29 jul, 2026
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Fórum E-Commerce Brasil abre edição de 2026 com IA agêntica, liderança e disputa por valor

Primeiro dia do evento mostra que o crescimento do comércio eletrônico dependerá cada vez mais da combinação entre tecnologia, eficiência operacional, gestão e construção de marcas fortes

Divulgação/R2PM
Fórum ECBR quer movimentar mais de R$ 50 milhões em negócios com nova plataforma de conexões nacionais e internacionais

O primeiro dia do Fórum E-Commerce Brasil 2026, realizado nesta terça-feira (28), no Distrito Anhembi, em São Paulo, mostrou um setor que continua avançando, mas que também passa a enfrentar desafios mais complexos. Inteligência artificial agêntica, eficiência operacional, preparação das lideranças e fortalecimento das marcas estiveram entre os principais temas apresentados nas plenárias e nos ambientes das empresas participantes.

Entre visitas aos estandes, demonstrações de novas soluções e conversas com especialistas, a movimentação do evento evidenciou que a tecnologia já não aparece apenas como uma ferramenta complementar. Ela começa a ocupar uma posição central na forma como empresas organizam suas operações, tomam decisões e se relacionam com os consumidores.

O cenário de expansão do setor também foi reforçado por dados divulgados durante o evento. O e-commerce brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 16,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O número de pedidos avançou 34,8%, chegando a 756,7 milhões, enquanto o tíquete médio recuou 13,3%, para R$ 275,50. Os resultados apontam para um consumidor que compra mais vezes, mas distribui seus gastos em transações menores, aumentando a pressão sobre logística, atendimento, tecnologia e pós-venda.

IA exige arquitetura, controle e equilíbrio financeiro

Uma das apresentações que sintetizaram os debates do primeiro dia foi conduzida por Caian Benedicto, arquiteto de soluções da NVIDIA. O especialista abordou a nova arquitetura da inteligência artificial no varejo e os desafios para que empresas consigam adotar o comércio agêntico em escala.

Com o aumento do uso de agentes autônomos, capazes de realizar tarefas e tomar decisões dentro de parâmetros definidos, as empresas precisam avaliar onde essas soluções serão executadas: na nuvem, em infraestrutura própria ou em modelos híbridos. Essa escolha envolve fatores como desempenho, segurança, governança e custo.

A mensagem central foi que ampliar a utilização da IA não significa simplesmente incorporar mais ferramentas. É necessário estruturar uma arquitetura capaz de sustentar o aumento do processamento e do consumo de dados sem comprometer a viabilidade financeira da operação.

Durante a apresentação, também foi realizada uma demonstração prática de agentes executando diferentes atividades. O exemplo reforçou que, mesmo com níveis maiores de autonomia, essas tecnologias ainda exigem observação permanente, ajustes e mecanismos claros de governança.

Esse movimento também esteve presente nos estandes. Soluções apresentadas durante o Fórum já utilizam agentes de IA em etapas como qualificação de oportunidades, venda pelo WhatsApp, acompanhamento de pedidos, trocas e devoluções. A tecnologia começa, portanto, a avançar sobre toda a jornada, deixando de atuar apenas como suporte ao atendimento para assumir funções diretamente relacionadas à produtividade e à geração de receita.

Liderança também precisa sair da crise

Em uma programação marcada pelo avanço tecnológico, Rony Meisler, fundador da Reserva e do Manual de Donos, direcionou o debate para um elemento essencialmente humano: a mentalidade de quem lidera.

Na masterclass “Quem primeiro sai da crise ‘na cabeça’, primeiro sai da crise no negócio”, Meisler defendeu que a capacidade de antecipar cenários e identificar oportunidades antes dos concorrentes pode ser decisiva para a sobrevivência e o crescimento das empresas.

A reflexão ganha relevância em um ambiente de mudanças rápidas, no qual os gestores precisam tomar decisões envolvendo inteligência artificial, novos canais, transformações no comportamento do consumidor e aumento da pressão por eficiência.

Mais do que reagir aos problemas, a liderança precisa construir organizações preparadas para atravessar períodos de instabilidade. Nesse contexto, tecnologia e estratégia não podem ser tratadas separadamente da cultura e da capacidade de execução das equipes.

Branding como proteção para a margem

O primeiro dia também reservou espaço para uma discussão que ganha força diante do avanço dos marketplaces e da comparação permanente de preços. Ana Couto, empresária e designer especializada em branding, defendeu que construir valor de marca é uma das principais formas de escapar da comoditização.

Na masterclass “Se você não vende o valor, não vende nada”, a especialista mostrou que ampliar vendas não significa necessariamente gerar valor sustentável. Em um mercado no qual mais de 70% das vendas do e-commerce brasileiro acontecem nos marketplaces, segundo a organização do evento, as empresas precisam encontrar formas de transformar desempenho em preferência e diferenciação.

Quando produtos semelhantes aparecem lado a lado nas plataformas, o preço tende a se tornar o critério mais evidente de escolha. O branding funciona, nesse cenário, como uma defesa da margem ao oferecer ao consumidor outros motivos para optar por determinada empresa, como confiança, reputação, identidade e experiência.

A discussão reforça que o futuro do comércio eletrônico não será definido apenas por quem oferecer o menor preço ou adotar primeiro uma nova tecnologia. A vantagem competitiva também dependerá da capacidade de construir relações que permaneçam relevantes além das plataformas.

Um ecossistema em transformação

A circulação pelos espaços do Fórum E-Commerce Brasil revelou ainda a diversidade de soluções desenvolvidas para acompanhar o crescimento do setor. Inteligência artificial aplicada a vendas, integração logística, gestão de pedidos, meios de pagamento, CRM, retail media e automação estiveram entre os temas mais presentes nos estandes.

Mais do que uma vitrine de tecnologias, o evento funciona como um ponto de encontro entre grandes companhias globais, startups brasileiras, varejistas, prestadores de serviços, jovens empreendedores e especialistas. Essa combinação ajuda a explicar a velocidade com que novas práticas são incorporadas pelo comércio eletrônico nacional.

O balanço do primeiro dia indica que o setor continua otimista, mas demonstra maior preocupação com a aplicação prática das inovações. A discussão deixou de estar concentrada apenas nas possibilidades da tecnologia e passou a incluir temas como custos, integração, controle, retorno financeiro e proteção das margens.

A edição de 2026 segue até quinta-feira (30), com uma programação dedicada a inteligência artificial, comportamento do consumidor, marketplaces, canais de venda, logística, gestão e novas perspectivas para o varejo digital. O Fórum E-Commerce Brasil 2026 conta com apoio institucional da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e tem o portal Varejo S.A. como media partner oficial.

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