Grupos de ofertas no WhatsApp avançam 14 pontos e viram canal de recorrência
Participação de consumidores nesses espaços chegou a 55%, enquanto 73% fizeram ao menos uma compra pelo aplicativo no último mês
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O WhatsApp deixou de ser apenas uma ferramenta de atendimento e troca de mensagens para assumir um papel mais frequente na jornada de compra dos brasileiros. Pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 55% dos consumidores participam de grupos no aplicativo para receber ofertas exclusivas.
O percentual representa um crescimento de 14 pontos percentuais em relação ao ano anterior e indica que os grupos de vendas vêm ganhando espaço como canal de relacionamento e recorrência. Neles, lojas e vendedores conseguem divulgar promoções, apresentar novidades e manter contato direto com consumidores que já demonstraram interesse em receber esse tipo de conteúdo.
O avanço ocorre em um cenário no qual o WhatsApp já está integrado à rotina de consumo. De acordo com o levantamento, 73% dos entrevistados realizaram ao menos uma compra pelo aplicativo no último mês. A frequência média foi de 2,1 pedidos no período.
Para o varejo, o dado mostra que a ferramenta pode ir além de uma venda isolada. A permanência em grupos de ofertas cria oportunidades para novas interações com consumidores que já conhecem a empresa ou demonstram interesse por determinadas categorias. A estratégia pode ser especialmente relevante para pequenos negócios, que muitas vezes utilizam o aplicativo como uma extensão de seus canais físicos e digitais.
O crescimento dos grupos também acompanha a busca do consumidor por vantagens econômicas. Em outras etapas da pesquisa, preço baixo, promoções e frete grátis aparecem entre os principais fatores considerados na escolha de uma loja virtual. Nesse contexto, receber ofertas em um canal utilizado diariamente pode reduzir o caminho entre a divulgação e a decisão de compra.
Apesar do potencial comercial, os dados também indicam que a comunicação precisa ser administrada com cautela. Embora 82% considerem receber algum tipo de mensagem de empresas ou lojas pelo WhatsApp, a maior parcela, 46%, prefere que o contato seja restrito a suporte, esclarecimento de dúvidas e acompanhamento de entregas.
Já 30% gostariam de receber ofertas personalizadas e promoções. A diferença revela que a abertura para mensagens comerciais existe, mas não deve ser interpretada como autorização para comunicações excessivas ou pouco relevantes.
A expansão dos grupos de ofertas, portanto, exige segmentação e equilíbrio. Promoções frequentes demais, mensagens fora de contexto ou conteúdos repetitivos podem transformar a proximidade em incômodo. Por outro lado, ofertas adequadas ao perfil dos participantes, informações claras e uma frequência controlada podem fortalecer o relacionamento e estimular novas compras.
O avanço do WhatsApp como canal de consumo também reforça uma característica do comércio digital: a jornada está cada vez menos concentrada em sites e aplicativos próprios. O consumidor pode descobrir uma oferta, tirar dúvidas, negociar condições e concluir a compra dentro da mesma conversa.
Para o varejo, o desafio será aproveitar essa proximidade sem ultrapassar os limites impostos pelo próprio consumidor. O crescimento de 14 pontos percentuais mostra que os grupos já têm escala. A capacidade de transformá-los em um canal sustentável de recorrência dependerá, porém, menos do volume de mensagens e mais da relevância do conteúdo enviado.

