagaram até R$ 500 nas dívidas que possuíam.

“O cenário atual de alta inadimplência é agravado pela rapidez com que o consumidor volta a falhar com seus compromissos. Em março, observamos que o intervalo entre o vencimento de uma dívida e a próxima é de apenas 74,1 dias — ou seja, em menos de três meses, o orçamento doméstico volta a colapsar. A queda de 4,61% na recuperação de crédito acumulada em 12 meses é um sinal de alerta para a economia, pois indica que, apesar de eventuais esforços de renegociação, o ambiente de juros e o custo de vida continuam sufocando o consumidor, tornando a saída definitiva do cadastro de devedores uma meta cada vez mais distante”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

