19 maio, 2026
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Saiba o que é silver ceiling e como combater esse novo etarismo

Silver ceiling, ou teto prateado, é o etarismo que limita a promoção de profissionais mais experientes

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Saiba o que é silver ceiling e como combater esse novo etarismo

As profissionais mulheres têm enfrentado uma série de preconceitos em sua ascensão profissional e dois destes modelos de etarismo já são bem conhecidos: os tetos de vidro (glass ceiling), mais geral, e o de concreto (concrete ceiling), ainda mais específico por envolver mulheres negras. Agora, uma nova barreira, mais “democrática” e, sem distinção de gênero, tem ganhado tração. Trata-se do silver ceiling, ou teto prateado.

Por prateado, entenda-se a metáfora de grisalho e, portanto, profissional mais experiente, independente de gênero.

Segundo Michelle Queiroz, professora associada da FDC e coordenadora do FDC Longevidade – uma plataforma de disseminação de conteúdo que alerta para a necessidade de mudança social para encarar o aumento da expectativa de vida -, os principais estudos e pesquisas sobre o tema consideram a população 50+ ou 60+. “Mas isso não significa que a faixa etária dos 40 anos não sofra com a queda de investimento em capacitação”, afirma.

De acordo com Michele, essa já é uma realidade em muitas empresas, ainda que não assumida de forma explícita. “Estes profissionais costumam ser menos priorizados porque o ambiente corporativo ainda carrega uma visão equivocada sobre o ‘fim de carreira’, frente à realidade que vivemos com a Revolução da Longevidade. No Brasil, segundo o Ipea, em 2040 cerca de 57% da população economicamente ativa terá mais de 45 anos. Assim, deixar de investir na qualificação dos 40+ é, na prática, deixar de investir na maior parte da força de trabalho do futuro”, aponta.

A especialista também comenta que as carreiras estão se tornando mais longas e um profissional de 45 anos pode ter mais de 30 anos de vida produtiva pela frente. “Não investir em sua atualização significa desperdiçar experiência, repertório e inteligência geracional. Investir em capacitação não pode ter prazo de validade, lifelong learning deixou de ser tendência e passou a ser condição de sustentabilidade no campo pessoal e organizacional. Empresas que compreenderem isso estarão melhor preparadas para responder a uma sociedade contemporânea que envelhece e se transforma rapidamente”.

Estereótipos

Para Stela Campos, editora de Carreira, do jornal Valor Econômico, as raízes desse fenômeno foram bem identificadas no estudo da escola de negócios francesa IÉSEG School of Management. O levantamento aponta para o estereótipo de que profissionais acima de 45 anos seriam menos capacitados para transformar as organizações, razão pela qual são preteridos nas oportunidades de promoção.

Falando de outra forma: a análise para promover esses trabalhadores é enviesada, indicando que profissionais na faixa de 40 anos estariam menos propensos a desempenhar tarefas complexas num universo de cinco anos do que seus pares da geração de 20 e poucos anos.

Com foco no mercado financeiro, o estudo intitulado “Why Is the Ceiling Silver? Uncovering the Role of Potential Appraisals in the Age-Promotion Relationship”, pode ser acessado aqui.

Experiência é diferencial

Diferentemente da avaliação enviesada apontada pelos pesquisadores franceses, os profissionais mais experientes podem, sim, fazer a diferença. Prova disso é a volta de vários deles 50+ no aprendizado de recursos de inteligência artificial (IA).

Várias dessas experiências foram relatadas por profissionais seniores, inclusive consultores. O mesmo acontece com os cursos de educação profissional para adultos que envolvem IA. Antes, a oferta de educação corporativa em tecnologia envolvia profissionais técnicos e na faixa entre 20 e 30 anos, mas a IA abriu as portas para não-técnicos e acima de 50.

Outra fonte que comprova o ditado em inglês old but gold (algo como velho, mas valioso) é o estudo do MIT, que aponta uma tendência importante no sucesso de startups: os empreendedores mais bem-sucedidos estavam na faixa de 40 anos. E mais: a taxa de sucesso aumentava na medida que aumentava a idade, uma vez que esses profissionais tiveram tempo para desenvolver capacidades e acumular experiências de liderança e de resolução de problemas.

Um argumento final chama a atenção para o cenário brasileiro: em 2060, um quarto de todos fará parte da faixa etária de 65 anos ou mais.

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