“Menos da metade das PMEs usa dados para tomar decisões”, destaca especialista em IA
“Menos da metade das PMEs usa dados para tomar decisões”, destaca especialista em IA
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Um estudo da IBM realizado com CEOs de 30 países, incluindo o Brasil, mostrou que apenas 43% das empresas estão utilizando inteligência artificial como base para decisões estratégicas. O resultado dialoga com outro levantamento da Microsoft, que revelou um contraste existente nas pequenas e médias empresas nacionais. Embora 74% dos gestores utilizem dados automatizados com frequência, apenas 33% transformam essas informações em decisões estratégicas.
A combinação dos dois estudos mostra um cenário comum tanto entre grandes organizações quanto entre PMEs. Os números estão cada vez mais acessíveis, mas a capacidade de transformá-los em insights práticos ainda é limitada. Segundo Carlos Schmiedel, CEO da Draiven, startup de inteligência artificial especializada em transformar dados corporativos em insights para tomada de decisão, o desafio do uso inteligente de informações não está apenas no acesso à tecnologia, mas na cultura de decisão das organizações.
“Menos da metade das PMEs usa dados para tomar decisões. As empresas até têm acesso a ferramentas digitais, mas não conseguem transformar isso em vantagem competitiva. Quando a decisão é tomada apenas pela intuição, perdem-se velocidade, previsibilidade e eficiência”, destaca o executivo.
Falta de visão estratégia
Schmiedel relembra que, segundo o Mapa da Digitalização das PMEs, divulgado há dois anos pelo Governo Federal, uma das frentes mais exploradas por empresas maduras no ambiente digital é a análise de informações estruturadas e não estruturadas, com apoio de ferramentas de big data e machine learning. Nas pequenas e médias empresas brasileiras, entretanto, essa realidade é diferente, pois fazem essa coleta de forma sistemática em suas relações com clientes e fornecedores.
“Embora o cenário ainda seja desafiador, tivemos uma melhora em comparação com 2023. Naquele ano, cerca de 23% das empresas possuíam planos formais para uso de dados, com rotinas de relatórios gerenciais e sistemas de suporte à decisão. Outros 37% apresentavam esses números em reuniões estratégicas, mas eles eram apenas um argumento a mais nas decisões. Hoje, uma PME pode usar IA para identificar gargalos e indicar efetivamente quais caminhos seguir”, acrescenta o CEO da Draiven.
Para o executivo, o movimento é positivo, mas insuficiente diante da velocidade do mercado mundial. “As pequenas e médias empresas brasileiras já estão no ambiente digital, mas, no geral, ainda não estão no ambiente decisório orientado por dados. O próximo passo é transformar informação em ação, porque só assim a inteligência artificial deixa de ser uma promessa e passa a ser uma ferramenta de resultado.”


