Movimento Varejo

Por que os shoppings no Brasil não vão acabar tão cedo?

*Por Maurício Romiti

Maurício Romiti da Nassau: “Mais do que a necessidade de fazer compras, o brasileiro ansiava por normalidade e o shopping, queiram admitir ou não, é um local que transmite esse sentimento aos seus frequentadores.”

Algumas pessoas apontam precocemente que o modelo de negócios usado pelos shoppings centers está fadado ao fracasso como tem sido noticiado nos Estados Unidos. Porém, elas falham em perceber as diferenças que existem entre os dois países e entender que o nosso cenário é singular. Enquanto nos Estados Unidos existem 116 mil shoppings centers, o Brasil possui 557 empreendimentos localizados em diversos estados e cidades de acordo com dados levantados pela Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers), sendo que  a previsão é de que pelo menos 21 novas unidades sejam inauguradas em 2021. Em terras estadunidenses a situação é outra: estima-se que apenas neste ano 20% a 25% dos shoppings centers encerram suas atividades, segundo dados do Credit Suisse, banco suíço de investimentos. Atualmente, os Estados Unidos possuem mais de 8,600 shoppings centers abandonados. 

Por aqui, esse modelo de negócios funciona bem e mantém o setor aquecido e em constante expansão. Além do mais, existe um fator primordial para a longevidade dos shopping centers o qual esses críticos esquecem: o hábito dos brasileiros. 

Quem não se lembra das filas formadas nas portas dos shoppings centers assim que foi possível reabrir algumas unidades, no final do primeiro semestre de 2020? Mais do que a necessidade de fazer compras, o brasileiro ansiava por normalidade e o shopping, queiram admitir ou não, é um local que transmite esse sentimento aos seus frequentadores. Digo mais: alguns tendem até a enxergar como uma extensão da própria casa, o que gera mais de 500 milhões de visitas mensais, ainda de acordo com dados da Abrasce. Isso ocorre porque o shopping center é mais do que um local para consumo, já é parte integrante da cultura do brasileiro. 

Por mais que 2020 tenha viabilizado o boom do e-commerce, com aumento de tráfego e compras online e o modelo de negócios praticado pelos shoppings centers tenha sido modernizado com novas modalidades como drive thru e compras assistidas, mesmo assim não foi possível substituir a experiência única de realizar as compras presencialmente. O shopping center continua sendo bastante atrativo e acima de tudo prático, pois oferece uma variedade enorme de produtos num único lugar, o que lhe coloca numa posição mais vantajosa do que o comércio online onde muitas vezes o consumidor precisa buscar os itens que deseja em mais de um site ou realizar buscas extensas até encontrar o produto que deseja. Temos que concordar que uma vitrine bem montada sempre será mais atraente que uma tela. Tudo isso faz com que o setor movimente anualmente 192,8 milhões de reais, além de gerar mais de 1 milhão de oportunidades de emprego.  

No fim das contas, o shopping center não vai acabar tão cedo, pois como podemos perceber, ainda é parte importante da vida dos brasileiros. Agora, o que talvez esteja com os dias contados é o costumeiro modelo de negócios cujo foco principal está única e exclusivamente voltado ao fluxo de clientes. Este modelo vem sofrendo modificações desde a reabertura dos shoppings no início do segundo semestre de 2020 e deve continuar em transição a fim de se adequar tanto ao novo perfil do consumidor, quanto em decorrência das mudanças comportamentais provocadas pela pandemia. 

*Maurício Romiti é Diretor Financeiro e Administrativo da Nassau Empreendimentos.

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