Movimento Varejo

Mais digitais, pequenas empresas faturam 151%

O volume de vendas neste ano foi 193% maior que no ano passado, quando 98,625 pedidos foram feitos. Os dados são da startup de e-commerce Nuvemshop

A loja de cosméticos naturais Relax decidiu inovar na Black Friday de 2020. Em vez de diluir as promoções ao longo de novembro, a empresa optou por concentrar as ofertas de quarta a domingo. Para atrair os clientes, deu brindes, frete por um centavo para todo o Brasil e lançou produtos novos perto da data. O resultado: aumento de 950% no faturamento na comparação com um final de semana comum. Só na Black Friday, foram faturados quase 500.000 reais, 86% da receita de novembro.

“Anunciando as ofertas quinze dias antes e começando as promoções antes da sexta-feira, conseguimos atingir nossos clientes e competir com os players grandes no marketing digital “, diz Thiago Santos, presidente e fundador da companhia, criada em 2016 como e-commerce e que hoje já soma 11 quiosques em shoppings pelo Brasil.

O caso da Relax reflete o resultado da Black Friday para as pequenas empresas brasileiras. Dados da startup Nuvemshop , de e-commerce, mostram que as PMEs faturaram de 24 a 30 de novembro cerca de 60 milhões de reais, 47% a mais que na semana anterior, e 151% mais que na semana da Black Friday de 2019. O volume de pedidos também subiu, houve uma alta de 193%.

“As marcas que focaram no seu nicho de clientes, oferecendo promoções exclusivas, com alvo claro, tiveram bons resultados”, diz Alejandro Vázquez, diretor de operações da Nuvemshop. Diferentemente dos marketplaces, em que prevalecem a venda de eletroeletrônicos, nas pequenas lojas online as categorias mais vendidas foram moda e vestuário; beleza e saúde; artesanato e arte; e casa e jardim.

Mas a pandemia teve consequências. O tíquete médio das compras diminuiu 14% em 2020, de 242 para 207 reais. Vásquez acredita que a queda seja reflexo de promoções mais agressivas em algumas categorias de produto que já tem tíquete menor de venda. “Acreditávamos que a falta de estoque seria um problema neste ano, mas vimos que os empreendedores se adaptaram ao cenário e fizeram mais promoções de produtos que tinham em estoque”, diz o diretor.

A Nuvemshop percebeu também nesta Black Friday uma integração maior das compras do mundo físico e online, com os comerciantes oferecendo descontos para clientes do e-commerce que fossem retirar o produto em loja e organizando campanhas para incentivar o cliente do mundo presencial a comprar no online. “O e-commerce se tornou um canal importante para o varejista, estão olhando com mais atenção”, diz Vásquez.

Para o comércio eletrônico como um todo, a Black Friday foi um sucesso. As vendas pela internet movimentaram 4 bilhões de reais nos dias 26 e 27 de novembro, um aumento de 25% em relação a 2019, segundo a consultoria Ebit/Nielsen.

Da Revista Exame Online

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