15 jun, 2026
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5 pontos de atenção para superar a desigualdade de gênero

Relatório mostra que entre 2019 e 2022, quase 40% dos países estagnaram ou declinaram nos índices de equidade, como resultado de crises econômicas, sociais e políticas

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5 pontos de atenção para superar a desigualdade de gênero

Estamos em 2025 e falta pouco para o fim do prazo da Agenda 2030, mas nenhum país está a caminho de atingir os objetivos de igualdade de gênero até lá, o que só deve ser alcançado no próximo século. O panorama não é nada positivo: só entre 2019 e 2022, quase 40% dos países estagnaram ou declinaram nos índices de igualdade para as mulheres. Os dados constam de relatório da Equal Measures 2030, coalizão global que cobra governos e acompanha o avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de gênero em 139 países.

Publicado no site Think Eva, uma ONG que visa construir um mundo com maior equidade de gênero por meio do setor privado, um resumo do relatório calcula que, com as perspectivas de igualdade a serem atingidas apenas no próximo século, uma menina que nasce hoje vai esperar 97 anos para ver a igualdade de gênero ser alcançada no mundo. O quadro negativo é resultado de uma sucessão de crises econômicas, sociais e políticas que o planeta enfrenta atualmente, e deverá continuar enfrentando nas próximas décadas.

Índices podem recuar até o patamar de 2015

O relatório alerta ainda que, se a tendência de recuo ou estagnação permanecer nos países, as desigualdades globais de gênero poderão ser piores em 2030 do que eram em 2015, ano em que os ODS foram criados. A questão feminina ganha ainda mais peso, já que, segundo o Equal Measures 2030, 74% (ou quase três quartos) das metas dos ODS, são consideradas direta ou significativamente dependentes da igualdade de gênero.

O Equal Measures 2030 classificou 65% dos países analisados como “pobres” ou “muito pobres” em relação à proteção de direitos pessoais, individuais e contra a discriminação feminina. E, inacreditavelmente, o índice que registra o direito das mulheres de discutirem questões políticas em espaços públicos e privados registrou queda entre 2015 e 2022.

Classificação do Brasil é pobre

Na escala global, o Brasil apresenta um índice de igualdade de gênero considerado “pobre”, ocupando a 64ª posição na relação de países e o 6º lugar na América Latina. De 2019 a 2022, os avanços brasileiros foram rápidos, mas a previsão para os próximos anos é de lentidão. O Brasil se destaca pelas leis que protegem e reconhecem a orientação sexual e identidade de gênero, e também na cobertura estatística de indicadores de gênero. Porém, ainda desempenha mal em relação à presença feminina em cargos de alto escalão do governo.

Já a pesquisa “Perfil Social, Racial e de Gênero 2023-2024”, do Instituto Ethos, mostra que o Brasil tem potencial de se tornar referência na redução das disparidades de gênero. Mas, apesar de 94% das lideranças concordarem que é preciso empreender ações pela igualdade e pelo fim das barreiras para as mulheres no mercado de trabalho, apenas um terço das organizações acredita que faltam ações de diversidade e inclusão específicas para mulheres.

Dificuldade em alcançar populações marginalizadas

De volta ao relatório do Equal Measures 2030, o estudo diz que, nos últimos anos, quase um terço dos países fizeram progressos rápidos em direção à igualdade de gênero, mas os melhores avanços ocorreram onde o índice de igualdade foi considerado “pobre” ou “muito pobre”. Ou seja, é mais fácil atingir bons resultados tendo um ponto de partida baixo. Os países mais igualitários têm dificuldade em alcançar as populações marginalizadas e erradicar de fato a desigualdade. Segundo o Equal Measures 2030, tal estagnação os aproxima de condições de retrocesso.

Em 2024, pela primeira vez em uma década, caiu a porcentagem de financiamento público de países ricos destinado a questões de gênero em países de baixa e média renda. O contexto expõe mais mulheres à vulnerabilidade: na análise de igualdade econômica e de gênero da Equal Measures 2030, entre 2019 e 2022 a desigualdade de renda estagnou ou se tornou pior em três quartos dos países. Não por acaso, os índices relacionados aos ODS para Igualdade de Gênero no Combate à Fome e Igualdade de Gênero para Paz, Justiça e Fortalecimento das Instituições tiveram as maiores quedas no mundo. Segundo o estudo, “a igualdade está fortemente relacionada à democracia, mas a política mundial passa por uma perigosa escalada da polarização e repressão de direitos civis”.

O que as empresas podem fazer para mudar o quadro de falta de igualdade de gênero

Além de governos, as empresas podem repensar estratégias para alcançar suas próprias metas de igualdade de gênero e ajudar a melhorar o cenário mundial em relação a esse tópico.

A ONU reforça que as empresas são fundamentais para criar soluções sustentáveis e inovadoras, colaborar com ONGs e investir e financiar ODS com práticas de governança corporativa e responsabilidade social.

Adaptando a cartilha do Equal Measures 2030, o texto publicado na Think Eva destaca cinco esforços principais para as empresas impulsionarem a igualdade de gênero, dentro do atual e futuro ambiente econômico.

1. Aumentar a liderança feminina
52% das organizações com políticas afirmativas têm metas para promover mais mulheres na liderança, mas elas ocupam apenas 19% dos Conselhos Administrativos. Já as mulheres negras são apenas 2% desses cargos e somente 7% das empresas têm metas para que elas cheguem à liderança.

2. Reformar e implantar políticas de igualdade
78% das empresas adotam políticas de igualdade de gênero, mas apenas 37% têm metas para reduzir a desigualdade salarial, embora o requisito esteja previsto em lei. Políticas de igualdade devem ser atualizadas e eficazes para responder a situações discriminatórias e promover inclusão.

3. Levantar dados sensíveis a gênero
Com dados assertivos podemos construir políticas assertivas. Por exemplo, 30% das empresas atribuem a falta de mulheres na liderança à baixa qualificação, mas as mulheres são mais escolarizadas do que os homens, e o que de fato afeta suas carreiras é a sobrecarga da dupla ou tripla jornada de cuidado.

4. Investir no suporte ao cuidado
Apoios como creches, licenças parentais e jornadas flexíveis são essenciais para promover a equidade de gênero. No entanto, apenas 19% das empresas oferecem licenças-paternidade superiores a 20 dias.

5. Criar espaços de apoio
Grupos de afinidade servem para mulheres se apoiarem e proporem melhorias no ambiente de trabalho. Esse é o tipo de grupo mais presente em empresas que investem em Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I), o que impulsiona a transformação organizacional.

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