02 fev, 2026
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Shopee e Shein dominam o carrinho do brasileiro e desafiam o varejo nacional

Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra que 96% dos consumidores compraram em marketplaces internacionais no último ano

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O comércio digital brasileiro passa por uma transformação que já não pode ser ignorada. A presença avassaladora de marketplaces internacionais, puxados principalmente por Shopee e Shein, redesenhou o comportamento de compra no país e impôs um novo nível de competitividade ao varejo nacional.

Segundo a pesquisa “Consumo Multicanal — 2025”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, 96% dos consumidores compraram em marketplaces internacionais nos últimos 12 meses.

A Shopee lidera o ranking com 73% de utilização, seguida por Mercado Livre (63%), Amazon (39%), Shein (37%), Americanas (29%) e Magalu (28%). Os números mostram que a disputa segue acirrada, mas as plataformas asiáticas, com forte apelo de preço e variedade, hoje ocupam o topo da preferência.

Preço baixo, frete grátis e variedade infinita

O sucesso de Shopee e Shein se explica pela combinação de três fatores essenciais para o consumidor brasileiro:

  • Preços muito competitivos, em muitos casos abaixo do praticado pelo varejo nacional;
  • Frete grátis, citado como principal critério de escolha de uma loja online por 56% dos entrevistados;
  • Ofertas e descontos constantes, citados por 47% dos consumidores.

Essa estratégia não apenas atrai, mas fideliza: o consumidor encontra no ambiente internacional uma sensação de “ótimo negócio” difícil de reproduzir no varejo local. Além disso, a variedade quase ilimitada, que vai de roupas e acessórios a eletrônicos, utensílios domésticos, cosméticos e itens decorativos, torna essas plataformas o destino preferido para compras rápidas, baratas e sem grande carga de risco.

Moda, beleza e casa: os segmentos mais dominados

As categorias que mais movimentam compras nesses marketplaces são justamente as que têm forte apelo emocional e de preço:

  • Vestuário, calçados e acessórios (46%),
  • Produtos de beleza e perfumes (26%),
  • Itens para casa, decoração e utilidades (28%),
  • Eletrônicos e informática (29%).

São categorias nas quais o consumidor se baseia mais em preço, estética e variedade, do que em profundidade de marca, terreno onde Shopee e Shein são praticamente imbatíveis.

O desafio para o varejo nacional

O avanço dos marketplaces internacionais pressiona o varejo brasileiro em três frentes:

  • Preço: a discrepância de valor torna difícil competir sem afetar margem.
  • Logística: o consumidor quer frete grátis, mas também entrega rápida e raramente aceita pagar por isso.
  • Experiência: plataformas internacionais investem pesado em usabilidade, notificações, cupons, gamificação e recomendação personalizada.

Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra um ponto crucial: embora essas plataformas dominem o carrinho, a fidelização ainda depende muito da experiência. Entre os que compram repetidamente na mesma loja online, os motivos são: melhores preços (32%), frete grátis (27%), boa experiência anterior (27%) e confiança (25%).

Ou seja: há espaço para o varejo nacional competir, desde que consiga entregar transparência, confiabilidade, boas políticas de troca e um pós-venda eficiente, pontos que ainda são diferenciais percebidos pelo consumidor.

O consumidor brasileiro se tornou multicanal

A pesquisa reforça um comportamento já consolidado: o consumidor não é exclusivamente digital, mas também não abre mão das plataformas globais. O que ele busca é praticidade com custo-benefício.

71% compram online ao menos uma vez por mês, e 66% usam PIX, a forma de pagamento preferida. Ao mesmo tempo, 57% abandonam carrinhos por falta de confiança, avaliações ruins ou custos inesperados, o que demonstra que segurança, transparência e clareza ainda são determinantes.

Shopee e Shein redefiniram o nível de expectativa do consumidor. Agora, o desafio para empresas brasileiras é equilibrar preço competitivo, logística eficiente, experiência digital fluida, comunicação transparente e pós-venda confiável.

Não é uma disputa simples, mas é, sem dúvida, a nova realidade do varejo multicanal no Brasil.

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