O custo do passo maior que a perna ao montar um negócio

*Ana Vecchi

Neste ano nasceram centenas, se não milhares, de empreendedores no Brasil, em função do que a pandemia provocou em todas as instâncias. Mas antes dela já havia alguns recém-nascidos e aqueles com pouco menos de um ou dois anos de vida empresarial.

Enfrentar as dificuldades de criar um negócio e todos os desafios que ele nos impõe é sabido e amplamente discutido. Instituições de ensino e de formação de empreendedores, plataformas de conteúdos ou de ensino on-line, portais de negócios e financeiros, de produtos e serviços de internet se debruçaram sobre a geração de conteúdos para orientar todos que buscam montar um negócio de sucesso. Informação é o que não falta!

Os sonhos começaram a se realizar, impulsionados pela catástrofe anunciada. Ônus e bônus pareciam lineares, não havia uma balança que mostrasse os melhores caminhos, pois não se sabia para onde conduziriam. Então, (1) ” bora criar produto, gravar vídeo, postar e tentar vender “.

A palavra engajamento foi marcada em negrito nos dicionários on-line, pois nos impressos nunca teve tamanha força nem exposição, até porque não passamos o marcador de texto amarelo nos de papel, pois iria borrar a folha. (2) ” Bora engajar a galera !”

Pânico, medo e insegurança paralisaram alguns e arremessaram outros ao lançamento de produtos, marcas, negócios, ao protagonismo, à inovação, ao realizar, se inventar – reinventar não coube a todos.

E de repente deu certo! Sabe quando nem mesmo você acredita que pudesse dar tão, mas tão certo?! Tampouco pais, tios e avós que buscaram estimular porque, não verdade, não tinha outra saída?.. Pois é, deu certo. (3) ” Bora botar a família inteira para ajudar “. Cunhado pediu demissão do banco, a tia ajudou com suas habilidades e o irmão mais novo arrasando na internet, posts, imagens, fotos com celular. Alguns viraram influencers. Momento mágico!

Porém, na verdade, o que está acontecendo nos bastidores? Só sabemos dos que se tornam unicórnios , dos que têm história similar à do Silvio Santos e viraram milionários ou de quem quebrou inúmeras vezes. No meio desses extremos, existe um vale (“geográfico”) onde milhões de casos orbitam e precisam de um sopro de orientação, organização e soluções.

Deu certo e não estão dando conta de entregar. Que bom!! Bombando de vender, mas sem conseguir dar conta. (4) ” Bora entregar para a galera que a gente engajou “, o que significa, à moda antiga, atender a demanda gerada e atender as expectativas dos clientes. Expectativas essas que a marca e seu marketing também provocaram e prometeram atender. O sonho de todos.

E, para “piorar” este ciclo do que deu certo, do “tem, mas acabou”, estamos passando pela Black Friday, que virou Black Week e Black November! O Natal está a menos de 30 dias e sabemos que Papai Noel não pegou coronavírus, as renas estão saudáveis e ele vai ter que entregar o que está anunciado em promoção, descontos e em 10x sem juros. Ou com preço cheio, pois também tem gente comprando aos montes!

Não são apenas alguns dos novatos no empreendedorismo que apostaram que não venderiam tanto. Bastava sobreviver, pagar as contas. Muitos dos grandes também não imaginaram. Vibraram no medo e na raiva do que estava sendo causado a eles. Emoções comuns e que regem os seres humanos. Mas, deu certo a ponto de não haver matéria-prima, mão-de-obra, produto suficiente para entregar! Então, (5) ” bora organizar para que a engrenagem funcione com vários caminhos e planos B traçados .”

Sempre foi preciso fazer isso, não por conta desse ou daquele momento. E, não raro, há um culpado! Visível ou não. Um vírus reconhecemos ser invisível, mas os bastidores da economia, dos acordos políticos, das estratégias dos concorrentes são todos invisíveis a quem não quer ou não pode enxergá-los. Consegue me entender?

(6) ” Bora vibrar positivo, planejar e não agir só na impulsividade” , formar um time que entrega o que deve ser feito, mesclando pessoas em níveis sênior, pleno, júnior e aprendiz na equipe, olhar onde há capacidade de produção ociosa, reduzir custos com o que é desnecessário, mas ainda agregando valor. E por aí vai, tem muito mais coisa a fazer.

Não é tão simples, mas sem entrar em pânico (de novo) com a máxima ” e agora o que eu faço ?”. Estruturar e organizar os processos dessa engrenagem são as palavras de ordem desse momento! Prometa e cumpra, engaje e encante, assim como o Papai Noel, que na verdade também é invisível! Afinal, você já o viu pessoalmente, tirando o Papai Noel de shopping center?

Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting , professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias.

Publicado originalmente no Estado Online

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