15 set, 2026
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IA não é futuro distante, mas ainda não virou rotina empresarial

Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil mostra que a inteligência artificial já faz parte do repertório do empresário brasileiro, mas segue longe da aplicação cotidiana nas empresas.

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IA não é futuro distante, mas ainda não virou rotina empresarial

A inteligência artificial deixou de ser tratada como uma tecnologia futurista e passou a ocupar espaço fixo no debate sobre negócios, produtividade e competitividade. Ainda assim, a distância entre reconhecer o potencial e usar no dia a dia permanece grande no ambiente empresarial brasileiro.

É o que revela a pesquisa “Uso de inteligência artificial nas empresas”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. Segundo o levantamento, 87% dos empresários já conhecem ou tiveram contato com soluções de IA, mas apenas 14% fazem uso efetivo da tecnologia atualmente. Outros 9% estão em fase de avaliação, enquanto a maioria segue observando, sem decisão concreta.

Os números indicam que a IA já venceu a barreira do desconhecimento, mas ainda não se consolidou como ferramenta operacional.

Entre o discurso e a prática

A presença da inteligência artificial no discurso empresarial é cada vez mais frequente. Ela aparece em eventos, conteúdos, conversas estratégicas e projeções de futuro. No entanto, quando o assunto é implementação, o movimento desacelera. Apenas 24% dos empresários afirmam ter intenção de adotar IA no curto prazo, enquanto 40% não pretendem implementar a tecnologia e 36% permanecem indecisos.

Esse cenário sugere que a IA ainda não entrou na lista de prioridades imediatas da maioria das empresas, especialmente em um contexto de cautela econômica e gestão defensiva.

Ao contrário do que se poderia imaginar, o custo não é o maior entrave para a adoção da inteligência artificial. Entre os empresários que não utilizam a tecnologia, 52% apontam a falta de conhecimento sobre como usar a IA como principal barreira. Outros 32% afirmam que a tecnologia não é necessária para o seu negócio, enquanto apenas 16% citam a falta de recursos financeiros.

O dado revela um problema de tradução: a IA é conhecida no conceito, mas pouco compreendida na prática. Falta clareza sobre onde aplicar, que ganhos esperar e como integrar a tecnologia à rotina existente.

Interesse concentrado em áreas próximas da receita

Entre os empresários que planejam adotar IA, o interesse se concentra em áreas onde o retorno é mais tangível. Marketing e vendas lideram, citados por 69%, seguidos por atendimento ao cliente (49%). São frentes diretamente ligadas à geração de receita e à relação com o consumidor, o que reforça uma adoção pragmática, orientada a resultado.

A tecnologia passa a ser vista menos como inovação abstrata e mais como ferramenta de apoio à decisão, à comunicação e à eficiência comercial.

Expectativa positiva convive com falta de preparo

Apesar do uso restrito, a percepção sobre o potencial da IA é majoritariamente positiva. 41% dos empresários acreditam que a tecnologia aumentará a competitividade das empresas nos próximos anos, principalmente por criar novidades para os clientes, economizar tempo e dinheiro e melhorar o atendimento. Além disso, 52% veem a IA como fator de aumento de vendas.

Por outro lado, entre os 22% que discordam desse impacto, a principal justificativa é direta: a empresa não está preparada para essa transformação. O dado reforça que o desafio está menos na tecnologia disponível e mais na capacidade de gestão, aprendizado e adaptação.

O retrato final é de um empresariado atento às tendências, mas ainda operando majoritariamente com processos tradicionais. A inteligência artificial já é percebida como inevitável, mas não urgente. Ela aparece como promessa de eficiência e crescimento, mas ainda não foi incorporada à rotina de decisões, processos e equipes.

Para que a IA deixe de ser apenas um tema recorrente e passe a fazer parte do cotidiano empresarial, o caminho parece claro: mais conhecimento prático, exemplos aplicáveis e clareza de retorno. Enquanto isso não acontece, a inteligência artificial seguirá presente no discurso, mas ausente da rotina de grande parte das empresas brasileiras.

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