07 jan, 2026
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Influenciadores sob pressão: 60% consideram negativa a promoção de apostas

Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra desgaste na imagem de influenciadores e celebridades que divulgam plataformas de apostas, 4 em cada 10 brasileiros deixaram de segui-los por isso

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Influenciadores sob pressão 60% consideram negativa a promoção de apostas

A relação entre influenciadores digitais e marcas de apostas online começa a enfrentar um novo cenário de desconfiança. De acordo com a pesquisa “Jogos de Aposta Online”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, 60% dos consumidores brasileiros consideram negativa a promoção de apostas por parte de atletas, celebridades e influenciadores.

O levantamento aponta ainda que 41% dos entrevistados já deixaram de acompanhar criadores de conteúdo que realizam esse tipo de publicidade, um sinal claro de que o público começa a associar essas ações a falta de responsabilidade social e estímulo a comportamentos de risco financeiro.

A erosão da confiança digital

Nos últimos anos, o mercado de apostas online se expandiu rapidamente no Brasil, impulsionado pela publicidade em redes sociais e transmissões esportivas. Jogadores famosos, cantores e criadores de conteúdo passaram a ser rostos frequentes de campanhas milionárias, muitas vezes promovendo o jogo como uma forma de diversão inofensiva ou até como oportunidade de ganho fácil.

No entanto, a percepção do público está mudando. A pesquisa revela que, mesmo entre os que ainda acompanham esses influenciadores, 20% reconhecem que o conteúdo tem influência negativa, ainda que continuem assistindo. Esse dado mostra que há um conflito entre o entretenimento e a responsabilidade social, especialmente quando o público-alvo inclui jovens e adolescentes.

A combinação de alcance massivo e linguagem aspiracional transforma o influenciador em uma poderosa ferramenta de persuasão, mas também de risco. O levantamento mostra que 35% dos brasileiros defendem a proibição de campanhas de apostas direcionadas a jovens e adolescentes, e 41% apoiam restrições ao uso de celebridades e criadores de conteúdo nessas ações publicitárias.

O tema também vem ganhando espaço em debates sobre regulação do mercado de apostas. Para 56% dos entrevistados, o setor deve continuar existindo, mas com regras mais rígidas e maior fiscalização, especialmente em relação à comunicação e ao público impactado. Outros 37% são favoráveis à proibição total das apostas online, refletindo o aumento da preocupação com o vício e o endividamento.

Influência com responsabilidade

O cenário reforça uma tendência global: a cobrança por transparência e ética no marketing de influência. Assim como em temas sensíveis, como finanças pessoais, saúde e consumo de álcool, o jogo online exige limites claros de publicidade e mensagens educativas que alertem sobre os riscos.

Para as marcas e influenciadores, o desafio passa a ser equilibrar rentabilidade e reputação. Em um ambiente cada vez mais atento aos valores e ao impacto social das campanhas, a credibilidade se torna o ativo mais valioso.

A pressão por uma comunicação mais responsável também abre espaço para mudanças positivas. O público espera campanhas educativas e de conscientização, em vez de promessas de enriquecimento rápido. A pesquisa mostra que 44% dos brasileiros defendem ações que alertem sobre o vício em apostas, reforçando a importância de conteúdos que informem e previnam, em vez de apenas promoverem.

Seja por responsabilidade ética, regulação ou simples percepção de imagem, uma coisa é certa: a era do marketing de apostas sem limites está chegando ao fim. E os influenciadores que entenderem essa mudança primeiro tendem a preservar o bem mais valioso do ambiente digital, a confiança.

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