Movimento Varejo

O varejo que se adapta às novas tecnologias

Pesquisa da CNDL, SPC e Sebrae mostra a percepção do empresário em relação ao seu nível de digitalização

O presidente do Sebrae, Carlos Melles, e o presidente da CNDL, José César da Costa, debateram os resultados da pesquisa “Desafios do varejo”.

As transformações no varejo causadas pela pandemia, os caminhos para a retomada do crescimento econômico e o debate em torno das reformas estruturais são alguns dos temas discutidos no V Fórum Nacional do Comércio, evento promovido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) que acontece em Brasília até o dia 29 de setembro. O encontro reúne as maiores lideranças do setor varejista para debater um segmento que movimenta mais de R$ 340 bilhões.

Mais do que uma reunião de empresários, o fórum também serve para apontar saídas e registrar cenários que ajudam na tomada de decisão dos agentes públicos. Foi isso que aconteceu já na abertura do evento, no painel “Transformações – Desafios do Varejo Pós-Pandemia”, uma pesquisa realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

Baixe a pesquisa Desafios do Varejo

O estudo apresenta, entre outros dados, a enorme aceitação dos empreendedores às inovações tecnológicas impostas pela pandemia, como a digitalização dos negócios, o uso de aplicativos. Mais de 67% dos entrevistados afirmam ter esse perfil inovador. No entanto, o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas que atrapalham o crescimento do país, conhecido como Custo Brasil, é considerado por 9 a cada 10 empresários brasileiros como uma barreira para o crescimento de suas empresas.

Os maiores problemas relatados pelos empresários entrevistados são: os juros altos (44%), excesso de burocracia para abrir/manter/fechar empresas, contratação e dispensa de funcionários (34%), alta carga tributária sobre fabricação e venda de produtos/serviços (32%) e alto custo para empregar/tributação elevada da folha de pagamento (32%).

A pesquisa também registou que o conhecimento dos empresários acerca de tecnologias aplicáveis à gestão e operação dos negócios. 75% disseram acompanhar as novidades, produtos e estudos sobre o consumidor e 89% dizem utilizar os meios de pagamento digitais.

Coube ao presidente da CNDL, José César da Costa, e o presidente do Sebrae, Carlos Melles, comentarem o estudo. José César chamou a atenção para a abertura das empresas às inovações. “Essa pandemia mostrou a grande capacidade dos nossos empresários em se organizar e se adaptar às condições mais adversas”, disse. “Vimos que nosso setor não só se preparou, como também puxou bons resultados na economia, mostrando a todos, principalmente o governo, o vigor e a importância do comércio e serviços no Brasil”.

Carlos Melles disse que as mudanças chegaram para ficar lembrou que quando uma tecnologia é boa, ela é facilmente assimilada, como foi o caso do Pix. Mas destacou o sucesso do uso do Whatsapp na qualificação dos empreendedores. “Nós fizemos 15 cursos via whatsapp que eram acompanhados semanalmente por mais de 10 mil empresários. Estamos com mais de mil cursos à disposição e crescemos mais de 2000% no alcance dos nossos cursos”, lembrou.

José César provocou Melles com um dado da pesquisa. “Carlos, 65% dos empresários se consideram inovadores, ao mesmo tempo que apenas 25% tem algum nível de digitalização. Por que isso acontece?”. Melles disse que, às vezes, o que está errado é a percepção do empresário sobre o que digitalização. “Muitas vezes o comerciante não tem página na internet mas trabalha e faz vendas diárias via celular. Ele pode não “ser” digital, mas usa as ferramentas e isso não vai mais mudar”.

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