Movimento Varejo

Consumo e varejo na sociedade 5.0

Foto: Divulgação/Rodrigo Augusto

O Diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, Marcos Gouvêa, fala sobre tecnologia digital no
pós-pandemia e conta o que o Brasil tem a ensinar para a China  

O Latam Retail Show 2021, o mais importante evento de varejo e consumo B2B da América Latina, será realizado virtualmente no período de 14 a 16 de setembro. Desta vez, o tema do encontro será a Sociedade 5.0, uma síntese da integração dos recursos tecnológicos à vida humana. 
 
A expectativa é reunir líderes de diversos segmentos para compartilhar com o público suas experiências e debater as transformações que as novas tecnologias podem gerar nos negócios, além das novas tendências do consumo no pós-pandemia. 

Ao todo, serão mais de 80 horas de conteúdo e cerca de 250 especialistas convidados do Brasil e do mundo. Entre eles, Ana Luiza Mclaren (co-fundadora do Enjoei), Ana Szasz (head de E-commerce do Rappi), Paula Andrade (vice-presidente de Varejo da Natura & Co América Latina), Paulo Camargo (CEO do McDonald’s) e Paulo Correa Jr. (CEO da C&A Brasil). 

Para falar sobre o evento e as novidades deste ano, a Varejo S.A. conversou com o organizador do Latam Retail Show, o Diretor-geral da Gouvêa Ecosystem, Marcos Gouvêa. Autor e co-autor de vários livros de gestão, consultoria global de negócios, varejo e distribuição, Gouvêa também será um dos participantes do V Fórum Nacional do Comércio, evento organizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e que está marcado para acontecer nos dias 28 e 29 de setembro.

Marcos Gouvêa: “a sociedade 5.0 traz características que se tornaram
importantes para o consumidor, como a valorização do aqui e agora”
Foto: reprodução/Arthur Nobre

O macro tema do Latam Retail Show é a sociedade 5.0. O que é isso exatamente? 
Esse é um conceito que nasceu no Japão em 2016 e que foi abraçado pela Keidanren, a principal entidade empresarial japonesa. Trata-se daquelas sociedades que estão sendo profundamente impactadas pela evolução da tecnologia e do digital. Mas talvez fosse mais adequado falarmos da sociedade 5.1, que além da tecnologia, inclui o universo pós-pandemia. 

O senhor vai participar do painel “Transformações – Desafios do Varejo Pós-Pandemia” no V Fórum Nacional do Varejo. Em que a pandemia acrescenta a essa sociedade 5.0? 
Ela traz característica que se tornaram importantes para o consumidor e as pessoas em geral, como a valorização do “aqui e agora”, a preocupação com a saúde, com os cuidados pessoais e o bem-estar. Tudo isso atrelado à hiper conveniência, que passou a integrar o comportamento de toda a sociedade. 

Muito tem sido dito sobre como a pandemia acelerou tendências e redirecionou outras. O que o senhor destacaria nesse processo?  
Talvez uma das mais importantes formas de redirecionamento foi aquela que envolveu a aceleração do conceito de ecossistemas de negócios. É um conceito nascido na China como uma variante do que aconteceu nas economias ocidentais, e que gerou plataformas exponenciais como a Amazon, o Google etc. Na China, Alibaba e Tencent criaram esse modelo de organização ligadas à tecnologia digital. 

E no Brasil? Como ela se dá?
No Brasil, esses sistemas se desenvolveram e aceleraram durante a pandemia, mas, ao contrário da China e Estados Unidos, se deram por meio dos varejistas tradicionais. Magalu, Americanas, Riachuelo, Via, Boticário e Vivo, por exemplo, perceberam o potencial desse modelo que coloca o consumidor no epicentro de tudo. Evidentemente, ao mesmo tempo, eles exploram outras oportunidades de negócios e acabam crescendo mais ainda. O resultado é que estão sendo muito bem avaliados pelo mercado. Esse ecossistema de negócio made in Brasil é tema de um livro e de uma série que serão lançados durante o evento. 

 Essa é a segunda experiência do Retail Show com plataformas online. Já dá para avaliar a eficácia desse formato? 
As transmissões ao vivo têm características próprias e estão em um processo evolutivo. Em setembro do ano passado realizamos o Globo Retail Show, que acabou integrando 15 países em uma pesquisa sobre comportamentos emergentes com consumidor durante a pandemia. Neste ano, estamos com foco na América Latina e um recorte profundo no Brasil. Esse formato dá a oportunidade de reunirmos 220 líderes em até cinco palcos operando ao mesmo tempo. Esses eventos virtuais permitem que mais pessoas possam participar e atuar. A desvantagem é a limitação das relações interpessoais. 

Um dos destaques do evento é o match Brasil-China. O que temos a ensinar para nossos parceiros asiáticos?
Vamos discutir o que as empresas brasileiras têm aprendido nas operações na China e, ao mesmo tempo, o que os chineses têm aprendido nas operações no Brasil. Evidentemente, uma das características das organizações brasileiras é a capacidade de adaptação e flexibilização das nossas empresas à volatilidade de mercados. E nisso o Brasil tem muito a ensinar, porque no período anterior ao controle da inflação, em que vivíamos uma hiperinflação, adquirimos uma grande capacidade de nos moldarmos aos novos cenários, e isso tem grande valor na atualidade. 

Logo após a realização do Latam Retail Show, acontece o Fórum Nacional do Comércio. Qual a importância desses dois eventos neste momento? 
Ambos são importantíssimos para o varejo. Trata-se de uma oportunidade ímpar para reunir as lideranças e discutir, além dos temas afetos ao setor, as grandes questões nacionais, especialmente em um momento como esse, no qual sobram diagnósticos análises, projeções e falta ação para transformar de forma positiva a realidade.

Saiba mais sobre o V Fórum Nacional do Comércio
Saiba mais sobre o Latam Retail Show

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